janeiro 31, 2004

Lebo - III

Lebo é a versão de lá, do Carlinhos de cá.

TEACHER: Lebo, go to the map and find North America.
LEBO: Here it is!
TEACHER: Correct. Now, class, who discovered America?
CLASS: Lebo!

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Para blogar na rua

Publicado por vmar em 11:48 PM | Comentários (0) | TrackBack

Dança sexy

Se és Homem ...
"BAILE SEXY PARA TI!"


Se és Mulher...
"BAILE SEXY PARA TI!"

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Esculturas de Areia - II

Cronula Beach 2003

Publicado por vmar em 10:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

A sogra e os genros

Uma Sogra tinha três genros e, como muitas sogras, duvidava do amor que esses três genros teriam por ela. Vai na volta, um dia, resolveu testar os genros, da seguinte maneira:

Passeando com o primeiro genro atirou-se para um lago gelado(como muitas sogras não sabia nadar) gritando por socorro.
O genro rapidamente saltou para a água e salvou-a.
- Como reconhecimento, no dia seguinte à sua porta, tinha um VW Golf com o seguinte cartão:
"Da Sogra agradecida um carrinho para o genro".

Passados uns dias, passeando com o segundo genro atirou-se para o mesmo lago gelado (lembro que como muitas sogras esta não sabia nadar) gritando por socorro. O genro provou a água, verificou que não estava fria e lentamente saltou para a água salvando-a no último instante.
- Como reconhecimento, no dia seguinte à sua porta, tinha um Peugeot 206 com o seguinte cartão:
"Da Sogra agradecida um pequeno carro para o genro".

No Mês seguinte, passeando com o terceiro genro atirou-se para o mesmo lago gelado (embora frequentando aulas de natação ainda não sabia nadar) gritando por socorro. O genro olhou para todos os lados, verificou que não estava ninguém, acendeu um cigarro e rapidamente abandonou o local da ocorrência.
No dia seguinte à sua porta, tinha um Mercedes SLK topo de gama com todos os extras e volante de madeira com o seguinte cartão:
"Do teu Sogro, agradecido, que te adora".

Publicado por vmar em 10:23 PM | Comentários (0) | TrackBack

Actualização das taxas moderadoras

As taxas moderadoras tinham sido actualizadas em Setembro de 2003. No entanto esse aumento era ilegal, porque o valor que passou a ser cobrado ao utente do SNS ultrapassava um terço do custo cobrado pelo próprio Estado.
Assim a maioria das Administrações Regionais de Saúde continuou a optar pelas taxas cobradas há onze anos, não acatando a actualização ordenada em Setembro.
Este erro, serviu de pretexto ao Ministério da Saúde para provocar 14 novos aumentos na comparticipação paga pelos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS), quando realizam exames médicos. Os novos aumentos, que entram em vigor a partir de amanhã, chegam a ultrapassar os 60%.

Mais uma vez se vê, que “o pior já passou....”

Publicado por vmar em 05:12 PM | Comentários (1) | TrackBack

A beleza no fundo mar - V

Publicado por vmar em 04:53 PM | Comentários (1) | TrackBack

O conta do telefone

Falar ao telefone pode ser caro.

Publicado por vmar em 04:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

Os coletes reflectores ainda não são obrigatórios

Em declarações à Lusa, Ricardo Fonseca, jurista da DGV, realçou que "ainda nem sequer estão definidas as características dos coletes que virão a ser obrigatórios" nem "uma data a partir da qual será obrigatória a utilização dos coletes reflectores".

Portanto tudo o que se tem dito não passa de conversa fiada e, nalguns casos, de um aproveitamento comercial da situação.

Publicado por vmar em 04:37 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 30, 2004

Pequeno dicionário luso-brasileiro...

(para entender bem, convém ler com pronuncia brasileira)

Testículo..................: Texto pequeno.
Abismado................: Pessoa que caiu de um abismo
Pressupor................: Pôr preço em alguma coisa.
Biscoito...................: Fazer sexo duas vezes.
Missão....................: Culto religioso com mais de três horas de duração.
Padrão....................: Padre muito alto.
Estouro...................: Boi que sofreu operação de mudança de sexo.
Democracia............: Sistema de governo do inferno.
Barracão.................: Proíbe a entrada de caninos.
Homossexual..........: Sabão em pó para lavar as partes íntimas.
Ministério................: Aparelho de som de dimensões muito reduzidas.
Edifício....................: Antónimo de "é fácil ".
Detergente..............: Acto de prender seres humanos.
Armarinho...............: Vento proveniente do mar.
Eficiência................: Estudo das propriedades da letra F.
Conversão..............: Conversa prolongada.
Barganhar..............: Receber um bar de herança.
Fluxograma............: Direcção em que cresce o capim.
Halogéneo..............: Forma de cumprimentar pessoas muito inteligentes.
Unção.....................: Erro de concordância verbal. O certo seria "um é".
Expedidor...............: Mendigo que mudou de classe social.
Luz solar.................: Sapato que emite luz por baixo.
Cleptomaníaco.......: Mania por Eric Clapton.
Tripulante...............: Especialista em salto triplo.
Contribuir................: Ir para algum sítio com vários índios.
Aspirado.................: Carta de baralho completamente maluca.
Coitado...................: Pessoa vítima de coito.
Regime Militar........: Rotina de dieta e exercícios feitos pelo exército.
Bimestre.................: Mestre em duas artes marciais.
Caçador..................: Indivíduo que procura sentir dor.
Suburbano..............: Habitante dos túneis do metro.
Volátil.....................: Avisares o tio que vais lá.
Assaltante..............: Um "A" que salta.
Determine..............: Prender a namorada de Mickey Mouse.
Pornográfico...........: O mesmo que colocar no desenho.
Coordenada...........: Que não tem cor.
Presidiário..............: Aquele que é preso diariamente.
Ratificar..................: Tornar-se um rato.
Violentamente........: Viu com lentidão.
Diabetes.................: As dançarinas do diabo

Publicado por vmar em 07:59 PM | Comentários (3) | TrackBack

O Fabuloso Theodoro

Um casal vai passar a lua de mel numa cidade paradisíaca e, de repente, ficam perdidos num bairro decadente. Após andarem um tempo, passam por uma casa de espectáculos pornô onde está anunciado:
HOJE, O FABULOSO THEODORO...!
Curiosos, resolvem entrar para conhecer. Após algumas representações, é anunciado o Fabuloso Theodoro, que entra sob grande aplauso.
Começa então a apresentação:
Vem para a cama uma louraça, que faz sexo com ele; vem em seguida uma morenaça, que também faz sexo com ele; e depois vem uma ruivaça e há de novo sexo...
O público aplaude efusivamente.
Os dois já concordam que o sujeito deve estar esgotado, mas depois da última mulher, escuta-se o rufar de tambores e entra uma sujeita com uma mesinha com 3 nozes.
Theodoro então, com seu pénis, quebra as três nozes com três pancadas precisas.
O público vai então à loucura, aplaudindo em pé.

Vinte e cinco anos depois, o casal decide comemorar as bodas de prata na mesma cidade, para recordar os velhos tempos...
Chegados lá, têm a ideia de refazer o mesmo percurso que tinham feito anteriormente, e acabam encontrando a mesma casa de espectáculo, agora bem mais decadente e, para a surpresa dos dois, tinha ainda na porta o mesmo cartaz anunciando:
HOJE, O FABULOSO THEODORO...!
Movidos pela curiosidade, entram e vêem o mesmo sujeito, agora mais velho, fazendo sexo com as mesmas mulheres e com a mesma energia.
Ao final, quando os tambores começam a rufar, entra a sujeita com a mesinha, agora com três cocos, que ele quebra com a mesma energia de sempre.
Admirados e surpresos, vão ao camarim conversar com o Theodoro e perguntam sobre a mudança de nozes para côcos ao que o actor responde:
- "Vejam o que faz a idade... a velhice é terrível. Eu tive que mudar para cocos porque, depois de uma certa idade, a vista ficou tão fraca, que eu não conseguia mais acertar nas nozes...".

Publicado por vmar em 07:39 PM | Comentários (1) | TrackBack

A ACA-M precisa de ajuda

Morada Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados
Av. 5 de Outubro, 142-1º Dto
1050-061 Lisboa

Telefone: 217801997
Fax: 217801998

Secretariado
Abertura: 6ª 9:30-18:00h
Secretariado@aca-m.org

Direcção
Direccao@aca-m.org

Geral
aca-m@aca-m.org

http://www.aca-m.org

Publicado por vmar em 12:13 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 29, 2004

Esculturas de Areia - I

Cronula Beach 2003

Publicado por vmar em 11:40 PM | Comentários (1) | TrackBack

Algumas amigas são assim mesmo.....

Duas amigas encontram-se às portas do céu...

Amiga 1 - Como é que morreste?
Amiga 2 - Congelei.
Amiga 1 - Ai que horror!!! Deve ter sido horrível! Como é que é morrer congelada?
Amiga 2 - É muito desconfortável ao princípio: primeiro são os arrepios, depois as dores nos dedos das mãos e dos pés... Mas, até que é uma maneira relativamente calma de morrer, começamos a ficar dormentes e depois deixamo-nos ir, como se estivéssemos a dormir. E tu, de que é que morreste?
Amiga 1 - Eu? De ataque cardíaco. Sabes, eu desconfiava que o meu marido me andava a trair e, um belo dia, cheguei a casa mais cedo. Corri até ao quarto e lá estava ele na cama a ver televisão. Desconfiada, corro até à cave, para ver se lá estava alguém escondido, mas não encontro ninguém. Corro até ao segundo andar, mas também não vejo vivalma. Corro, então para o sótão e, ao subir as escadas tenho um ataque cardíaco e caio morta.
Amiga 2 - Oh, que pena... Se tivesses ido logo ao congelador, ainda hoje estávamos vivas...

Publicado por vmar em 07:54 PM | Comentários (1) | TrackBack

A hipocrisia perante o drama

O Vaticano acusou hoje a indústria farmacêutica de praticar genocídio em África, por se recusar a baixar o preço dos medicamentos contra a sida.

Não tenho nenhumas dúvidas que as poderosas e gananciosas multinacionais da farmacêutica, com os seus comportamentos de um mercantilismo cego, recusando-se a baixar o preço dos medicamentos contra a sida – e estas empresas têm lucros fabulosos – se comportam com uma desumanidade arrepiante.

Mas não consigo deixar de sorrir – ou de abanar a cabeça, incrédulo – quando li sobre as “acusações” do Vaticano, que classifico de hipócritas.

“Faz como os outros, não faças como eu” parece adaptar-se perfeitamente neste caso.

O que é que o Vaticano tem feito em termos de informação e prevenção contra a sida?
Nada!
Quem tem feito campanha contra o uso do preservativo - um meio cientifico de prevenção da sida?
A igreja católica!

As formas de combater a epidemia têm de ser tomadas tanto a jusante como a montante do problema. Não existe moralidade alguma em criticar as medidas que se tomam para combater a doença, quando se tem posições incorrectas na prevenção da mesma.

É evidente, repito, que, com isto não estou a defender a industria farmacêutica. É mais do que criticável a posição mercantilista da industria farmacêutica, ainda que o seu objectivo, como empresas que são, seja ganhar dinheiro.

Mas, qual é o objectivo da igreja católica, ao criticar as farmacêuticas nesta questão dos medicamentos contra a sida quando ela, igreja, tem telhados de vidro tão frágeis nesta matéria?
Não seria melhor que fizesse como J. Cristo pregou e, antes de criticar os outros – ainda que as criticas sejam justas – começasse pelos seus próprios pecados?

Publicado por vmar em 07:36 PM | Comentários (3) | TrackBack

Lebo - II

Lebo é a versão de lá, do Carlinhos de cá.

TEACHER: What is the chemical formula for water?
LEBO: "HIJKLMNO"!!
TEACHER: What are you talking about?
LEBO: Yesterday you said it's H to O!

Publicado por vmar em 06:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

Assim vai o ensino

Alunos com resultados negativos a Português e Matemática

Os mais de 116 mil alunos do 6º ano que, em Maio de 2002, realizaram as provas de aferição, não conseguiram mais do que uma média de 33,5 por cento, numa escala de 0 a 100.

Mudam os governos, mudam as políticas, mudam os programas, mudam as pedagogias, mudam os conteúdos, mudam as avaliações. Só uma coisa não muda: os resultados.
Vimos assistindo, há muitos anos, a resultados francamente negativos no ensino, com especial relevância no Português e na Matemática. Estas disciplinas são pilares básicos na formação dos alunos. No entanto, são as que registam piores médias. Logo, toda a formação do aluno anda comprometida.
Será que os alunos não se esforçam?
Ou será que o sistema não responde correctamente às necessidades da formação?

A sociedade portuguesa defronta-se, na actualidade, com variados problemas, uns mais graves do que outros. Pessoalmente, defendo duas questões que coloco no topo da pirâmide das prioridades: O Ensino e a Fiscalidade . Enquanto estas duas questões não forem convenientemente resolvidas, muitas das outras questões continuarão comprometidas.

Publicado por vmar em 06:33 PM | Comentários (3) | TrackBack

janeiro 28, 2004

Profissão: Funcionário Público

Um gajo vai andando pela rua quando de repente, não mais que de repente, um assaltante mascarado lhe aponta a arma e lhe diz:
- Passa o relógio!
O coitado dá-lhe o seu Rolex falso e o ladrão protesta:
- O que é isto? Esta merda qualquer vendedor ambulante vende por 20 Euros!
- Passa a carteira, porra!
O homem dá-lhe a sua carteira de plástico, imitação de Pierre Cardin e o assaltante encontra nela três bilhetes de autocarro, 2 vales de refeição e cinco Euros.
Já meio lixado, o ladrão diz:
- Não vales nada...o teu fato está gasto, os teus sapatos sujos e a única coisa que parece que presta é uma reles imitação barata! Afinal, o que tu fazes na vida?
A vítima responde, quase chorando:
- Sou funcionário público!
E o ladrão, tirando a máscara, pergunta com um sorriso simpático:
- És mesmo, colega? És de que ministério?

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A beleza no fundo mar - IV

Publicado por vmar em 11:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

Leia e tente não chorar

Esta mensagem chegou por mail e tem origem no Brasil.
Como a origem do drama aqui relatado é um problema que nos afecta, achei por bem publicá-la.

Exactamente na véspera de Natal, eu corri ao mercado para comprar os últimos presentinhos, que eu não havia conseguido comprar antes. Quando eu vi todas aquelas pessoas no mercado, comecei a reclamar comigo mesma:
- "Isto vai demorar a vida toda, e eu ainda tenho tantas coisas para fazer, outros lugares para ir. O natal está ficando pior a cada ano. Como eu gostaria de poder apenas me deitar, dormir e só acordar após tudo isso".

Sem notar, eu fui andando até a secção de brinquedos, e lá eu comecei a bisbilhotar os preços, imaginando se as crianças realmente brincam com esses brinquedos tão caros.
Enquanto eu olhava a secção de brinquedos, eu notei um garoto de mais ou menos 5 anos pressionando uma boneca contra o peito. Ele acarinhava o cabelo da boneca e olhava tão triste, e fiquei tentando imaginar para quem seria aquela boneca que ele tanto apertava.
O menino virou-se para uma senhora próximo à ele e disse:
-"Hóvó, você tem certeza que eu não tenho dinheiro suficiente para comprar esta boneca?"
A senhora respondeu:
-"Você sabe que o seu dinheiro não é suficiente, meu querido!"
E ela perguntou ao menino, se ele poderia ficar ali olhando os brinquedos por 5 minutos, enquanto ela iria olhar outra coisa. O pequeno menino estava segurando a boneca em suas mãos.
Finalmente eu comecei a andar em direcção ao garoto e perguntei para quem ele queria dar aquela boneca.
E ele respondeu:
- "Esta é a boneca que a minha irmã mais adorava, e queria muito ganhar neste Natal. Ela estava tão certa que o Papai Noel traria esta boneca para ela este ano."
Eu disse:
"Não fique tão preocupado, eu acho que o Papai Noel irá trazer a boneca para sua irmã."
Mas ele triste me disse:
-"Não, o Papai Noel não poderá levar a boneca onde ela está agora. Eu tenho que dar esta boneca pra minha mãe, assim ela poderá dar a boneca à minha irmã, quando ela for lá."
Seus olhos se encheram de lágrimas enquanto ele falava:
-"Minha irmã teve que ir para junto de Deus. O papai me disse que a mamãe também irá embora para perto de Deus em breve. Então eu pensei que a mamãe poderia levar a boneca com ela e entregar a minha irmã.".
Meu coração quase parou de bater. Aquele garotinho olhou para mim e me disse:
-"Eu disse ao papai para dizer a mamãe não ir ainda. Eu pedi à ele que esperasse até eu voltar do mercado."
Depois ele me mostrou uma foto muito bonita dele rindo, e me disse:
- "Eu também quero que a mamãe leve esta foto, assim ela também não se esquecerá de mim. Eu amo a minha mãe e gostaria que ela não tivesse que partir agora, mas meu pai disse que ela tem que ir para ficar com a minha irmãzinha."
Ai ele ficou olhando para a boneca com os olhos tristes e muito quietinho.
Eu rapidamente procurei minha carteira e peguei algumas notas e disse para o garoto:
- "E se nós contássemos novamente o seu dinheiro, só para termos certeza de que você tem o dinheiro para comprar a boneca?"
E coloquei as minhas notas junto ao dinheiro dele, sem que ele percebesse, e começamos a contar o dinheiro. Depois que contamos, o dinheiro iria dar para comprar a boneca e ainda sobraria um pouco.
E o garotinho disse:
-"Obrigada Senhor, por atender o meu pedido e me dar o dinheiro suficiente para compra a boneca"
Aí ele olhou para mim e disse:
- " Ontem antes de dormir eu pedi à Deus que fizesse com que eu tivesse dinheiro suficiente para comprar a boneca, assim a mamãe poderia levar a boneca. Ele me ouviu .... e eu também queria um pouco mais de dinheiro para comprar uma rosa branca para minha mãe, mas eu não ousaria pedir mais nada a Deus. E Ele me deu dinheiro suficiente para comprar a boneca e a rosa branca. Você sabe, a minha mãe adora rosas brancas."

Uns minutos depois, a senhora voltou e eu fui embora sem ser notada. Terminei minhas compras num estado totalmente diferente do que havia começado. Entretanto não conseguia tirar aquele garotinho do meu pensamento.
Então lembrei-me de uma notícia no jornal local de dois dias atrás, quando foi mencionado que um homem bêbado numa camioneta, bateu em outro carro, e que no carro estavam uma jovem senhora e uma menininha. A criança havia falecido na mesma hora e a mãe estava em estado grave na UTI, e que a família havia decidido desligar as máquinas, uma vez que a jovem não sairia do estado de coma. E pensei, será que seria a família daquele garotinho?
Dois dias após meu encontro com o garotinho, eu li no jornal que a jovem senhora havia falecido. Eu não pude me conter e sai para comprar rosas brancas e, fui ao velório daquela jovem ... Ela estava segurando uma linda rosa branca em suas mãos, junto com a foto do garotinho e com a boneca em seu peito.
Eu deixei o local chorando, sentindo que a minha vida havia mudado para sempre.
O amor daquele garotinho por sua mãe e irmã continua gravado em minha memória até hoje.
É difícil de acreditar e imaginar que numa fracção de segundos, um bêbado tenha tirado tudo daquele pequeno garotinho.

Agora você tem duas opções:

1. Mande esse mensagem a todos que você conhece;
2. Ou apague esta mensagem, e faça de conta que ela não tocou o seu coração.
Se você mandar essa mensagem, talvez ajude aquelas pessoas, que bebem e saem dirigindo pelas ruas a pensar um pouco mais e, ajude a prevenir os acidentes, que acontecem durante os feriados.

Preocupe-se um pouco com as outras pessoas, antes de sair dirigindo bêbado pelas ruas. E pegue as chaves daqueles que julgar necessário.
Você estará salvando outras vidas e a sua vida também.

Publicado por vmar em 09:03 PM | Comentários (7) | TrackBack

Joãozinho na escola - IV

O Joãozinho vira-se para o pai e pergunta:
- Paizinho, quando eu vim ao mundo, quem foi que me deu a inteligência?
- Foi a tua mãe, de certeza! Pois a minha continua comigo.

Publicado por vmar em 01:03 AM | Comentários (3) | TrackBack

janeiro 27, 2004

Murais IV

Publicado por vmar em 11:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

A Terra em miniatura

Se pudéssemos reduzir a população da terra a uma pequena aldeia de exactamente 100 habitantes....

Publicado por vmar em 09:34 PM | Comentários (2) | TrackBack

A verdade de ontem, a mentira de hoje

Dados da secreta britânica sobre armas de destruição maciça iraquianas eram falsos
O grupo de exilados iraquianos em Londres que afirma ter fornecido aos serviços secretos britânicos informações sobre armas de destruição maciça no Iraque, admite que esses dados eram falsos, avança hoje o "The Guardian".

Os Estados Unidos tem enormes reservas de armas de destruição maciça.
Segundo informações fidedignas de um grupo de americanos, radicados em Sacavém de Baixo, os responsáveis americanos estão prontas a usá-las, se alguém lhes fizer saltar a mostarda para o nariz.

E agora? Alguém vai invadir os States?

Por aqui se percebe a facilidade com que hoje em dia se faz uma guerra. Por aqui se vê como um qualquer boato serve de desculpa para uma qualquer agressão. Por aqui se vê como ninguém confirma nada - talvez de propósito - antes de decidir uma acção violenta.
E resta ver se este grupo de exilados não foram criados à pressa para justificar o injustificável.
Talvez tudo não passe de uma orquestração gigante do Sr. Bush, para justificar a sua guerrinha.

Talvez um dia se esclareça convenientemente este assunto, e se perceba que ao terrorismo árabe se opõe um outro terrorismo.

Publicado por vmar em 07:19 PM | Comentários (3) | TrackBack

27 de Janeiro de 1973

Assinado em Paris, acordo de cessar fogo, entre os EUA e o Vietname do Norte.

Este país infligiu, pela primeira vez, uma derrota militar aos EUA.
Durante oito anos os EUA utilizaram quase três milhões de americanos na guerra, lançaram sete milhões de toneladas de bombas e inutilizaram muitos milhares de km2 de terra com a guerra química, sem resultados positivos.
Durante a guerra morreram cerca de dois milhões de vietnamitas e cinquenta e sete mil americanos.

Publicado por vmar em 12:51 AM | Comentários (4) | TrackBack

Aula de biologia

A professora em plena aula de biologia: A hiena é um animal que vive no centro de África, é necrófaga, reproduz- se uma vez ao ano e emite uma vocalização similar ao som do homem ao rir-se.

- Vamos lá ver, Pedrito, percebeste a explicação?
- Oh, sim senhora professora, a hiena é um animal que vive no centro de África, é necrófaga, faz amor uma vez ao ano e emite uma vocalização similar ao som do homem ao rir-se.

- Muito bem, Pedrito. Vamos lá ver tu, Joãozinho.
- A hiena vive longe, algures em África, come carne podre, curte uma vez ao ano ri-se como o homem.

- Mal ou bem entendeste a lição. Vamos lá ver tu, Carlinhos.
- Stôra, há uma cena que não entendo... a hiena, vive longe pa caralho, come merda que se lixa, dá uma queca sabe Deus quando... e ainda se ri? Do quê?

Publicado por vmar em 12:31 AM | Comentários (5) | TrackBack

A beleza no fundo mar - III

Publicado por vmar em 12:18 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 26, 2004

Lebo

Lebo é a versão de lá, do Carlinhos de cá.

TEACHER: Lebo, why are you doing your math sums on the floor?
LEBO: You told me to do it without using tables!

Publicado por vmar em 08:03 PM | Comentários (1) | TrackBack

Para funções iguais, salário igual

«Para funções iguais, salário igual», comenta Carlos Costa Neves, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares ao «Semanário Económico». Ao mesmo jornal, o eurodeputado socialista Paulo Casaca acrescenta que o salário de um eurodeputado português está actualmente, «ao nível de um contínuo que trabalhe na UE».

Tudo isto a propósito dos eventuais novos vencimentos dos eurodeputados.
Não pretendo aqui discutir a justiça desses aumentos.
O que pretendo pôr em destaque é os argumentos utilizados por estes senhores, e por outros da mesma classe.
Estes argumentos servem para justificar as suas pretensões, mas já não servem para a esmagadora maioria do povo português!
Pretende-se dignificar a classe dos deputadoseuropeus, mas esquecem-se do ponto fundamental, a dignificação do povo português a que eles também pertencem.
É com atitudes destas que a classe política vai perdendo cada vez mais prestígio aos olhos daqueles que os elegeram.

Convém ainda lembrar que, com as receitas actuais, os deputados já recebem cerca de 30 vezes o ordenado mínimo nacional. É certo que é um trabalho muito desgastante....

Assim, não se compreende que, sendo um cargo tão pesado e mal pago, tenha tantos candidatos....e desperte tantas guerras.

Publicado por vmar em 07:19 PM | Comentários (4) | TrackBack

Joãozinho na escola - III

O Joãozinho fazia anos e convidou todos os amigos para o seu aniversário.
- Quando chegares a minha casa tocas à campainha com a testa - diz ele.
- Com a testa?! Porquê?
- Com certeza que não estás a pensar vir de mãos a abanar, pois não?

Publicado por vmar em 06:42 PM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 25, 2004

25 de Janeiro de 1942 - Parabéns Eusébio

Nascimento de Eusébio da Silva Ferreira em Lourenço Marques (actual Maputo).
Futebolista português, jogou no Sporting de Lourenço Marques, Sport Lisboa e Benfica e Sport Clube Beira-Mar. Foi 64 vezes internacional, fez parte da selecção europeia em 1964 e da do mundial em 1966. Foi considerado o melhor jogador da Europa em 1965 e o melhor marcador do Mundial de 1966 e ainda o melhor futebolista do Mundial desse ano, segundo o jornal inglês News of the World.
É considerado um dos maiores jogadores na História do Futebol.

Parabéns Eusébio.

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janeiro 24, 2004

24 de Janeiro de 1965

Morte de Winston Churchill, político, pintor e escritor (1874-1965).
De 1940 a 1945 torna-se o primeiro-ministro de um governo de união nacional. Revela-se então um verdadeiro estratega, um grande chefe de Estado e um símbolo da oposição britânica face ao nazismo.
Na escrita a sua obra, nomeadamente as “Memórias de Guerra” (1948-1954) valeu-lhe o Prémio Nobel da Literatura em 1953.

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janeiro 23, 2004

Joãozinho na escola - II

- Vens lindo da escola, Joãozinho. O que aconteceu?
- Caí na lama, mãe!
- Com os calções novos?!
- Que queres? Não fui a tempo de os tirar...

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Murais III

Publicado por vmar em 11:33 PM | Comentários (1) | TrackBack

Sinistro automóvel

Chegado via email não foi possível confirmar a sua veracidade, na ausência de testemunhas ou de participação policial. Fica à vossa apreciação...

Descrição de ocorrências nas participações de sinistro do ramo automóvel.

1. O falecido apareceu a correr e desapareceu debaixo do meu carro. (das duas uma: ou era atleta ou mágico!)

2. Para evitar bater de frente no contentor do lixo, atropelei um peão. (o importante é que não acertou no contentor do lixo!!!)

3. O acidente aconteceu quando a porta direita de um carro apareceu de esquina sem fazer sinal. (autêntico caso de Ficheiros Secretos)

4. A culpa do acidente não foi de ninguém, mas não teria acontecido se o outro condutor viesse com atenção. (desde que a culpa não seja de ninguém...)

5. Aprendi a conduzir sem direcção assistida. Quando girei o volante no meu carro novo, dei comigo na direcção oposta e fora de mão! (a culpa aqui também não é de ninguém, mas se o tivessem ensinado a conduzir com direcção assistida isso não teria acontecido!!!)

6. O peão bateu-me e foi para baixo do carro. (malditos peões, só servem para destabilizar....só para chamarem a atenção... malditos arruaceiros!)

7. O peão não sabia para onde ia, então eu atropelei-o!
(ora lá está! Assim ao menos ficou o caso resolvido....hospital com ele!)

8. Vi um velho enrolado, de cara triste, quando caiu do tejadilho do meu carro. (It's raining men...ALELUIA!!!)

9. Eu tinha a certeza que o velho não conseguia chegar ao outro lado da estrada, por isso atropelei-o. (podia ser que dando um empurraozinho... lá chegasse mais rápido)

10. Fui cuspido para fora do carro, quando ele saiu da estrada. Mais tarde fui encontrado numa vala por umas vacas perdidas.
(se as vacas estavam perdidas, foi achado ou perdido?!?)

11. Pensei que o meu vidro estava aberto, mas descobri que estava fechado quando pus a cabeça de fora. (huuuuuuuuu... este é o fantasminha casper... atravessa paredes, portas e janelas)

12. Bati contra um carro parado que vinha em direcção contrária. (ora aí está uma coisa perigosa! Esses são os piores.... todo o cuidado é pouco quando eles estão parados...sobretudo se vierem em direcção contrária!)

13. Saí do estacionamento, olhei para a cara da minha sogra e caí pela ribanceira abaixo. (nova campanha da DGV: "Se conduzir, não leve a sogra") (quem mandou casar?)

14. O tipo andava aos ziguezagues de um lado para o outro da estrada. Tive que me desviar uma porção de vezes antes de o atropelar. (mas o importante é que conseguiu! Há que ir sempre tentando e ter orgulho na pontaria!)

15.Já conduzia há 40 anos, quando adormeci ao volante e sofri o acidente. (é perfeitamente natural, então se o senhor conduz há tantos anos deve, com certeza, estar muito cansado!)

16.Um carro invisível veio de não sei onde, bateu no meu carro e desapareceu. (Mais um caso para Mulder e Scully.... ou então para os Alcoólicos Anónimos...)

17.O meu carro estava estacionado correctamente, quando foi bater de traseira no outro carro. (eu bem digo que os parados são os piores.... eles andem aí!!!)

18.De regresso a casa, entrei com o meu carro na casa errada e bati numa árvore que não é minha. (aqui não restam dúvidas....é caso para os Alcoólicos Anónimos!)

19.A camioneta bateu de traseira no meu pára-brisas, em cheio na cabeça da minha mulher. (e só não foi na cabeça da sogra graças à nova campanha da DGV se não...)

20.Disse à policia que não me tinha magoado, mas quando tirei o chapéu percebi que tinha fracturado o crânio. (estava agora a lembrar-me...pertenceria o tal tipo dos ziguezagues aos Alcoólicos Anónimos também???)

Publicado por vmar em 07:30 PM | Comentários (0) | TrackBack

Promessas...

Uma recriação espectacular que a canzoada faz das promessas eleitorais.
O problema é que as promessas passaram a fazer parte da rotina diária.
A não perder.

Publicado por vmar em 06:51 PM | Comentários (0) | TrackBack

Contratos de treta, justificações de treta

A assessora do ministro dos Assuntos Parlamentares, Clara Regina Machado da Costa, ganha mensalmente a quantia de 3703,84 Euros, quando um funcionário da administração pública com esta categoria recebe entre 1893 e 2792,97 Euros, adianta a edição desta sexta-feira do Correio da Manhã.
Por seu lado, fonte do gabinete do ministro desvaloriza a situação afirmando que o valor do salário se justifica porque um trabalhador que passe recibos verdes não tem direito a décimo terceiro mês, a subsídio de férias e Natal e ainda tem de pagar o IVA.

Estes senhores pensam que o povo é parvo e não sabe fazer contas?
Primeiro, o valor do contrato publicado no DR é o valor acima indicado, acrescido de IVA. Logo o valor que a senhora vai entregar nos cofres do Estado é exactamente o que recebeu, ou seja não ganha nem perde.
Segundo, o valor de dois ordenados – os dois subsídios, acreditando que a dita senhora não os recebe – é muito inferior a doze vezes o diferencial entre o valor do seu contrato e o valor mais alto da categoria em que está enquadrada.
Depois para além do campo financeiro e sua contratação não segue as regras e os limites impostos à função pública. Ou seja funciona à rebelia de toda a orgânica do estado.
Pode-se com toda a legitimidade questionar se a dita senhora conseguira aquele lugar, se outro partido e outro ministro governasse aquele ministério. A resposta seria certamente negativa.
Ora quando o Estado não dá o exemplo de organização e rigor na sua actividade, como quer que os contribuintes o façam?
É que por vezes os nossos governantes parecem esquecer-se de que o dinheiro que usam é de todos nós. E ninguém, ou quase ninguém, gosta de deitar dinheiro à rua.

Publicado por vmar em 06:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

A beleza no fundo mar - II

Publicado por vmar em 05:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

A liberdade envergonhada?

A Liberdade tapou o rosto.

-Porquê?

-Está envergonhada?

-Porquê?

-Já não existe liberdade?

-Porquê?

-Ainda existe liberdade... ela simplesmente corou?

-Porquê?

-Alguma piada brejeira?

-Porquê?

-Ou será que apenas já não consegue olhar o Bush?

-Porquê?

Tantas interrogações...tal e qual como uma criança.
Mas o mundo é um mar de interrogações!

Publicado por vmar em 02:08 PM | Comentários (4) | TrackBack

Desgovernação na educação

O Ministro da Educação, David Justino, a Secretária de Estado da Educação, Mariana Cascais e o Secretário de Estado da Administração Educativa, Abílio Morgado, estão de costas voltadas e governam (ou desgovernam) a educação sem um rumo coerente.
Diz-se que o ambiente no edifício da 5 de Outubro é de “cortar à faca”.
Recorde-se que, em Maio do ano passado, na Assembleia da República, Mariana Cascais afirmou que "a religião católica é a religião oficial do nosso país" e, em Outubro, voltou a indignar os deputados ao defender em plenário que os professores não tinham "ética" para dar aulas de formação sexual nas escolas. No entanto, o facto desta ser amiga pessoal do ministro da Defesa e líder do CDS, Paulo Portas, é apontada como razão para a sua sobrevivência política.
A Abílio Morgado foi chefe de gabinete de Fernando Nogueira, é-lhe reconhecida uma grande capacidade de trabalho e competência jurídica. No entanto, muitas vezes ministro e secretário de Estado contradizem-se e Abílio Morgado chega a ser apelidado de ministro-sombra.

Sem uma orientação firme, a educação do país navega ao sabor dos ventos e das marés.
Como aqui se tem realçado em várias ocasiões, sem uma política correcta no sector da educação, o país não conseguirá dar o “salto” necessário para um futuro promissor e continuará agarrado à cauda da Europa – leu bem, nesta altura já não é cauda da UE, mas cauda da Europa.
Será com uma governação neste moldes que o Primeiro Ministro pensa levar o país para a linha da frente da UE?

Publicado por vmar em 11:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

António Vitorino presidente?

Perfil e Reputação Colocam Vitorino na Corrida à Presidência da Comissão Europeia

O nome de Vitorino entrou na corrida, promovido activamente pelos altos funcionários da Comissão devido à reputação de grande competência e capacidade de negociação que o acompanha e que lhe vale sistematicamente uma das melhores classificações entre os vinte comissários europeus na imprensa internacional, como o "Economist" britânico ou o "Nouvel Observateur" francês.

Numa altura em que a auto estima nacional anda pelas ruas da amargura, esta nomeação era ouro sobre azul.

Publicado por vmar em 09:38 AM | Comentários (2) | TrackBack

Conjunto de lençóis de cama

Publicado por vmar em 12:20 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 22, 2004

Advogado espertalhão

Um agente de trânsito manda um advogado parar por excesso de velocidade.
Agente: Posso ver a sua carta de condução?
Advogado: Não tenho. Foi apreendida na última vez em que cometi uma infracção.
Agente: Posso então ver o registro de propriedade do veículo?
Advogado: O carro não é meu. Roubei-o.
Agente: O carro é roubado?
Advogado: Sim, é verdade. Mas agora que penso nisso, acho que vi o registro de propriedade no porta-luvas, quando coloquei lá a minha arma...
Agente: Tem uma arma no porta-luvas?
Advogado: Sim. Coloquei-a lá depois de matar a dona do carro e colocar o corpo dela no porta-bagagem.
Agente: Tem um corpo no porta-bagagem???
Advogado: Sim, senhor.
Ao ouvir isso, o agente chamou imediatamente o seu superior. O carro foi rapidamente cercado por um cordão policial e o capitão aproximou-se do veículo para controlar a situação.
Capitão: Senhor, posso ver a sua carta de condução?
Advogado: Claro, aqui está ela. (A carta é válida)
Capitão: A quem pertence este veículo?
Advogado: É meu, senhor guarda. Aqui tem o registo de propriedade. (O carro é, de facto, do condutor)
Capitão: Abra, por gentileza, o seu porta-luvas, lentamente, para eu verificar se lá se encontra uma arma dentro...
Advogado: Sim, senhor. (O porta-luvas está vazio)
Capitão: Quer abrir o porta-bagagem, por favor?
Advogado: Sim, senhor. (Não tem corpo nenhum)
Capitão: Não compreendo. O agente que o mandou parar disse que você afirmou não ter carta de condução, ter roubado o carro, ter uma arma no porta-luvas e um corpo no porta-malas!!!
Advogado: Aah!!!, claro!!! E aposto que o mentiroso também lhe disse que eu ia em excesso de velocidade, certo?

Publicado por vmar em 10:48 PM | Comentários (2) | TrackBack

Murais II

Publicado por vmar em 10:00 PM | Comentários (0) | TrackBack

Muitos doentes recusaram a operação

A maioria dos doentes que se encontravam em lista de espera para cirurgia, nos sectores privado e social, recusaram a operação, revelou o ministro da Saúde.

Os médicos não ficam surpeendidos com as declarações do ministro da Saúde. Luís Filipe Pereira anunciou, esta quinta-feira, que a maioria dos doentes em lista de espera para cirurgia não compareceu no hospital quando foi chamado.
«Ninguém em Portugal sabe concretamente quantos doentes é que estão em lista de espera. Isso não é possível saber-se porque não se pergunta aos doentes que estão em espera se continuam a querer a operação», explica António Bento, presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM). «Além disso, conta-se com doentes que já morreram, com os que já foram operados e com alguns que, por qualquer razão, desistiram de fazer a operação», afirma o sindicalista.
Cílio Correia, da Federação Nacional dos Médicos, sublinha que «nem sempre, quando o doente é chamado, tem disponibilidade quer pessoal quer familiar para fazer a intervenção. Até porque o doente tem um direito que lhe assiste que é o direito a uma segunda opinião».
Manuel Delgado, presidente da Associação dos Administradores dos Hospitais (AAH), calcula que «alguns doentes tenham sido operados e que não se tenha registado essa intervenção». Mas avisa que «também há pessoas que optam por não ser operadas porque a sua situação não a incómoda no dia-a-dia. Mais do que as listas de espera é importante que façamos em Portugal uma lista com os tempos de espera. Só assim se pode perceber que pessoas têm que ser operadas com urgência e quais as que podem esperar algum tempo, para que se faça um planeamento dentro da própria cirurgia».

Tudo indica que o ministro veio contar uma história sem saber ao certo com quantos personagens contava. Mais, não tinha uma noção real de quantos tinham morrido entretanto, quantos tinham desistido da brincadeira ou quantos pura e simplesmente já tinham terminado a história.
Mas mesmo assim publicitou-se o drama como se de um “best seller” se tratasse.

Publicado por vmar em 09:53 PM | Comentários (4) | TrackBack

Cinco estrelas

O novo Estádio da Luz, o Alvalade XXI e o Estádio do Dragão foram considerados pela UEFA como recintos desportivos de «cinco estrelas».

Tá bem! É bonito! Levanta o ego desportivo!

Mas não era muito melhor ter «cinco estrelas» no estado da nação?

Publicado por vmar em 07:52 PM | Comentários (3) | TrackBack

A terceira frase do dia

A Comissão Europeia apresentou hoje queixa contra Portugal no Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias pelo incumprimento da directiva comunitária que estabelece as regras para a incineração e co-incineração de resíduos.

Que mais irá acontecer hoje?

Publicado por vmar em 07:07 PM | Comentários (0) | TrackBack

Mouse original

Veja aqui um mouse original.
Dizem que dá para muita coisa, aliviar o stress, exercitar a mão, aumentar a produtividade,.....
......até para limpar o monitor....ou mesmo o olho.
Experimente e veja que utilidade lhe dá.

Publicado por vmar em 06:44 PM | Comentários (1) | TrackBack

A beleza no fundo mar - I

Publicado por vmar em 06:08 PM | Comentários (1) | TrackBack

22 de Janeiro de 1961

O paquete português Santa Maria foi assaltado pelo capitão Henrique Galvão (1895-1970).
Uma acção que teve forte repercussão internacional.

Publicado por vmar em 05:59 PM | Comentários (1) | TrackBack

A segunda frase do dia

Bruxelas diz que os progressos de Portugal na "agenda de Lisboa" são "medíocres"

Hoje é só frases “bonitas”!

Publicado por vmar em 01:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

A frase do dia

O Presidente da República, Jorge Sampaio, afirmou hoje que os trabalhadores portugueses conseguem níveis de produtividade invejáveis quando são bem liderados.

É preciso acrescentar mais alguma coisa?

Publicado por vmar em 12:15 PM | Comentários (3) | TrackBack

Propaganda barata

Este é o termo correcto para as afirmações de Durão Barroso ao prometer ao povo português energia eléctrica mais barata a partir de Julho.
João Talone, presidente da EDP, reconhece que só daqui a três anos será possível baixar a factura da electricidade para os consumidores domésticos. Quem terá um abaixamento da factura para já serão as empresas.
Mira Amaral, ex-ministro da Indústria de Cavaco Silva, reconhecia ontem que só daqui a três anos é que os preços da electricidade devem baixar para os consumidores domésticas
Certamente o Primeiro Ministro estava a par da situação, mas mais uma vez, veio lançar poeira para os olhos do povo.

Publicado por vmar em 12:01 PM | Comentários (1) | TrackBack

Joãozinho na escola

Na aula de noções de medicina, a professora pediu para os alunos trazerem instrumentos utilizados num hospital.
- Raquel, o que trouxeste?
- Um bisturi.
- Quem to deu?
- A minha mãe.
- E o que é que ela te disse?
- Disse que serve para cortar a pele!
- Muito bem! Carlos, o que trouxeste?
- Uma seringa!
- E quem ta deu?
- O meu pai!
- O que é que ele te disse?
- Disse que serve para dar injecções!
- Parabéns! Jorge, o que trouxeste?
- Um termómetro!
- Quem foi que te deu?
- O meu tio.
- E o que é que ele te disse?
- Disse que serve para medir a temperatura.
- Óptimo. E tu, Joãozinho, o que é essa bola debaixo do teu braço?
- É um balão de oxigénio!
- E quem to deu?
- Era da minha avó!
- E o que é que ela te disse?
- D-e-v-o-l-v-e, d-e-v-o-l-v-e-e-e-e-e, d-e-v-o-l......

Publicado por vmar em 10:10 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 21, 2004

Murais I

Publicado por vmar em 07:32 PM | Comentários (3) | TrackBack

Défices de formação e trabalho

A Comissão Europeia chamou hoje a atenção de Portugal para a necessidade de medidas urgentes na melhoria da qualidade do trabalho no país. Uma das causas, segundo a CE, é o abandono escolar precoce. Quase metade dos jovens entre os 18 e os 24 anos fica com deficiente formação académica. Segundo a CE é necessário que seja melhorada a qualidade do sistema educativo e que este responda às necessidades do mercado de trabalho.
A formação ao longo da vida merece também um destaque especial, neste relatório que em breve será entregue ao governo.
Por outro lado Bruxelas está fortemente preocupada com a forte aceleração do desemprego nos últimos dois anos.
Em resumo reconhece-se neste relatório o défice que Portugal tem em termos de formação escolar e profissional.
O desemprego no campo do trabalho é outra nota fortemente negativa.
A formação é uma questão que se arrasta há muitos anos, sem que se vislumbre resultados positivos no curto prazo. As políticas de ensino desenvolvidas não têm tido em conta as necessidades reais do país. A formação profissional limitou-se a consumir os fundos existentes. As medidas tomadas são pontuais e não parece existir um plano global que conjugue a formação académica, formação profissional e as necessidades do mercado de trabalho.
No entanto respostas a estas questões são urgentes.

Publicado por vmar em 07:24 PM | Comentários (4) | TrackBack

O pior já passou...

...dizia o PM Durão Barroso. A partir de agora vai ser melhor.

Toma lá 3.9% de aumento médio nos transportes.
Toma lá que é para aquecer – pois tem feito um frio dos diabos.
O aumento é só o dobro da inflação esperada – ou muito me engano ou esta esperança nunca alcança.
O ano de 2004 é o ano da viragem dizia-se por aí. Pois é... vira o disco e toca o mesmo.
Agora para a atiçar bem a fogueira só falta um bom aumento nos combustíveis....

Publicado por vmar em 11:55 AM | Comentários (2) | TrackBack

Era para haver....

...posts hoje à noite....
....mas não houve.
Razões?
Só uma.
José Carlos Ary dos Santos.

Publicado por vmar em 12:16 AM | Comentários (3) | TrackBack

janeiro 20, 2004

Não deu tempo....

...para aguentar. A máquina nunca mais se despachava....

Publicado por vmar em 07:19 PM | Comentários (5) | TrackBack

Um engano........

Um sujeito foi ao médico de família, com o testículo esquerdo inchado e dormente.
O médico disse que era uma inflamação testicular, que não era nada grave, contudo era melhor consultar um especialista.
E deu-lhe o telefone de um colega Urologista, mas enganou-se no número, e deu o do seu Advogado.
O tipo marcou hora e estava lá diante do advogado, achando que era o médico:
- Em que posso ajudar?
O nosso amigo abaixou as calças e mostrou:
- Como o senhor está vendo, doutor, estou com uma inflamação no testículo esquerdo...
O advogado ficou olhando a cena sem entender absolutamente nada. Pensou, pensou... pensou e disse:
- Meu amigo, a minha especialidade é o Direito...
E o sujeito:
- Foda-se... agora até há especialistas para cada colhão !!!

Publicado por vmar em 06:47 PM | Comentários (0) | TrackBack

20 de Janeiro de 1993

Bill Clinton vence as presidenciais e torna-se o 42º presidente dos Estados Unidos.
Em 1996 inicia um segundo mandato.
Este segundo mandato ficou marcado pelas alegadas acusações de assédio sexual a Paula Jones e pelo mediático caso extra-conjugal com uma estagiária da Casa Branca, Mónica Lewinski.

Publicado por vmar em 05:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

Saúde ao sabor dos interesses americanos

EUA vão boicotar luta mundial contra obesidade

A OMS recomenda que se substituam os doces, salgados e os refrigerantes por fruta, vegetais, nozes e cereais. O exercício físico diário e deixar de fumar são outros dois ingredientes para ter uma vida saudável.
O texto da estratégia diz que dietas pobres e a falta de exercício são as principais causas de doenças cardíacas, diabetes e certos tipos de cancro. Mais: que uma grande percentagem das mortes devidas a algumas destas doenças podem ser evitadas se mudarem os hábitos de alimentação. Mas não só, também a actividade física diária pode fazer a diferença. A OMS propõe que os países que assinarem esta estratégia, em Maio, tomem medidas para a promoção de boas práticas.
O Governo dos EUA prepara-se para boicotar a Estratégia Global sobre Dietas, Exercício Físico e Saúde, apresentada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e que vai hoje ser discutida em Genebra.
Apesar das intenções da agência das Nações Unidas para a saúde serem aplaudidas por médicos e nutricionistas, os "lobbies" da indústria alimentar norte-americana começaram a pressionar o governo do país, acusam as associações de consumidores e organizações não governamentais.
A OMS diz que a estratégia "não é uma campanha anti-obesidade", mas que esta é apenas um dos factores de risco - os outros são o colesterol e a pressão alta. À crítica de falta de rigor cientifico, a OMS responde que o relatório se baseia nos melhores dados científicos disponíveis.

Como é prática corrente os EUA não procuram o bem estar mundial, mas sim o seu bem estar e a continuação da prosperidade do seus interesses económicos.

Publicado por vmar em 02:08 PM | Comentários (5) | TrackBack

janeiro 19, 2004

A boa acção da semana

Ter um blog é fixe.
Estar na weblog é fixe.
Trocar ideias neste meio é fixe.
Conhecer melhor o que nos rodeia é fixe.
Arranjar amigos nesta comunidade é fixe.
Ajudar quem nos ajuda é fixe.

Não deixe para a semana o que pode fazer hoje.
Comece a sua semana com uma boa acção.
Faça o seu contributo aqui.

Toda a weblog, agradece.

Publicado por vmar em 09:48 AM | Comentários (5) | TrackBack

janeiro 18, 2004

O Anel - Quanto vales tu?

E agora, que se fala por aí tanto em auto-estima, aqui vai mais uma parábola, de autor desconhecido, acabadinha de chegar dos Brasis, enviada por email amigo e traduzida para luso-português por myself. A dita tradução, que foi radical, deu-me muito trabalho, sorveu-me muitas energias e um tempo precioso que poderia ter sido ocupado a ...comer tremoços. Portanto, não se aceitam reclamações por eventuais erros, vírgulas mal-postas, falhas de estilo e outros etcs. Quem gostar gosta. Quem não gostar... olhem, coma tremoços, se quiser.


Um jovem, sem levantar os olhos do chão e a tremer ligeiramente a voz, dirigiu-se ao velho e sábio Mestre:

«Venho aqui, professor, porque me sinto tão desajeitado e parvo que já nem sei o que fazer. Toda a gente me diz que não sirvo para nada, que não faço nada bem, que sou lerdo, um nabo, um idiota chapado... Como posso mudar? O que posso eu fazer para que me valorizem mais?»

O professor, sem sequer o olhar, disse: «Sinto muito, jovem, mas não te posso ajudar, estou demasiadamente ocupado com um problema meu muito importante. Desenrasca-te, que tenho mais que fazer.»

Já o moço, cabisbaixo, ia a sair a porta da rua quando o velho e sábio mestre o chamou:

«Olha, anda cá... Fazemos um contrato. Se tu me ajudares a resolver este meu importante problema com mais rapidez, talvez eu te possa ajudar depois.»

«C...claro, professor», gaguejou o jovem, a sentir-se mais desvalorizado e rebaixado que nunca e sem saber bem o que dizer.

O professor tirou um anel que usava no dedo anelar, deu-o ao rapaz e disse:

«Vai até aos centros comerciais, aos cafés, pelas ruas, por onde quiseres... Mas tens de vender esse anel, pois eu tenho uma dívida por saldar e preciso de dinheiro urgente. Esforça-te por obter pelo anel o máximo, mas não aceites menos de cinquenta Euros. Vai e volta com o dinheiro o mais rápido possível.»

O jovem pegou no anel e partiu. Apesar de todos os esforços e rebuscados adjectivos que utilizava para valorizar a beleza do anel, a qualidade do material, a oportunidade única de tal aquisição, os potenciais compradores olhavam a “mercadoria” com algum interesse mas, mal o jovem mencionava o preço, desatavam a rir e viravam costas.

Só um velho reformado que andava por ali a ver as montras, talvez porque não tinha nada mais para fazer e gostava de conversar, se deu ao trabalho de explicar que o anel, por ser usado e de metal dourado, mera imitação de ouro, estava longe de valer tanto dinheiro. «Por dez Euros ainda sou capaz de ficar com o anel...», acrescentava o reformado. Mas o rapaz recusou. Cinquenta Euros era o mínimo, tinha-lhe dito o professor.

Já anoitecia quando o desgraçado moço, abatido pelo fracasso, voltou à casa do Mestre para lhe devolver o anel. Pelo caminho, enquanto contava os miseráveis trocos que tinha nos bolsos, o moço (para além de atado era pelintra) ia pensando: Se eu tivesse os cinquenta Euros, eu próprio ficava com o raio do anel... Livrava-me de mais esta vergonha de não ter conseguido desembaraçar-me da tarefa e recebia os sábios conselhos do professor...

Já em casa do Mestre, disse: «Professor, sinto muito, mas desisto. O máximo que me ofereceram pelo anel foi dez Euros. Garantiram-me que era uma reles imitação de ouro e eu acho que não devo tentar enganar ninguém sobre o valor real do anel.»

«Disseste uma coisa muito importante, jovem», contestou sorridente o Mestre. «Devemos saber primeiro o valor real do anel. Vai até ao joalheiro. Quem melhor para saber o valor exacto do anel? Diz-lhe que queres vendê-lo e pergunta quanto ele te dá. Mas não importa o quanto ele te ofereça, não o vendas. Volta aqui com o meu anel.»

O jovem foi até ao joalheiro. Este examinou o anel com uma lupa, pesou-o e disse: «Diga ao seu professor, se ele quiser vender agora, que ofereço 250 Euros por este anel de ouro.»

Surpreso e emocionado, o moço voltou para casa do professor com a boa notícia.

Então o professor, depois de ouvir tudo que o jovem lhe contou, disse:

«Tu és como esse anel, uma jóia valiosa e única. E que só pode ser avaliada por um especialista no assunto. Pensavas que qualquer um podia descobrir o seu verdadeiro valor?»

E dizendo isso voltou a colocar o anel no dedo e acrescentou:

«Todos somos como esta jóia. Valiosos e únicos e andamos pelos mercados da vida pretendendo que pessoas inexperientes nos valorizem.»

Publicado por vmar em 08:43 PM | Comentários (4) | TrackBack

Power line para breve?

EDP vai iniciar experiência comercial de power line em 2004

A EDP admitiu que pretende levar a cabo uma experiência comercial com power line (serviço de Internet de banda larga e voz sobre IP) durante este ano.
A experiência terá como potenciais clientes 2,8 milhões de utilizadores, distribuídos por 300 mil prédios e cobertos por 14.700 postos transformação. Este mercado potencial corresponde à rede de baixa tensão da EDP, excluindo zonas rurais com menos de 5 mil habitantes.
Para que EDP e ONI possam colocar no mercado uma oferta comercial deste tipo é necessário que algumas questões regulatórias sejam clarificadas, quer do lado da electricidade, quer principalmente na área das telecomunicações, onde existem lacunas relativamente a este tipo de situação.
O power line (PLC) está a ser testado pela generalidade dos operadores de electricidade europeus existindo já um número considerável destas entidades com ofertas comerciais disponíveis no mercado. A tecnologia, que utiliza a rede eléctrica para fornecer serviços de Internet e voz através de ondas electromagnéticas, existe há cerca de 20 anos, mas os elevados custos e questões de compatibilidade acabaram por não permitir o seu desenvolvimento.

Quando mais oferta melhor.
Esperemos que a experiência seja um sucesso.
É mais uma alternativa para o consumidor, em termos de serviço e de custo.

Publicado por vmar em 06:17 PM | Comentários (11) | TrackBack

Azul com traços pretos

Publicado por vmar em 05:49 PM | Comentários (4) | TrackBack

18 de janeiro de 1984

Morte do poeta e declamador José Carlos Ary dos Santos (1937-1984).
É autor de várias obras, entre elas “As Portas Que Abril Abriu”.
Mas foi como autor das letras de inúmeras canções de grande popularidade que se tornou conhecido do grande público.

Publicado por vmar em 12:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 17, 2004

Como se gasta os dinheiros públicos

Parques de Manobras para Exames de Condução ao Abandono

Um dos grandes problemas sempre foi a maneira fácil como o Estado gasta o dinheiro disponível, sempre pouco para as necessidades. Acresce que, para fazer obra é sempre gasto muito mais dinheiro do que se o dono da empreitada fosse um particular (talvez para compensar o pagamento feito “tarde e a más horas”). A gestão das iniciativas em curso também não parece ser uma arma eficaz na máquina estatal, talvez porque muitos interesses giram naquela órbita.
Numa altura de vacas magras, em que o governo apregoa, aos quatro ventos, a necessidade de racionalizar despesas e usar criteriosamente investimentos produtivos, é com pesar que recebo a notícia de que um investimento de quinze milhões de Euros, realizado nos últimos anos, esteja por utilizar. Ou seja, deitámos à rua quinze milhões de Euros. Não há outra explicação, pois a obra está sem utilização. Não se compreende que, na programação geral da obra, não seja prevista a duração da sua execução e o necessário financiamento. O governo, desta vez, nem da habitual lamentação sobre “a pesada herança” se pode queixar, pois a iniciativa começou com um ministro de Cavaco Silva.
Mas, como sempre, a gestão dos dinheiros públicos continua impune.
O povo, serenamente, paga isto e muito mais.
Umas promessas eleitorais mais ou menos vigorosas limparão manchas que, como esta, continuam a borrar a casa de todos nós.

Publicado por vmar em 11:55 PM | Comentários (2) | TrackBack

Bebé crítico

Ele ainda mal sabe falar, não percebe o que passa no país mas já sabe que está lixado.
Este é o recado para o governo.

Publicado por vmar em 10:39 PM | Comentários (2) | TrackBack

Balanço rápido de mil posts

Um olhar rápido pelo registo de actividade deste blog evidencia que as visitas, ao longo destes três meses e meio, superaram todas as expectativas – 13358 visitas e 842 comentários.
Na impossibilidade de conhecer pessoalmente a esmagadora maioria daqueles que me visitam com frequência, só posso ter uma noção dos “efeitos” deste blog, por certo vaga e imprecisa, socorrendo-me dos números das estatísticas.
É, a partir dos comentários, que posso dizer algo de mais concreto. Assim, sei que tenho uns quantos amigos que me lêem com mais frequência e que opinam sobre o que aqui se escreve.
Para todos os que por aqui passam, o meu muito obrigado pela visita.
Os meus agradecimentos também aos comentários aqui inseridos.

Um agradecimento especial ao “top five” dos comentários:

- 1º Congeminações
- 2º Zecatelhado
- 3º Bichinho-de-Conta
- 4º Ricardo Gomes
- 5º Manuela

Publicado por vmar em 05:27 PM | Comentários (12) | TrackBack

Há muitas horas.....

...que aqui não se postava nada!

O Zeca que não esteja preocupado que os licores não eram fortes; não foi preciso nem GPS nem etiqueta. Só foi preciso um pouco de água com gás para ajudar a digerir a jantarada. Também tenho a dizer ao Raul que não fechámos para fim de semana, tivemos simplesmente que pôr o sono em dia, que a noite foi longa...

Durante estas vinte e uma horas de inactividade bloguista, estive completamente alheio à informação, tanto da que recebo nesta comunidade como às dos média. Será que ainda temos o mesmo governo?!...é que eu sonhei que....

Mas, estou de volta, ainda que com falta de disponibilidade, devido a compromissos diversos ( e o tempo, por mais que eu o estique, não é elástico) e a diversas e prosaicas actividades que tem sido adiadas “sine die”.

Continuação de um bom fim de semana para todos vocês!

Publicado por vmar em 04:41 PM | Comentários (3) | TrackBack

janeiro 16, 2004

Ou muito me engano....


...ou hoje não há mais posts.
O que vai haver é jantar da malta da secção - “jantar de reis” dizem eles, “jantar de tesos com molho de leite e espinhas de cherne” diria eu.
O que haverá mais para além do jantar, não sei, mas sexta feira à noite dá para.....a ver vamos.
Quem por aqui quiser continuar, tem por baixo, muitas verdades, algumas mentiras e mais uns bonecos para ler e admirar.
Se já está farto desta sintonia, faça “zapping” para outra frequência; na coluna do lado esquerda tem muitas sugestões. Se nenhuma destas lhe agrada, veja na weblog, alguma coisa conveniente encontrará.
Mas volte sempre, pois é sempre bem vindo.
E depois disso só lhe posso dizer “Obrigado”, por aqui ter passado!

Publicado por vmar em 06:48 PM | Comentários (6) | TrackBack

Milésimo Post com alegria e uma recordação feliz

É com alegria que aqui deixo o 1000º post desta “brincadeira” - iniciada há pouco mais de três meses e meio -, a qual me tem dado prazer e, desde já confesso, alguns momentos bem divertidos.

E para que esta comemoração seja ainda mais alegre, pelo menos para mim, vou aqui partilhar com todos vocês algo que me deu uma enorme felicidade:

Foi saber que o Luís, meu filho – tinha ele então quinze anos – foi o primeiro classificado, entre quase um milhar de concorrentes, do Concurso Epistolar 1999 (escalão dos 13 aos 15 anos), que decorreu a nível nacional, promovido pelos CTT e Instituto das Comunicações de Portugal. Por esse facto, foi também representante de Portugal no Concurso Internacional organizado pela União Postal Universal, cujo congresso decorreu em Pequim.

Subordinado ao tema: “Escrevo a um amigo para lhe dizer o que representa para mim o correio no meu dia a dia”, o Luís criou a carta, que lhe valeu o prémio, partindo de uma situação verídica mas com outros personagens.


Olá amiga Inês
Oí, pessoal da turma B do 10º ano

Morzinhos, o meu desejo era escrever uma carta individual, dirigida em particular a cada um de vocês, meus amigos, colegas e professores que me têm escrito, repetidamente, nestes meses de doença e hospital. E se não vos respondo em carta personalizada, com nome e envelope próprio, deve-se apenas ao facto de ser um pouco custoso para mim escrever, pois passo os dias ao comprido, na cama, sem me poder levantar. Tinha de mandar a carta em nome de alguém, por isso faço-o em nome da Inês, delegada da nossa turma, para que ela expresse a todos o meu agradecimento pelas horas de alegria, de boa disposição e riso que as vossas cartas me proporcionam, com todas as novidades e maluqueiras que vocês me contam. Obrigado, morzinhos, escrevam-me, escrevam-me sempre.

Eu não quero parecer piegas. Mas não resisto a contar que a rotina dos meus dias continua insuportavelmente igual, nesta cama de hospital em Londres, onde me encontro. Tratamento de manhã, tratamento à tarde, comprimidos, injecções, médicos e enfermeiras, exames e diagnósticos. E alguma solidão, claro. Raramente tenho visitas - o que é natural, não é? -, neste país onde não conheço ninguém nem ninguém me conhece. Os meus pais devem voltar cá dentro de um mês, o que já não é mau, pois vir de Lisboa a Londres não é propriamente dar um passeio até ali à Malveira. Conto os dias para os voltar a ver, sonho com o meu regresso definitivo a casa. Até lá, consolo-me a pensar que, dentro do azar, fui uma privilegiada em poder vir para este hospital e esta equipa médica e beneficiar de um tratamento tão avançado e moderno que me está a salvar a vida e devolver a saúde.

De vez em quando, entretenho-me a ler um ou outro livro, a ver um pouco de televisão. Mas o momento verdadeiramente especial e único no meu dia-a-dia de hospital, diferente dos demais, o que mais me alegra e torna feliz, é a chegada do correio. Com uma pontualidade muito british, é-me entregue por volta das três da tarde por uma senhora alta e magra, que me cumprimenta cordialmente. Quase todos os dias recebo cartas e, por vezes, uma ou outra encomenda. Então, esqueço que sou doente oncológica, que tenho dores e estou careca por causa dos tratamentos. E até a enfermaria asséptica, solitária e despersonalizada onde me encontro, se transforma, pelo condão mágico das palavras das vossas cartas, na sala de aula da nossa escola de que tenho tantas saudades, no café onde nos encontramos depois das aulas, no Mac Donnald`s de fim de semana, nas idas ao cinema no Centro Comercial. Leio e divirto-me com as piadas e maluquices do Filipe, rio com as anedotas do Gonçalo João, com os trocadilhos e invenções da Patrícia e da Joana. Através das vossas cartas, também participei na passagem de ano na Costa da Caparica, na garagem com lareira da casa do Pedro, bebi espumante à meia-noite, convivi e dancei até de madrugada. Caminhei com vocês no carreiro da mata até à Fonte da Telha, ouvi o rugido do mar que estava bravio, contemplei a crista de espuma das ondas altas e até voltei a correr para casa do Pedro quando desatou a cair uma grande carga de chuva que deixou o pessoal com os sapatos atascados e mais ensopados que patinhos num charco.

Ah, obrigado por me terem mandado pelo correio um poster da Sinead O’Connor, tão carequinha como eu, agora que a minha cabeleira castanha e rebelde se zangou comigo e foi de férias. E por me terem lembrado aquela miúda que ganhou o "Chuva de Estrelas" há uns dois ou três anos, com uma canção da dita cantora, e rapou o cabelo de livre e espontânea vontade, e toda a malta lá na escola lhe gabou a coragem e achou o máximo o que ela fez. As coisas são sempre tão relativas na vida, não é?!... Pois, mas o certo é que consegui ultrapassar a fase em que odiava olhar no espelho a minha nuca pelada. Agora, não. Quando tal acontece, penso que é temporário e cumprimento: Olá Sinead O’Connor.

Podem crer, meus amigos, os tratamentos médicos curam-me o corpo - pelo menos tenho fé nisso, pois os resultados das análises são cada vez melhores, sinto-me bastante optimista, menos magra e com mais força. Mas as palavras de conforto, amizade e ânimo que me chegam através do correio, curam-me a alma. Cada carta que recebo traz-me um bocadinho do meu mundo aí tão longe, tem o poder milagroso de diminuir distâncias e preencher de alegria o silêncio solitário do quarto de hospital. Cada carta é um bálsamo tão poderoso como o mais eficaz tratamento. Garanto-vos: Sem o correio que recebo dos meus familiares e amigos, não sei se teria sobrevivido.

Abraços, morzinhos. Milhões de abraços.

Ana Isabel

Publicado por vmar em 12:56 PM | Comentários (6) | TrackBack

O ensino e o desemprego

Portugal está a desperdiçar mais-valias

“As nossas empresas não dão valor às mais-valias que vêm do Ensino Superior e que permitiriam inovar. Isto quando os nossos empresários têm, em média, uma formação inferior à da população activa”, critica o professor João Cunha e Serra, responsável da Fenprof para o Ensino Superior. E esclarece: “No que se refere aos licenciados, temos menos de metade da média da União Europeia. Como é que se pode, então, recuperar o atraso?”, questiona.
João Cunha e Serra diz que houve uma distorção na oferta em 1989 com o “escancarar de portas ao ensino privado em vez de se alargar a oferta pública”. O que levou, considera, à oferta de cursos que requeriam poucos investimentos – “os chamados cursos de papel e lápis, como Direito e Gestão” – em detrimento dos cursos técnicos.
Uma das razões para o aumento do desemprego entre os licenciados tem a ver, segundo Cunha e Serra, com a “redução substancial do número de professores contratados pelo Ministério da Educação”.
João Cunha e Serra defende um maior investimento no Secundário ao nível dos cursos tecnológicos, pois, no seu entender, não se pode continuar a encarar este nível de ensino como apenas vocacionado para o prosseguimento dos estudos no Superior.
“É inconcebível que Portugal seja o país da União Europeia com o menor número de licenciados e onde, ao mesmo tempo, se regista o maior número de licenciados desempregados. Isso só revela que falta uma estratégia para o Ensino Superior, diz Victor Hugo Salgado, presidente da Associação Académica de Coimbra.
No entender deste dirigente não se pode falar em excesso de oferta (cursos a mais) – embora reconheça que falta credibilidade a algumas licenciaturas – nem de má vontade dos empregadores.
“As instituições do Ensino Superior deviam desenvolver mais as unidades de inserção na vida activa. Nós, na Associação Académica de Coimbra, já colocámos centenas de licenciados; temos uma pessoa que trabalha a tempo inteiro nesta área, recebendo currículos e procurando empregos”, informa, defendendo ainda uma maior informação aos alunos do Secundário acerca das características dos cursos no Superior.
“O número do IEFP peca por defeito, pois existem mais de 55 mil licenciados desempregados. É que há cerca de 15 mil em estágio, que recebem apenas uma bolsa, e que não contam para as estatísticas, mas não têm emprego. Mais de 90% dos estagiários são licenciados. Um dos problemas é que as empresas não valorizam as habilitações literárias e há receio de empregar licenciados, pois muitos só ficam temporariamente, até conseguirem outro emprego. João Proença (UGT)

O exercito de desempregados já atinge os 452.000 dos quais cerca de 40.000 são licenciados.
De quem é a culpa? Dos licenciados que não deviam ter-se licenciado? Do sistema que não os devia ter formado? Ou da sociedade que não os consegue absorver?
Uma coisa é certa, é frustrante que após um esforço intelectual e financeiro (para alguns muitíssimo elevado) não se consiga mostrar profissionalmente os conhecimentos adquiridos.

Publicado por vmar em 12:45 PM | Comentários (1) | TrackBack

Raios e trovões

.....se abatem sobre Portugal.
Quando fará bom tempo?

Publicado por vmar em 01:42 AM | Comentários (1) | TrackBack

Perspectivas para o futuro

Frases soltas das últimas declarações do Governador do Banco de Portugal.

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, alertou hoje que há "alguma ambiguidade" nos sinais que chegam do exterior relativos à sustentação da recuperação económica.

A importância do seu alerta reside no facto de a procura externa ser "essencial à recuperação da economia portuguesa", perante a contenção do consumo público e o peso da necessidade de consolidação orçamental.

Da situação orçamental portuguesa, Constâncio alertou para a dificuldade de resolver o desequilíbrio, uma vez que, diz, "será difícil manter a contenção das despesas, por exemplo através do congelamento de vencimentos, como no último ano e este". Ou seja, também é preciso acção do lado da receita.

Por outro lado, o governador do Banco de Portugal afirmou que Portugal só responde à concorrência dos novos membros da União Europeia (UE) se melhorar a sua estrutura produtiva.

Vítor Constâncio acrescentou que a melhoria da estrutura produtiva, por sua vez, decorre dos vários subsistemas sociais, em particular a educação (como já aqui tínhamos referido).

Constâncio acentuou que "Portugal vive um novo paradigma económico". As novas condições, pormenorizou, significam que "acabou a arbitragem entre inflação e desemprego".

Uma vez que o nível dos preços em união monetária segue uma tendência para a convergência — "é inevitável", frisa —, os portugueses têm de se habituar a viver com uma inflação tendencialmente baixa.

Em conclusão, para além das mudanças que o país terá de efectuar, ficamos ainda muito dependentes da situação dos nossos parceiros comerciais. E por enquanto a retoma não é evidente, quanto mais não seja pelo indicador número um: os Estados Unidos.

Publicado por vmar em 01:22 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 15, 2004

Ainda há machões....

Olha aqui um....

Publicado por vmar em 11:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

Psicologia infantil

O pai, preocupado com a educação sexual do seu filho de 12 anos, pergunta-lhe se ele sabe como são feitos os bebés e ele desata a chorar e responde:
- "Não quero saber! Promete que não me contas!"
E o pai, espantado, pergunta porque razão o filho não quer saber e, ele ainda a chorar, responde:
- "Quando eu tinha 6 anos, disseram-me que não havia cegonhas de bebés, aos 7 disseram-me que coelho da Páscoa era pura fantasia, aos 8 descobri que não havia Fada Madrinha e aos 9 disseram-me que o Pai Natal não existe! Se eu descobrir que os adultos não dão quecas... então não tenho mais razões para viver!"

Publicado por vmar em 08:51 PM | Comentários (1) | TrackBack

Incoerências... ou jogos de interesses?

A Comissão Europeia propôs hoje em Bruxelas a redução para metade, nos próximos cinco anos, da captura da pescada e do lagostim em águas ibéricas.
Por outro lado a EU pretende que Portugal abra as suas águas à frota pesqueira espanhola.
Contudo os cientistas afirmam que houve uma redução de 60 por cento dos "stocks" de pescada no mar da Península Ibérica (zona IX de pesca), explorada por Portugal, Espanha e França, e no lagostim defendem mesmo que a pesca deve ser reduzida a zero.
Se os “stocks” estão a diminuir como se compreende que se abra as nossas águas a um maior esforço de pesca; é que a frota espanhola é só a segunda maior força de pesca mundial.
Incoerências ou jogos de interesses?

Publicado por vmar em 07:03 PM | Comentários (4) | TrackBack

O futuro está na educação

Já por aqui se tem afirmado muitas vezes, a propósito de diversas situações, que, sem uma boa educação, o país e os seus cidadãos não conseguirão impor-se na esfera internacional.
Este conceito de educação é em sentido lato, isto é, deverá abranger todas as componentes da formação do indivíduo enquanto ser humano.

Esta educação deverá começar no dia do nascimento e acabar no dia da morte.

Assim, as creches, os infantários, as escolas básicas, as escolas secundárias, as escolas profissionais e as universidades têm, para além da formação dos indivíduos na componente académica, o dever de ajudar na formação destes enquanto pessoas. Um bom desenvolvimento psicológico, uma boa postura perante a vida e uma integração correcta na sociedade a todos trará benefícios.
Para que esta formação seja assimilada, deverá ser traçada uma política educacional que abranja todas estas etapas e que prepare todos os intervenientes – as instituições, os recursos humanos e os materiais didácticos – para esta Educação, dotando-a dos meios adequados. A definição dos objectivos, dos recursos disponíveis e dos meios financeiros a serem atribuídos, de uma forma clara e transparente, é essencial para que todos percebam quais as regras do “jogo”, que “jogos” há para jogar e até onde se pretende “jogar”.
Convém salientar que os resultados de uma política correcta de educação só começam a ser visíveis uns bons anos após o começo da sua implementação.

Tudo isto a propósito da presidência aberta da Educação, que Jorge Sampaio vai realizar.
O importante nesta iniciativa é a chamada de atenção para a questão da educação e da sua importância para o desenvolvimento do país.
Se estamos atrasados em relação à Europa isso significa que temos um défice de Educação.

Publicado por vmar em 06:17 PM | Comentários (4) | TrackBack

Efeitos Smirnoff (3)

Publicado por vmar em 06:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

A fraude no topo das preocupações

Corrupção preocupa 54% dos portugueses
A corrupção é o tipo de fraude que mais preocupa os portugueses, revela uma sondagem da Comissão Europeia divulgada na quarta-feira. Segundo o estudo, 54% dos cidadãos nacionais estão preocupados com aquele crime.

Pudera, hoje em dia é difícil encontrar sector onde não haja indícios de corrupção.
Já se tornou prática corrente as notícias de corrupção, um pouco por todo o lado.
É correctíssima a posição que esta prática ocupa nas preocupações dos portugueses.

Publicado por vmar em 05:21 PM | Comentários (0) | TrackBack

Um governo, duas políticas

Como quer o governo impor seriedade e justiça, apelar ao povo para apertar o cinto em nome de benefícios futuros, quando continua a gastar sem critério e oferecendo a uma minoria o que retira a uma maioria?
Como sempre, a crise só afecta as bases; o topo continua “na maior”.
É isto o orçamento de rigor com despesas controladas?
É para pagar a estes senhores que andam a cortar na saúde da população?
É isto justiça social?

Publicado por vmar em 04:03 PM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 14, 2004

O protótipo do computador

O computador começou por ser assim....

Publicado por vmar em 11:10 PM | Comentários (1) | TrackBack

Directamente do produtor para o consumidor

Publicado por vmar em 09:28 PM | Comentários (0) | TrackBack

O maior palavrão em português....

Por palavrão entende-se a palavra com maior número de caracteres, não é ordinarices....
Aqui nesta casa, não se pronunciam ordinarices!
Para quem for curioso e quiser saber qual é o maior palavrão em Português.
Parece fácil, mas não é.....

Publicado por vmar em 08:54 PM | Comentários (3) | TrackBack

Vaca é vaca, ovelha é ovelha...

Bruxelas assegura que ovelhas portuguesas não têm BSE

A Comissão Europeia (CE) assegura ter sido apenas detectada em dois ovinos portugueses, um «tipo de scrapie invulgar», que não é a BSE, conhecida por doença das vacas loucas, e que «não é perigosa para os seres humanos».
Em Bruxelas, Beate Gminder, porta-voz do comissário europeu da Saúde e Defesa dos Consumidores afiançou esta quarta-feira, que as duas ovelhas portuguesas tinham apenas uma encefalopatia que afecta os ovinos e caprinos, mas não é transmissível ao homem.

Então queriam que as ovelhas tivessem a mesma doença das vacas?
Estão mesmo a ver a ovelha com sintomas de vaca, e o pessoal a comentar «Olha ali vai uma ovelha vaca louca...»
Tá visto que cada animal tem as suas raças de doença, nada de misturas...
É verdade que andam para aí umas vacas, que não são da raça bovina, mas isso é outra história...
Se me têm perguntado, eu tinha logo esclarecido.
Escusavam de gastar dinheiro – ainda há pouco o PR advertia para a necessidade de racionalizar as despesas - e ir chatear os gajos de Bruxelas.

Publicado por vmar em 08:36 PM | Comentários (0) | TrackBack

Discriminação sexual

Publicado por vmar em 08:07 PM | Comentários (2) | TrackBack

PR faz aviso ao governo

"Não é aceitável pactuar com o agravamento da carga fiscal sobre os contribuintes cumpridores; não é aceitável continuar a permitir uma distorção ostensiva das regras da concorrência leal. É preciso pôr fim a um quadro de incumprimento fiscal tão flagrantemente injusto e arbitrário que acaba por corroer predisposições cívicas e laços elementares de co-responsabilização e confiança recíproca (...)" diz o chefe de Estado, num claro aviso ao Governo para que não sobrecarregue quem já paga impostos e, ao invés, invista na máquina fiscal e na fiscalização dos contribuintes faltosos.

Um resumo da mensagem enviada à Assembleia da República pode ser lida aqui.

A situação é muito grave para o PR vir a público com esta mensagem.
E agora, será que o Primeiro Ministro não acusa a crítica?
Será que vai continuar a dizer que as relações com o PR são excelentes?
O destino do recado será o arquivo morto?
O que será preciso acontecer para este governo acordar?

Publicado por vmar em 08:04 PM | Comentários (3) | TrackBack

A Branca, o Monstro e o Ali

Encontram-se a Branca de Neve, O Monstro (de "A Bela e o Monstro") e Ali Babá...

- Eu sou a mais linda do mundo - diz a Branca de Neve.
- Eu sou o mais feio do mundo - diz o Monstro.
- Eu sou o maior ladrão do mundo - diz o Ali Babá.

Eles entram um a um na caverna para falar com o sábio da floresta, actual possuidor do espelho mágico.

Entra a Branca de Neve e sai muito feliz...
- Eu sou de facto a mais linda do mundo!
Entra o Monstro, sai e...
- Eu sou mesmo o mais feio do mundo, viva!
Entra o Ali Babá, e sai todo danado :
- Foood .... ! Quem é essa tal de Ferreira Leite?!?

Publicado por vmar em 04:39 PM | Comentários (2) | TrackBack

Arruma uma mulher pró ceguinho

Acabadiça de chegar por mal com origem em terras do Brasil.

O ceguinho estava há tempos sem dar uma... E vivia pedindo:
- "Arruma uma mulher pró ceguinho, arruma!"
Um amigo, já de saco cheio, resolve dar uma força pró ceguinho, e diz que vai arrumar uma mulher pra ele.
O ceguinho vai pra casa e fica esperando... Logo batem na porta.
- “ Quem é?”
- “ É a Sueli. Vim a mando de um amigo pra resolver o seu problema”.
O ceguinho todo entusiasmado abre a porta, a mulher entra e senta-se na cama.
Ele diz:
- “Como você está vestida, heim... Heim...Heim...?”
- “ Botinha de couro, saia justa, blusinha de seda e nada por baixo!”
- “ Ahhhh...” Suspira o ceguinho. “É hoje!”
- “ Tira a botinha, tira!”
- “ Como é que você está agora?”
- “ Descalça, deitada na cama!”
- “ Ai meu Deus, é hoje!”
- “ Tira a blusinha, tira!”
- “ Como é que você está agora?”
- “ De seios nus, só de sainha!”
- “ Tira a saia. Tira a saia, pelo amor de Deus!”
- “ E agora? Como está?”
- “ Estou nua, deitada na cama só esperando meu garanhão dizer como quer!”
- “ Sueli,... Você já fez 69 ?”
- “ Ainda não! Faço daqui a dois meses...”

Publicado por vmar em 04:00 PM | Comentários (1) | TrackBack

Oeiras continua na berlinda

Depois da histórias do Isaltino, do Justino e de outras que não vale a pena relembrar, Oeiras volta à praça pública pelo Público.
Como já fora aqui referido anteriormente, será virose o que atacou as laranjas de Oeiras?
O José Luís Arnaut preparava-se para esclarecer o assunto há cinco meses, mas o vírus foi tão forte que ficou com amnésia.
Esperemos que este vírus não tenha nada a ver com o vírus H5N1 (da gripe das aves).

Publicado por vmar em 01:03 PM | Comentários (3) | TrackBack

Perspicácia visual – XI

Publicado por vmar em 12:20 PM | Comentários (1) | TrackBack

Cadeia de produção circense

Publicado por vmar em 12:50 AM | Comentários (4) | TrackBack

Bush imparável

Depois do concurso de curtas-metragens «Bush em 30 segundos»
Mais um sucesso do Bush aqui.

Só mesmo Marte poderá parar este homem.

Mais royalties para o Bichinho-de-Conta

Publicado por vmar em 12:32 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 13, 2004

Compras à distancia

Publicidade na Net e os efeitos práticos.

Publicado por vmar em 11:49 PM | Comentários (1) | TrackBack

O mistério do dinheiro desaparecido

Diz-se por aqui, que desapareceram mais de 4.200 milhões das contas do governo de Angola, entre 1997 e 2002, proveniente da venda do petróleo. Esta é pelo menos a versão de uma organização abelhuda (Human Rights Watch), que mete o nariz onde não deve, veio a público revelar.
Na verdade o dinheiro não desapareceu, simplesmente há falta de comprovativos das movimentações efectuadas; pelo facto os contabilistas riscaram pura e simplesmente a verba do livro de fiados.
Um relatório ultra secreto da CIA, a que nem o próprio Paulo Portas tem acesso, revela que uma parte do dinheiro foi para pagar a dívida que o governo de Angola, tinha junto do governo Português. Por esta liquidação não foi passado qualquer recibo, para evitar o pagamento de IVA, e assim suavizar a conta calada que constava no livro de fiados cá da malta. Seguiram caminho semelhante muitos outros credores e, sendo assim, o governo angolano não tem agora justificativos para o dinheiro “desaparecido”.
Portanto o dinheiro não está desaparecido, está simplesmente injustificado.

P.S. parece que em virtude da liquidação total da dívida, alguns credores, fizeram um donativo simbólico de alguns milhares (não se sabe de quê), como prenda de casamento à filha do presidente.

Publicado por vmar em 09:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

Bush ridicularizado em 30 segundos

O concurso de curtas-metragens «Bush em 30 segundos», organizado pelo MoveOn Voter Fund já tem um vencedor. «Child´s Pay», que ilustra o legado de um défice de 10 mil milhões de dólares deixado por George W. Bush às crianças norte-americanas foi o mais votado pelos cibernautas. O vídeo será exibido na televisão durante o discurso de Bush sobre o estado da Nação a 20 de Janeiro.
No «spot», da autoria do criativo norte-americano Charlie Fisher, aparecem crianças que trabalham em fábricas, a lavar pratos em restaurantes e a carregar caixas de fruta enquanto uma nota em rodapé questiona «Adivinhem quem irá pagar o défice de 10 mil milhões de dólares do presidente Bush».
O concurso foi promovido pela MoveOn Voter Fund, uma organização vinculada a uma associação de cidadãos, na sua maioria advogados, chamada MoveOn.org, e cujo lema é «Democracia em Acção». Saturados da «propaganda institucional» da administração Bush promovem um fórum de debate com acções informativas. O concurso de curtas é uma delas.

Sem comentários.

Publicado por vmar em 08:06 PM | Comentários (4) | TrackBack

O bigode impõe respeito?!...

Os policias do Estado de Madhya Pradesh, na Índia, estão a ser aliciados com um extra nos seus ordenados, caso deixem crescer o bigode, por se entender que assim «impõem mais respeito».
O chefe da polícia do distrito de Jhabua, Mayank Jain, citado no site da BBC, garante que dez agentes já estão a receber mais 30 rúpias mensais, cerca de 52 cêntimos, por terem deixado crescer o bigode.

Será que por cá há falta de bigode?
Será que um cherne fica bem de bigode?
Estão a imaginar o Paulinho ou a Manela de bigode?

Será que devo deixar crescer o bigode?
Assim o governo tinha mais respeito por mim...

Publicado por vmar em 07:55 PM | Comentários (2) | TrackBack

Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão

A elaboração do Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão (PNALE) de gases poluentes está a seguir o seu curso normal, não se antecipando quaisquer atrasos, disse fonte do gabinete do Secretário de Estado Adjunto do Ministério da Economia
O Governo tem até 31 de Março próximo para entregar à Comissão Europeia o PNALE, no âmbito da directiva comunitária que prevê a entrada em vigor, em Janeiro de 2005, do mercado europeu de comércio de carbono.
O objectivo é a atribuição de créditos de emissão às empresas para cada uma das unidades abrangidas para, depois, as empresas poderem negociar os créditos no mercado europeu.
A directiva comunitária surge no âmbito do Protocolo de Quioto, subscrito pela União Europeia (UE), no qual ficou imposto a Portugal um limite de 27 % de emissões e gases até 2010.
Estão envolvidas na directiva as empresas que tenham emissões de bióxido de carbono acima de determinados limites abrangendo os sectores de cimento, produção de energia, papel e cartão, vidro e aço, entre outros.
No futuro, as empresas poderão ter de comprar créditos no mercado de emissões para não ultrapassar os limites impostos.
Segundo um estudo da EDP-Electricidade de Portugal , num cenário realista, Portugal irá ultrapassar em 11 milhões de toneladas o limite imposto por Quioto o que poderá traduzir-se num custo de 220 milhões de Euros - se o preço do carbono estiver a 20 Euros por tonelada - dado que o país terá de adquirir créditos de emissões.
Adianta que, a tradução directa de um potencial défice de emissões no funcionamento do mercado poderia implicar um aumento de 10-30 % nas tarifas eléctricas afectando a competitividade e crescimento económicos do país.
Os sectores abrangidos pela directiva apresentaram ao Governo uma proposta que aponta para a atribuição gratuita de licenças de emissão entre 2005-2007 - altura em vigora o mercado europeu de carbono.

Publicado por vmar em 07:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

O bólide vermelho – VII

(continuação)

Vou ver o filme da noite de cinema. Vera ainda berrou que era preciso arrumar a cozinha e lavar a loiça. Gonçalo, esse, que queria ver os desenhos animados do outro canal. Ora, Vera que limpasse a cozinha que ele já tinha feito o jantar, era justo. Gonçalo que fosse para a cama que não tinha idade para mais. De resto, o filme até prometia ser giro. E era o que faltava, um homem já nem era dono nem senhor na sua própria casa?

Refastelou-se no sofá.

Acomodava-se ainda quando um toque na campainha da porta o fez levantar a cabeça. Chatice!... E o filme que vai mesmo começar. Ó Vera, vai lá à porta! Vai tu, que estou na cozinha com as mãos sujas da loiça... Ó Gonçalo, vê lá quem é que tocou à campainha. Boa noite senhor Ramalho. Desculpe vir incomodar mas tive um curto circuito lá em casa, pode emprestar-me um busca-pólos que não encontro o meu? Era o vizinho do quinto esquerdo. Até nem era mau tipo de todo. Sempre sorridente, muito amável, muita conversa, a oferecer os préstimos a torto e a direito. Tudo para inglês ver pois, na prática, pouco ou nada fazia do que apregoava. Mas a vida era assim mesmo, um grande jogo de empurra e faz de conta e o vizinho do quinto esquerdo era dos poucos com quem até se podia conversar lá no prédio. Sim, porque com a maior parte da vizinhança, tudo nunca passava de bons-dias e boas-noites de conveniência, cinzentos e frios. E um bom punhado de vizinhos, a esses nem lhes conhecia a cara, apesar de ali morar havia uns largos anos. A verdade é que o espírito associativo ia desaparecendo da nossa sociedade, consumido na voragem do dia a dia. Agora vive-se uma vida num prédio altíssimo, encaixotado entre andares, sem saber se o vizinho do lado, que, por sinal, até nos despeja com o rádio em altos berros antes do sol raiar, é alto ou baixo, gordo ou magro. Do andar de cima sabemos apenas que tem miúdos irritantes que barulham e sapateiam o chão e os nossos ouvidos sonolentos. De outros andares mais altos só conhecemos a roupa que pinga água do estendal sobre a nossa janela e a nossa roupa. E da gente que vive abaixo de nós... Ah, mas aí vingamo-nos, toca a andar à vontade e fazer o barulho necessário, que isto ou há moralidade ou comem todos. A vida era assim mesmo, de resto, ninguém parecia incomodar-se com solidariedades ou não solidariedades no prédio e não era ele, Ramalho, que ia ficar preocupado com isso. Já bastavam as reuniões anuais da administração do prédio, sempre uma chatice a que poucos compareciam e, mesmo esses, unicamente preocupados em apresentar reclamações sobre problemas diversos e ficar à espera que alguém os resolvesse sem fazer ondas. A verdade é que toda a gente já trabalha muito, por isso, quando é preciso mais trabalho, o vizinho do lado é sempre o mais indicado e capaz.

Oh senhor Ramalho, sabe o que é? É que não encontro o busca-pólos nem sou muito entendido em electricidade. Pode dar um saltinho lá acima? Era cá um favor que me fazia... A voz sinuosa do vizinho. Porra de vida! Vá lá uma pessoa negar-se. É que nunca se sabe quando é a nossa vez de precisar. A merda toda é que com esta treta dos fusíveis do gajo do quinto esquerdo o filme já vai a meio e quem lhe entende agora o enredo? Um homem nunca tem uma satisfação completa.

Deixou-se ficar estendido no sofá. Deslizava-lhe o filme pela retina e pelo vago entendimento. Soavam-lhe as lamúrias de Gonçalo que não queria ir para a cama. Fazia por não ouvir as lamentações de Vera, armada em defensora da condição feminina, a clamar que a vida das mulheres era uma desgraça, só trabalho e trabalho, descanso e ajudas nenhumas. Se tivesse pachorra, levantava-se e fechava a porta da sala só para não os ouvir. Mas nem isso tinha. Deixou-se ficar estendido no sofá, as pernas moles e os braços sem força. Resvalaram-lhe pelas pálpebras entreabertas anúncios publicitários, a programação do dia seguinte, as previsões meteorológicas, fragmentos dispersos do último jornal. Levantou-se com um bocejo do tamanho do mundo e rumou para a cama pois já passava da meia noite.

Vera já dormia. Ficava bonita com o rosto corado pelo sono, farripas da franja sobre a testa, os cabelos claros espalhados pela almofada, um ar inocente de menina ainda. Sentia-lhe o calor da respiração ritmada, a onda suave do peito a pulsar, o fruto rosado da boca entreaberta. Esteve tentado em passar-lhe as mãos pelos cabelos, pelo pescoço, pelos ombros... Talvez ela despertasse... Talvez.... Não, não era justo. Vera andava cansada e já tinha adormecido. Apagou a luz fraca do candeeiro e virou-se para o outro lado.

Na escuridão, à espera do sono, lembrou-se do carro que conduzira em sonhos na noite anterior. Era lindo. Fora sonho mas que lhe importava? Sonhar, afinal, ainda era um luxo permitido. Sim, sonhar, que os sonhos às vezes eram maravilha. Recalcamentos, por ventura, ilusões, talvez. A verdade é que o prazer arrematado naqueles minutos de inconsciência dava-lhe forças no combate real do dia a dia. Seria?... Ou apenas o anestesiava?... Bem, o melhor era não se pôr com aqueles dilemas existenciais àquela hora adiantada da noite. Ainda ficava com insónias e, então, nem sono nem sonho. E ele queria dormir e sonhar. No fundo, uma leve esperança bailava-lhe na cabeça e acalentava-lhe o coração. Podia ser que um dia o sonho se tornasse realidade. E, na esperança de nessa noite dirigir mais uma vez o seu vermelho e veloz bólide, Ramalho adormeceu.


FIM

anamar – 1989

Este conto faz parte de uma colectânea premiada com uma Menção Honrosa na IV edição (2002) do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

Publicado por vmar em 06:59 PM | Comentários (0) | TrackBack

Qualidade diária ou anual?

Bagão Félix: qualidade dos lares de idosos é feita dia-a-dia!

Qual qualidade?
Esta?
Então há muitos anos que não de faz qualidade!
Faz-se ....

Publicado por vmar em 06:42 PM | Comentários (2) | TrackBack

Inflação deve ter descido três décimas

Prevê-se que a inflação em 2003 fique nos 3.3%, contra os 3.6% de 2002.
A abrandamento deve-se, quase de certeza, à baixa actualização salarial e a uma quebra acentuada no consumo.
O cinto vai apertando lentamente, até que um dia, já não há nada para apertar.
As perspectivas para 2004 ainda não são muito animadoras. Talvez para o 2º semestre, nasça luz no fundo do túnel....
Aguardemos....

Publicado por vmar em 06:16 PM | Comentários (2) | TrackBack

Invejosos......

Camionistas ameaçam congestionar estradas em Fevereiro.
A Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM) está a preparar para Fevereiro um dia de congestionamento em todas as estradas nacionais, exigindo um tratamento igual ao dos taxistas.

Conforme já se adivinhava aqui e aqui, agora estes, também querem tratamento igual.
E agora Manela, desenrasca-te!

P.S. eu não entro em nenhuma manifestação porque não tenho PEC a pagar, senão contavam também comigo.

Publicado por vmar em 03:44 PM | Comentários (2) | TrackBack

Obrigado, David Justino

Hoje fez-se luz!
Hoje percebi porque é que ando pelas ruas da amargura.
Hoje percebi porque é que, ganhando pouco, pago tanto em impostos.
Desgraçadamente sou tributado em IRS na categoria A, A Máxima.
Se não fosse este ministro da educação a educar-nos, o que seria de nós?!...
Mais uma vez, obrigado Justino, pelo esclarecimento.

P.S. andará algum vírus fiscal ali para o lado de Oeiras? Andam muitos senhores políticos a esquecer-se das obrigações fiscais. Talvez devam consultar também o Justino.

Publicado por vmar em 12:20 PM | Comentários (2) | TrackBack

Etiqueta e boas maneiras

Publicado por vmar em 12:59 AM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 12, 2004

Deus falou, o povo está bem

O presidente do Governo Regional da Madeira, Alberto João Jardim, disse hoje que as notícias divulgadas sobre a existência de redes organizadas de pedofilia, no arquipélago, são uma campanha relacionada com as eleições regionais que decorrem este ano.

Claro que tudo isso são invenções da oposição, do continente e do mundo!
Claro que não há nenhuma miséria na Madeira!
Claro que, onde o povo vive feliz, não pode haver rapazinhos a prostituir-se!
Claro que o Alberto nunca tem dúvidas e nunca se engana!

Publicado por vmar em 11:31 PM | Comentários (1) | TrackBack

Perspicácia visual – X

Publicado por vmar em 11:29 PM | Comentários (0) | TrackBack

A ajuda estrangeira

Portugal pediu e vai receber 120 polícias estrangeiros que ajudarão as autoridades nacionais a controlar possíveis hooligans que se desloquem ao País a pretexto do EURO 2004.

Será que também vamos receber jogadores estrangeiros que nos ajudem a ganhar o Europeu?

Será que também vamos receber ministros estrangeiros que nos ajudem a governar o país?

Será que também vamos ter alguém que nos ajude a sair da miséria?

Publicado por vmar em 08:44 PM | Comentários (3) | TrackBack

Petição para um novo referendo

75 Mil Assinaturas Pró-referendo Sobre o Aborto Até Fevereiro

O movimento "Petição para um novo referendo" estimou ontem que espera obter até fins de Fevereiro as 75 mil assinaturas necessárias para forçar uma nova consulta popular sobre a interrupção voluntária da gravidez.
"Concorda que deixe de constituir crime o aborto realizado nas primeiras dez semanas de gravidez, com consentimento da mulher, em estabelecimento legal de saúde?" é a questão concreta colocada aos eventuais interessados em subscrever a petição pró-referendo.
Os promotores da petição defendem que o aborto não é um método de planeamento familiar aceitável, não devendo ser encorajado, mas consideram que a criminalização desta prática favorece o desenvolvimento da sua prática clandestina.

Se os objectivos forem alcançados este será o primeiro referendo de iniciativa popular.

Será que a maioria governamental vai continuar “fechada” a esta iniciativa?
Será que a JSD terá força para fazer recuar o PSD?
Será que o CDS, face ao acordo de coligação, conseguirá manter o parceiro num colete de forças?
E você, o que é que acha?

Publicado por vmar em 07:58 PM | Comentários (1) | TrackBack

O bólide vermelho – VI

(continuação)

Dentro da viatura, de regresso a casa, sentia-se parte de uma parada militar num desfile qualquer.

Os carros, alinhados três a três, deslocavam-se, em movimento lento e compassado, com paragens regulares nos semáforos vermelhos. Ou então nos cruzamentos comandados pelos imperativos apitos do polícia de trânsito, fardado a rigor. O frio e chuva da manhã tinham desaparecido, já nem recordações eram, e o fim de tarde fechava-se opressivo, quente e suado. Para refrescar, Ramalho abriu completamente a janela. Mas, imediatamente, uma lufada de ar fétido lhe entupiu as narinas: o tubo de escape do carro que circulava à frente largava um fumo preto e mal cheiroso. Que poluição, berrou, enquanto trancava, lépido, a janela. Aquele era bem um fruto da sociedade moderna, a poluição. Ainda por cima, multiplicado por todos os carros que seguiam na bicha, multiplicado por todas as bichas de carros àquela hora e a outras. E talvez os escapes dos carros fossem apenas uma ínfima parte do problema. Lembrou-se da ribeira lá da terra, onde tomava banho nas tardes quentes de Verão, nas férias em casa dos avós. Ele e mais meia dúzia de rapazolas, entre gargalhadas e gritos, palavrões adolescentes, correrias e brincadeiras. Em calções ou em cuecas, às vezes todos nus, a desafiar os gritos escandalizados das mulheres que lavavam os lençóis nos pegos, tiravam as nódoas das camisas e calças com bagas selvagens e punham a roupa branca a corar na relva, ao sol. Como era fresca a água sussurante e clara que cantava sobre as pedras, verdes de limos, varandas de rãs e de sapos, abrigo de peixes e enguias!... A ribeira tinha juncos, canaviais, represas que manavam água para a rega das terras cultivadas. Tinha pássaros que cantavam ao desafio, namorados que se escondiam nos arbustos das margens, gente que levava lanche e estendia mantas no chão nas horas de calor. Gente de trabalho que descansava, e dormitava, e sonhava, talvez. Um dia veio a fábrica de curtumes. Ele, Ramalho, não deu por nada porque, já então, tinha casado e vivia longe. Voltou a ver a ribeira uma única vez, com o coração tão apertado quanto o nariz, fortemente comprimido entre o indicador e o polegar. Era um cadáver desenterrado, em adiantado estado de decomposição, minado de manchas escuras e fétidas, a exalar putrefacto cheiro. Nada sobrevivera no cemitério aberto em que tudo à volta se transformara. Tudo desaparecera, peixes, batráquios, juncos, canaviais, represas, lavadeiras, namorados, pássaros, flores, rapazes que se divertiam, passeantes de lanche e tardes de domingo. A verdade é que o senhor Francisco Teotónio, dono da fábrica de curtumes, pagava multas mas não reciclava, oferecia peles e outras ofertas caras mas não investia nas necessárias obras que protegessem o ambiente e a ribeira. A verdade é que o senhor Francisco Teotónio se tornou muito rico e poderoso e a aldeia - tão moça e fresca que ele a conhecera!... - uma velha furunculosa e moribunda. Que raio de herança vamos deixar aos nossos filhos?... Como aves agoirentas a espicaçarem-lhe o consciente, acudiram-lhe à memória, fugazes, as sombras lúgubres das praias infectadas, cada ano em número maior, a oferecerem bronzeados com nomes de doenças dérmicas; do buraco do ozono e dos cancros de pele, dos pesticidas e herbicidas, das águas inquinadas e das hormonas para o gado, das devastações e incêndios, das fomes e outras misérias; e das campanhas eleitorais com salvação directa e redenção para todos os homens e todo o mundo. Ah, mas que raio de mundo e de vida vamos deixar de herança aos nossos filhos?... E ainda se o rádio desta merda de carro funcionasse...

*

Lar, doce lar! A verdade é que era um alívio chegar a casa, mal passado aquele dia de trabalho, mal passada aquela viagem de regresso de uma hora, hora e meia. E tudo para percorrer uns míseros dez quilómetros. Mas já estava habituado e, para curar o lamento, pensou que já várias vezes demorara cerca de duas horas no mesmo trajecto. De caminho para casa ainda deitou umas cartas no correio de que faziam parte duas contas que o iriam ajudar a descer o já magro saldo bancário. Enfim, finalmente, lar, doce lar, e aquele sofá mole da sala para descansar o espírito e o físico desta vida moderna sem modernice nem qualidade nenhuma. Para descansar o espírito e o corpo das bichas para o trabalho e do trabalho para casa, do ordenado pequeno e da falta de dinheiro, do jantar que ainda era preciso comprar e fazer, das responsabilidade de criar os filhos e pagar as brutas contas dos colégios, do Gonçalo que não tardaria a chegar, da atenção que lhe não dava e queria dar, desta insatisfação doentia que se fingia esquecer, desta vontade tresloucada de bater, de chorar, gemer. Desta vontade de estar ali, como ele estava, sozinho, no sofá mole da sala sem nada lembrar.

Oh pai, estás doente? Não, filho, estou só cansado. Vai fazer os trabalho de casa que eu vou ali ao supermercado e já venho.

Agora era preciso preparar o jantar, pois Vera chegava tarde demais a casa. E ele que nunca conseguia fazer nada à mesma velocidade da mulher!... Ela, sim, tinha truques de malabarista que o ofuscavam, as panelas e frigideiras ao lume e a salada a ser lavada à torneira, os pratos e talheres a saltarem para a mesa e os desvios para a casa de banho a ver se Gonçalo despachava o duche, os olhos e a atenção no televisor e os bifes a fritarem lourinhos sem esturricarem nem nada. Ele, não, ou fazia uma coisa de cada vez ou saía asneira. Ainda por cima - que raio! - conseguir ver o telejornal era utópico. Nessa precisa altura estaria ele a tentar sobreviver às dificuldades do costume, a improvisar aqui e acolá. É que a comida, nas mãos dele, tinha aquela tendência para o desequilíbrio, ora ficava desfeita ora mal cozida, umas vezes quase sem sal outras apaladada de mais. Salvavam-se os clientes que não eram muito esquisitos e, se o fossem, lá no bairro havia uma tasca onde serviam comida. Que diabo, um homem não pode ter jeito para tudo!...

Claro que estava doente! Não era para estar? Doença sem sintomas externos palpáveis, ilegível em todas as análises e radiografias. Mas que o minava, disso não tinha dúvidas. Que lhe sorvia as forças, as energias, qual gigantesca e tenaz sanguessuga. Também, quem não andava doente na correria desta sociedade vibrante de novas e espantosas tecnologias pagas em prestações quotidianas de agonia e cansaço? O povo estava doente. Sim, o povo, pois uma minoria vivia com aquela qualidade de vida que ele, Ramalho, invejava. Com conforto, riqueza e até excessos. Mas esses não eram o espelho da humanidade. É verdade que havia pior, gente ao pé de quem ele até era um felizardo. Que nos quatro cantos do mundo morriam homens, mulheres e crianças entre guerras, fomes, epidemias e brutalidades. Que a eterna televisão ligada mostrava essas realidades nos intervalos das ficções. Mas a gente toma lá sentido, na distracção entre o prato e a sobremesa, se aquilo é jornal, é realidade, ou ainda uma parte do filme de acção e aventuras. A verdade é que o resto do mundo fica a anos-luz de todas as cozinhas aconchegadas, quentes de vapor e cheiro de comida, em que à noite, cansados, o pai, a mãe e os filhos comem bifes com batatas fritas e remoem as suas dores e os seus fastios, tão pessoais e tão grandes que mal lhes cabem no coração e na alma.


(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 05:50 PM | Comentários (1) | TrackBack

A construção em Portugal é à prova de sismo?

A ocorrência de um sismo de média ou grande dimensão em Portugal (a partir da escala 6 de richter) terá graves consequências económicas. Ensaios realizados no Centro Comum de Investigação (CCI) da Comissão Europeia revelam que as novas construções portuguesas registam deformações permanentes, em caso de abalo sísmico.

E as antigas? Será que são só as novas que estão em risco?
E as milhares de casa muito antigas, que sem sismo, só com a ajuda da chuva e não só, se desmoronam por si mesmas?
Qual o estado do país perante um sismo de média ou grande dimensão?
Que estudos há sobre o assunto?
Que fiscalização se exerce sobre a construção e neste aspecto em particular?
Tem Portugal estruturas para responder em situação de catástrofe?
Alguém sabe de alguma coisa?
Ou como é hábito «depois de casa roubada, trancas às portas», confiamos no espírito de “desenrasca” do Zé para resolver o assunto depois da calamidade ter acontecido?

Publicado por vmar em 05:04 PM | Comentários (1) | TrackBack

A perda da inocência pelo efeito Smirnoff

Não resisti a reeditar este post com o comentário que este mereceu por parte da amendoamarga.


A perda da inocência

A mãe flor bem se fartou de avisar a filha florinha: Tem cuidado, tu és pura, inocente, na beleza frágil das tuas pétalas acolhes as abelhinhas, o teu pólen é dádiva generosa com que fabricam o precioso mel. Ele não, a natureza dele é outra. É áspero, violento, atordoante, viciante. Não passa de um frasco, minha filha, guarda-te.

Mas era exactamente o desconhecido dessa diferente natureza que a atraía, em imaginados sonhos em todas as insónias renovados.

Num momento de nefasta conjunção dos elementos atmosféricos, um vento de sereia trouxe-lhe o etílico aroma. Sem conseguir resistir ao apelo das linhas daquele corpo, tão geométricas e fortes, a frágil e bela florzinha, num estremecimento de todos as suas raízes, de todos os seus ramos, mergulhou nele uma corola trémula.

A princípio estranhou o sabor áspero, como diria o senhor que a regava, enquanto bebia Smirnoff, e que, por acaso, se chamava Fernando. Mas logo, sequiosa, o bebeu.

E o bebeu com tanto ardor que ele se entranhou nela. E ela nunca mais foi a mesma.

E agora, para desilusão amarga da mãe flor e espanto do senhor Fernando, a flor já não oferece apenas o seu pólen ás abelhas. Agora come as abelhas.

Publicado por vmar em 03:50 PM | Comentários (2) | TrackBack

Andam por aí muitos bêbados....

GNR apanha 23 condutores por dia com mais de 1,2 gr álcool

A Brigada de Trânsito (BT) da Guarda Nacional Republicana (GNR) deteve 161 condutores com taxas de álcool no sangue superiores a 1,2gr/l na semana passada, o que corresponde a uma média de 23 detidos por dia, avança a corporação esta segunda-feira em comunicado.

Mas há mais bêbados por aí....que conduzem outras coisas...

Publicado por vmar em 03:34 PM | Comentários (1) | TrackBack

12 de Janeiro de 1976

Morte da escritora Agatha Christie (1890-1976), escritora inglesa de romances policiais.
Hercule Poirot foi o primeiro das suas famosas personagens, seguido mais tarde por Miss Marple.

Publicado por vmar em 12:52 PM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 11, 2004

Dois faróis

...um em terra, outro no céu...

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Descida nas taxas de juro?

Jacques Delors defende a descida das taxas de juro na Zona Euro, tendo em conta a subida da moeda europeia face ao dólar norte-americano.
«É a terceira vez que os norte-americanos, a hiper-potência, nos impõem o seu laxismo em matéria de défice orçamental, de défice da balança comercial, 500 mil milhões de dólares de défice», explicou Jacques Delors.

A pressão acentua-se sobre o BCE.
Talvez na próxima reunião do BCE, se façam a vontade ao Delors.
A ver vamos...

Publicado por vmar em 11:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

Gordura pode não ser formosura, mas talvez seja inteligência...

Peso à nascença importante para a inteligência
Os bebés mais gordinhos à nascença são mais inteligentes, segundo uma investigação do Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra.

Se isto se provar ser verdade, lá vamos ver as futuras mamãs a trabalhar para a engorda dos rebentos...

Publicado por vmar em 11:33 PM | Comentários (0) | TrackBack

Efeitos Smirnoff (2)

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O bólide vermelho – V

(continuação)

O silêncio da secção só era quebrado pelo folhear esporádico dos processos que os funcionários analisavam. As costas curvadas sobre as secretárias, a cabeça apoiada numa mão, os olhos pesados a passearem sobre os papéis. Era assim depois de almoço. Até o redondo relógio de parede entrava em modorra, os ponteiros mais vagarosos e as horas mais compridas. O Silva, completamente escancarado na cadeira de braços, parecia meditar. Talvez numa nova abordagem à Anabela. Era o fraquinho do chefe, toda a gente sabia. Em segredo, bem entendido, e comentado com a discrição que vai da boca de cada funcionário ao ouvido do colega mais próximo. Nem o Silva conseguia ser assim tão discreto!... A verdade é que, mesmo nos dias em que entrava na sala carrancudo e mal humorado, assim que a Anabela se lhe dirigia para tratar de qualquer assunto, logo o chefe se transfigurava: Um sorriso largo distendia-lhe a boca afogada nas bochechas e cada poro da face balofa rebrilhava de satisfação e prazer. Por várias vezes Ramalho surpreendera frases subtis e maliciosas do Silva para a Anabela. Não era o primeiro caso, toda a gente se lembrava. Anos atrás, com uma colega novata que fora estagiar na repartição, o Silva ensaiara. Mas a colega enrubescia e os olhos redondos aguavam-se-lhe de lágrimas sempre que o chefe Silva Santos lhe soprava o hálito na explicação, mais que pormenorizada, do trabalho a fazer. A verdade é que, meses depois, a colega fora transferida para outro andar, de trabalho bem mais íngreme e pior remuneração. Segundo a chefia, dificuldades de adaptação ao trabalho, segundo os restantes funcionários - à boca fechada, evidentemente, que essas coisas não se podem dizer para aí assim... - tudo não passara de retaliações do despeitado Silva.

Mas agora, com a Anabela, era diferente.

Com a paciência de um grande pescador, o Silva ia largando o isco e a linha na esperança de uma boa pescaria. Mas este era peixe muito astuto, comia o isco e largava o anzol. Pois era, boas relações com os chefes dão fruto e aquela Anabela sabia-o muito bem - e de parva ela não tinha nada e ambição não lhe faltava. Que ela andava à caça de promoções e outras regalias, que a caça vinha toda do lado do Silva e que espantar o chefe era espantar a caça, era ponto assente. Assim, o jogo prosseguia há longos meses entre o Silva e a Anabela, entre sorrisos e cordialidades, faço que não te entendo e outras coisas que tais. As interrogações do resto do pessoal da repartição, atento ao folhetim - sim, que situações como esta davam alguma cor às incaracterísticas horas em que o relógio redondo não andava... - giravam à volta das eventuais contrapartidas que pescador e caçador teriam de se oferecer mutuamente. Curioso e mordaz, o pessoal assistia, um único e dissimulado medo a incomodar: trofeu que a Anabela arrematasse era ponto perdido para todos naquela reserva escassa de promoções e prémios por mérito.

Havia, no entanto, uma particularidade naquele relacionamento da Anabela com o chefe. Particularidade que muito boa gente tentava aproveitar com a vantagem que podia. É que a Anabela funcionava como uma espécie de canal informativo entre o Silva e o resto do pessoal da repartição. Por norma, o Silva era um poço sem fundo no que dizia respeito a todo e qualquer assunto oficial, a toda e qualquer decisão hierarquicamente vinda de cima. Mas com a Anabela o Silva derretia-se e excedia-se. E a Anabela usava e abusava. A rivalizar e com uma técnica de fazer inveja à maior parte dos órgãos informativos do país, espalhava as notícias de uma forma bem personalizada. Ou seja, dizia só o que queria e a quem queria, aumentava e diminuía o peso das coisas, escondia aqui e tapava ali. E quem queria os trunfos de estar informado, tinha de se dar bem com a Anabela. Ou, pelo menos, embora em segunda via, com alguém que se desse bem com a Anabela. Era cá uma droga!

Que droga!... Ramalho mirava o processo que tinha entre mãos, cruzado de riscos e anotações à margem, e pensava no desperdício de energias que se consumiam naquela casa. Por mais de uma vez abordara o Silva sobre uma modificação de métodos de trabalho. Em vão. Perlara-se-lhe o rosto gordo de pontos de suor, desapertara e voltara a apertar o grosso nó da gravata. Por fim fincara as mãos nos braços da cadeira. Tinha superiores. Ele, Silva Santos, era chefe mas também tinha chefes. E o chefe manda, o que o chefe acha certo, certo está. O chefe tem sempre razão. De resto, sempre se fizera assim. Não estando mal, porquê modificar? Pois era, para o Silva - apertado chefe numa cadeia de chefes - tudo se resumia e finalizava naquele imutável conjunto de axiomas. Novas fórmulas, novas técnicas, novas tecnologias eram assuntos tabu ou subversivos.

Cansado de lutas e de perdidas esperanças, Ramalho acomodou-se ao delimitado espaço da secretária. Passou a concentrar-se no relógio de parede. Uma guerra surda e permanente desenrolava-se entre os dois. Fitava-o a miúdo. Tentava transmitir-lhe, com o olhar, toda a força do seu enorme aborrecimento e fazer deslizar mais rapidamente o arrastado movimento dos ponteiros. Odiava-lhe a indiferença cadenciada com que o relógio respondia a tão frementes obsessões. E amava-o, agradecido, quando o toque das dezassete horas punha um fim libertador ao tormento diário. Era uma guerra todos os dias renovada.

(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 07:28 PM | Comentários (3) | TrackBack

11 de janeiro de 1922

Pela primeira vez a insulina foi administrada a um diabético.
A insulina faz baixar os níveis de açúcar no sangue, ajuda no metabolismo de gorduras e proteínas, inibe a transformação do glicogénio em glicose e a conversão dos aminoácidos e ácidos gordos em glicose.

Publicado por vmar em 07:13 PM | Comentários (0) | TrackBack

«Rebentados» do sono. O mundo não estará a ficar esquizofrénico?

Consta que o Channnel 4 quer pôr no ar um concurso, tipo «big-brother», em que os participantes vão ficar uma semana sem dormir. O prémio, para quem conseguir manter-se acordado durante os sete dias, são 144 mil Euros. Ou seja, pela nossa antiga moeda, qualquer coisa como vinte e nove mil contitos.

Shattered é o nome do concurso. Em português, pelo menos a fazer fé na notícia em que tomei conhecimento de tão espectacular concurso, significa «rebentado». Bonito nome, não é?

Acho que me vou candidatar. É que eu já ando a dormir pouco e mal, toda a noite a tentar meter o Rossio na rua da Betesga. Quero eu dizer, nesta minha singela e pouco literária “figura de estilo”, tentar esticar o carcanhol mensal para lá meter os aumentos do pão, gasolina, portagens, electricidade, etc, etc.

Com a pedalada que já levo nesta matéria de pouco sono e pesadelos vários, não me vai ser difícil ser o vencedor. O que é que acham?

Publicado por vmar em 07:05 PM | Comentários (2) | TrackBack

Perspicácia visual – IX

Publicado por vmar em 03:17 PM | Comentários (3) | TrackBack

Incompatibilidade de linguagens

Cliente: "Não consigo imprimir. Cada vez que tento, ele diz: "can't find printer". Já levantei a impressora e coloquei-a em frente ao monitor, mas o computador continua a dizer que não consegue encontrá-la."


Helpdesk: "Serviço ao cliente de Hewlett-Packard. Fala com o Sérgio. Em que posso ser útil?"
Cliente: "Sim. Tenho uma impressora deskjet que precisa de ser reparada."
Helpdesk: "Temos várias impressoras deskjet. Que modelo tem?"
Cliente: "É um Hewlett-Packard."
Helpdesk: "Isto já sei. É a cores ou a preto e branco?"
Cliente: "É creme."


Cliente: "Tenho um problema grande. Um amigo meu meteu um screensaver no meu computador, mas de cada vez que mexo o rato, ele desaparece!"


Cliente: "Não tenho computador em casa. Pode informar-me se a internet também está disponível em forma de livro?"


Cliente: "A Internet também abre aos domingos?"

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janeiro 10, 2004

Habilidades “chinesas” (3)

Publicado por vmar em 11:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

O sexo pago atrai meio mundo

Ouvi algo hoje há noite, durante as notícias das oito, que me deixou completamente estupefacto: Quase 50 pct dos portugueses admite ter recorrido a sexo pago, ou seja, ter recorrido à prostituição.

Não fiquei admirado por se continuar a recorrer à prostituição, por alguma coisa é conhecida como a profissão mais antiga no mundo, mas pelo número em causa; ou seja, metade da população. Será que o estudo feito por quatro investigadores portugueses para uma instituição estrangeira peca por imprecisão? Ou será que este número corresponde mesmo à realidade portuguesa?
Nos tempos actuais, com a liberdade que existe no campo sexual, com um nítido avanço na emancipação da mulher, com a abertura com que se fala e discute o sexo, pensava eu que as necessidades sexuais da população seriam satisfeitas por qualquer outra forma que não a compra do acto.

Mas, pelos vistos, a realidade é bem diferente.
Mas porquê, nestes tempos de liberdade, se continua a recorrer tão frequentemente à prostituição? Em resultado de estímulos que se encontram em cada esquina? Atraídos pela imensa oferta que, nos últimos tempos, se tem instalado no burgo? Será porque, como dizia uma “menina” de Bragança, «eles encontram aqui o que lhes falta em casa»?
Pensava eu que a maioria dos jovens que, ao que tudo indica até se iniciam no sexo cada vez mais cedo, o faziam com as “namoradas”, contrastando com o verificado algumas décadas atrás que era vulgar sê-lo com uma prostituta; qual o meu espanto quando me dizem que muitos jovens admitiam ter recorrido à prostituição para se iniciar nas artes do sexo.

Depois disto, outra bomba: só 20 pct dos portugueses que têm vários parceiros, usa preservativo. Ou seja aqueles que admitem usar vários parceiros na actividade sexual não usam um método de protecção básico.
Parece que uma grande maioria acredita que doenças sexualmente transmissíveis, como a sida, só acontece aos outros. Não foi referido a percentagem de uso na prostituição, mas provavelmente o seu uso andará longe dos 100 pct.

Com os níveis de sida a aumentar assustadoramente, estes actos são puro suicídio.
Para o homem que usa a prostituição e para a esposa que, sem saber de nada, acabará também contagiada.

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Agarrados ao dedo

Publicado por vmar em 09:31 PM | Comentários (0) | TrackBack

O bólide vermelho – IV

(continuação)

Oh Ramalho, veja-me aqui este processo. Tem de estar pronto antes do almoço. O Silva era assim, lembrava-se sempre dele para o trabalho, para o resto é que dominava o esquecimento. Já tinha visto e revisto não sabia quantos processos naquela manhã, igual a tantas outras por sinal. Agora era o urgente processo do Silva, ainda mais rabiscado a vermelho que os outros. Rabiscado por tudo quanto era sítio. Pelo Silva, claro. Indiferente ao movimento da repartição e aos olhares dos funcionários, o relógio lá prosseguia a caminhada estóica e soluçante. Por fim, entre dois riscos e dois processos, martelou as doze badaladas. Era a sacramental hora de almoço. Foi um ver se te avias. Toda a gente se levantou de rompante, direito à porta, pois não havia momentos a perder. Dentro em pouco todas as tasquinhas da redondeza estariam cheias e, para os últimos a chegar, só restaria esperar pelo fim do almoço dos primeiros. Nas calmas, claro, quem quiser que espere, ora essa...

Excepção a esta roda eram as meninas de todas as idades que comiam um rissol e uma sopinha e iriam encher os cabeleireiros ou olhar as montras das “boutiques”. Como a colega Cláudia, por exemplo. Era uma das '”vamps” lá da repartição. Sempre em cima da moda, não descurava um pormenor na figura. E que figura!... Alta e magra, qual modelo de revista, a roupa moldava-se-lhe ao corpo como uma segunda pele. Os conjuntos que usava, as meias brilhantes, os colares e as pulseiras, a farta cabeleira arruivada, os óculos escuros nos dias de sol, tudo aquilo de muito bom gosto diziam os entendidos, dizia ele que não percebia nada de moda mas que gostava de olhar... É que a colega Cláudia desorientava o mais respeitável dos homens. Ó Ramalho, vamos à tasca do costume? Era a voz possante de Gregório a desviar-lhe atenções. Queres almoçar com a gente? Agora era o Gregório, armado em brejeiro, a convidar a colega Cláudia. Convite escusado, já se sabia. Obrigada, mas tenho umas coisas a fazer, respondia Cláudia com o batôn do sorriso a brilhar e os sapatos muito altos a caminho da rua. A Cláudia até gostava de alinhar com eles, nem se importava com as piadas metediças de Gregório, mas almoçar, almoçar, era coisa que a colega não devia fazer mais que uma ou duas vezes por mês. Nos restantes dias, o almoço de Cláudia resumia-se a uns salgadinhos ou um filete no pão, a sopinha das senhoras e um café. Era preciso manter a linha e, mais do que isso, era preciso ir mantendo algum dinheiro na carteira até ao fim do mês. Senão, como é que do magro ordenado que recebia, saíam os vestidos e os sapatos, os cabeleireiros e a maquilhagem, as bolsas e os adereços a condizer. Ah, e as revistas da moda, coloridas de fotografias de princesas e outros colunáveis, belas vivendas com piscinas azuis e jardins relvados. Sim, porque milagres só na Bíblia e Cláudia preferia não comer a deixar de comprar aquelas revistas, cada uma delas mais cara que o prato do dia nas tascas da redondeza. Cláudia sabia tudo dos mexericos das vedetas nacionais e internacionais, dos casamentos da alta sociedade, das festas da burguesia endinheirada, dos desfiles da alta costura. O que ela não sabia - nem queria saber, que horror, que fastio... - era dos desempregados que sobravam no mundo, das casas que faltavam ou das que existiam entre tábuas e cartões e jardins de lama e terra, das crianças famintas e ranhosas, da poluição e outros acidentes, dos dramas e tragédias prosaicos e feios. Nada de políticas, repetia ela, e, para problemas, já bastava os próprios. Claro que não faltava gente a repetir, o que Cláudia tinha a mais no físico faltava-lhe por baixo da cabeleira loura. Mas ele, Ramalho, achava que era tudo gente invejosa e pouco tolerante, no fundo, no fundo, ela era apenas uma pobre e boa rapariga enevoada no ópio de um sonho ainda mais fundo e ilusório: encontar um príncipe encantado que a desposasse e a fizesse entrar nesses mundos chiques e deslumbrantes. Talvez até Cláudia fosse feliz à maneira dela. Às vezes a realidade era tão áspera, era áspera demais!

Parece que hoje há cozido à portuguesa, anda daí ó Ramalho. Lá foi, ele e Gregório, invariáveis compinchas da hora do almoço. De vez em quando até de uns copos à saída, um petisco e umas cervejas, uns dedos de conversa, tudo coisas para que Gregório era danado. Aquele emigrante dos campos com saudades do belo pão e chouriço da terra, algures para além do Tejo, paciências de planície para aturar as anedotas infelizes sobre os conterrâneos e conselhos na manga para acalmar as depressões citadinas dos colegas e amigos, estava sempre bem disposto. Olha que a vida são dois dias, não fiques a remoer que isso dá úlceras de estômago... Fúrias, fúrias, só as tinha Gregório contra o governo. Contra todos os governos. Apanham-se no poleiro e aí estão a cantar de galo. Amanham-se a eles e o Zé que se lixe. Oh Ramalho, já ouviste a última sobre a saúde? Agora é que vêm aí as taxas de vez. E que taxas!... Mastigava um bocado de chouriço, alternava com uma garfada de couves. Assim, de cada vez que fores ao hospital, ao centro de saúde ou fazer uma análise, tens de pagar um tanto. Penalização da grossa. O problema é que quem se lixa és tu, que já ganhas mal e descontas muito. Mais taxa menos taxa não fazem diferença ao Director Geral, que tem médico à ordem, nem ao Ministro, que tem médico e clínica... Eles bem dizem que não mas é tudo aldrabice. O povo já tem uma miséria de assistência na saúde, e agora, ainda por cima, para ter direito à miséria pagas aí e é se queres. Dois goles de tinto e Gregório aquecia. Eles bem dizem que o pessoal recorre aos serviços de saúde sem motivo válido, que passa a vida a ir às consultas sem precisar, que só lá vai buscar receitas para comprimidos e injecções que nem falta lhes faz. E que, portanto, isto é tudo para moralizar. Até parece que o divertimento das pessoas é passar umas horinhas nos consultórios. Ah, safados, isto é mas é troçar na cara da gente. E depois limpam-se dizendo que vivemos numa economia de mercado, que quem quer saúde tem de a pagar, que isto é tudo uma democracia e liberdade. Se as palavras se comessem, oh Ramalho, quanta indigestão não havia por aí...

(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 06:15 PM | Comentários (4) | TrackBack

A aquacultura levanta polémica

Um estudo divulgado na quinta-feira pela revista "Science" conclui que o salmão produzido em viveiro apresenta uma concentração elevada de substâncias cancerígenas.
Diz o estudo que o salmão de viveiro contém muito mais dioxinas e outros poluentes potencialmente cancerígenos do que o selvagem.
Contudo os exportadores de salmão da Noruega (NORGE), a agência norte-americana que regula o mercado alimentar (USFDA) e o Livsmedelsverk, a autoridade sueca para a segurança alimentar contestam o estudo.
Jaime Menezes, ex-bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários e especialista em aquacultura, ainda não leu o estudo publicado pela "Science", mas estranha as recomendações dos investigadores.

Estará este estudo correcto?
Não estarão os interesses económicos à frente dos da saúde pública?
E nós, consumidores, que não percebemos nada do assunto, em quem devemos acreditar?

Publicado por vmar em 03:18 PM | Comentários (2) | TrackBack

Milagre em Braga

Portugal está a tornar-se um centro milagreiro mundial.
Todos os dias, acontecimentos inexplicáveis acontecem um pouco por todo a lado.
Não fosse o caso “Casa Pia” ou a guerra do Iraque, os telejornais diários noticiariam na abertura, e durante trinta minutos, os milagres que já não são exclusivos da Cova da Iria.
São produtos da governação laranja, que há muito, conseguiu suplantar os da governação rosa.
Em Braga, uma docente ganhou um concurso para leccionar numa escola sem se ter candidatado.
Só pode ter sido milagre.....
...ou então mais uma herança do governo rosa...

Publicado por vmar em 03:03 PM | Comentários (2) | TrackBack

Perspicácia visual – VIII

Publicado por vmar em 02:46 PM | Comentários (2) | TrackBack

janeiro 09, 2004

Um pai leva o filho à caça

Um pai leva o filho à caça pela primeira vez e explica-lhe as regras:
" O essencial na caça é estar tão imóvel e ser tão paciente quanto possível.
É preciso não se mexer, nem mesmo falar, para não espantar a caça. Compreendeste bem?"
O pai deixa então o seu filho e vai emboscar-se a cerca de 500 metros do filho. Durante meia hora não se passa nada. Ao fim de uma hora, o pai houve um grito e vê, pouco depois, o seu filho vir a correr em sua direcção.
O pai: " Mas que se passa? Pedi-te para estares o mais quieto possível..."
O filho: " Pai, eu fiquei quieto quando a víbora passou por cima dos meus pés, fiquei quieto quando o urso passou a 5 metros. Mas quando ouvi os dois esquilos, que me entraram pelas calças acima, dizerem : «Comemos já as nozes ou vamos levá-las daqui ?», confesso que entrei em pânico ..."

Publicado por vmar em 11:47 PM | Comentários (3) | TrackBack

Porto espectacular

Imagem espectacular do Porto da autoria de Manuela Vaz

Publicado por vmar em 11:19 PM | Comentários (1) | TrackBack

O bólide vermelho – III

(continuação)

Ramalho deslizou pelo corredor sombrio até ao relógio de ponto e introduziu o rectângulo de cartão na maquineta. Um “clique”, indiferente e mecânico, e o registo da entrada lá ficou para posterior controle. Vagaroso, deslizou até à porta da secção. Acendeu as luzes. As empregadas de limpeza já tinham acabado a tarefa e saído, notava-se pelos cinzeiros despejados e o chão aspirado e limpo. Três filas de secretárias mudas, empanturradas de processos geometricamente arrumados, esperavam pelos respectivos ocupantes, companheiros de faina de segunda a sexta. Dirigiu-se à dele, tão igual às outras que só pelo hábito a distinguiria.

Sentou-se. Na parede em frente, como um olho enorme ou um enorme abcesso, um relógio redondo e escuro dominava a sala. O ponteiro dos segundos avançava, em soluços rápidos, numa incansável e inútil perseguição. Quantas voltas não teria ainda de dar até à hora de saída?... Como sempre, ele fora o primeiro a chegar. E, como sempre, seria o primeiro a sair. Bem, não era verdade. Só tomara esta atitude - sair à hora marcada houvesse o que houvesse para fazer - depois de muitas injustiças de que se sentira vítima. Ele era um bom profissional, pensava ainda com aquela pontinha de ressentimento que nunca conseguira esconjurar. Competência, rapidez e assiduidade eram atributos que nem o mais cara de pau lhe podia negar. Contudo, não tinham sido suficientes para concorrer com “outros” atributos nas promoções dos últimos anos. Ele bem sabia como as coisas funcionavam, ele é que não tinha estômago para certas manobras de bastidores nem alinhava nelas... Umas palmadinhas nas costas, uns galanteios absurdos, uns almocinhos em conjunto, enfim, umas engraxadelas convenientes, tinham-lhe sucessivamente retirado a possibilidade de aumentar o rendimento mensal. Outros tinham sido os preferidos. O Silva Santos, o chefe, esse passava a vida a lavar as mãos como Pilatos. Não sou eu quem decide. A direcção para aqui, os sindicatos para ali. Os seus colegas também merecem. Vai ver que, para a próxima, também vai ser contemplado. Olhe que, se for por mim, não falha. Mas ele, Ramalho, já tinha aprendido: tudo tretas!

Inexorável e indiferente, o ponteiro do redondo relógio da secção foi acumulando voltas partidas em soluços. Quantos anos tinham passado? Anos e injustiças, já deixara de os contar, numa indiferença rancorosa, pois só o rancor sobrara. Rancor traduzido naquela decisão inabalável: nem mais um minuto! E assim, decisão passada à prática e seguida à risca, agora saía sempre à hora, nem mais um minuto nem segundo. E, se era dos primeiros a entrar na repartição, o que o obrigava a tal era o inferno do trânsito, não o amor ao trabalho.

Abriu-se a porta de rompante e a estridente voz de Silva Santos aí estava: Bom dia, ó Ramalho! Chegava sempre com aquele odor intenso a especiaria a romper as riscas do fato escuro, o grito azul eléctrico da camisa, o saliente e grosso nó da gravata cravado nas bochechas balofas, o sorriso cínico a estalar, o anel no dedo mindinho. Vaidoso!... Se pensa que assim se faz passar por ilustre executivo... O relógio martelou nove horas sacramentais e um turbilhão de gente inundou a sala e um coro de refrões em muitos timbres disparou: Bom dia senhor Silva, como vai Ramalho, que trânsito hoje, tudo bem desde ontem? Bom dia, bom dia, bom dia. Em solo, a bichanar-lhe junto ao ouvido, escutou a novidade da manhã, todos os dias repetida: Oh Ramalho, ontem vi um filme que nem queiras saber. Metia cá uns borrachos... Uma até me fez lembrar o borrachinho do quinto andar com quem eu dei umas voltas por aí. Nem precisou levantar os olhos da secretária, era o “engatatão” do Ricardo a esfregar as mãos da “farra” da noite. Quem não o conhecia em todo o edifício? Ricardo e os seus engates, Ricardo e os seus delírios, Ricardo e o inevitável charme sobre o sexo oposto. A verdade é que ninguém o levava a sério. A verdade é que as mulheres do edifício, quando o encontravam, faziam um desvio de dois metros, mas, lá no fundo, olhavam-no com a comiseração que se tem por um último exemplar de espécie ainda pura, sem desvios genéticos nem mutações ambientais. Tudo sonhos na cabeça de Ricardo. Ainda o advertiu: Olha que o borrachinho do quinto andar é agora uma respeitável senhora casada. Mas já Ricardo abanava os ombros, Ora, o que lá foi, lá foi, não passa daqui, e adiantava pormenores escabrosos do filme da noite. Onde viste isso, na televisão?, admirou-se Ramalho. Qual, pá, é filme do clube de vídeo.

Pois era, o clube de vídeo. Ramalho desconfiava bem que havia mais de um ano que não requisitava um filme. Ainda se lembrava quando o vídeo fora novidade, quem não tinha um não era ninguém, ficava automaticamente excluído da roda de conversas, dos filmes vistos e não vistos, das trocas e não trocas, das gravações feitas e não feitas. E, afinal, tinha comprado o vídeo adiando a compra da máquina de lavar louça que Vera queria - só que ela queria a máquina de lavar louça mas queria também o vídeo, queria a batedeira nova com seis velocidades e programas extra anunciada na publicidade e queria também o microondas com prato rotativo que estava em promoção, queria, queria... Tinha comprado o vídeo. Afinal, Gonçalo, o filho, berrava que era o único da escola que não tinha vídeo, que também queria ver os filmes animados, que só os outros meninos é que viam, que só os outros pais é que compravam e alugavam cassetes, que eles lá na escola falavam, que.... Claro que, após a fúria inicial, o vídeo fora mais um aparelho esquecido no móvel, à espera de melhores dias. Pois se muitas vezes já não conseguiam ver televisão ou adormeciam, em frente ao écran, de tão cansados que andavam!... A verdade é que se compravam electrodomésticos a mais. A verdade é que se compravam coisas a mais. Compre agora e pague em seis meses sem aumento de preço. Campanha Primavera, uma viagem à Turquia para duas pessoas. Paradisíaca estadia nas ilhas Seychelles, número a sortear. Responda na volta do correio e receba um colar e pulseira com banho em ouro. Oportunidade única, tapete persa genuíno, restos da exposição do casino. As coisas que se compravam sem querer!... As coisas que se compravam e mostravam aos vizinhos e aos colegas, aos amigos e aos inimigos disfarçados de amigos, à família e aos conhecidos. Eu tenho isto, eu comprei aquilo, o meu é “top line”, custou-me tanto e a pronto. Raramente se utilizavam as ditas coisas, arrumavam-se a um canto após a rodagem, eram até um belo entulho a encher aquele metro quadrado que dava pelo nome de despensa, mas aquela satisfação do sorriso verde inveja dos amigos enroupados de inimigos e vice-versa?!... A verdade, a verdade, é que a altura de cada um se mede em metros de electrodomésticos, pelo brilho das viaturas que se possui, pela etiqueta dos fatos que se veste, pela marca da zona em que se vive, pelo local onde se passa férias. Que interessa o resto? Em verdade, em verdade vos digo, quem não alinhar neste jogo será sempre um bastardo nos reinos da terra.

(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 06:40 PM | Comentários (0) | TrackBack

Efeitos Smirnoff

Publicado por vmar em 06:23 PM | Comentários (1) | TrackBack

PEC para uns, borlas para outros...

Comerciantes e empresários reivindicam os mesmos benefícios.

Manuela Ferreira Leite está sobre o fogo de pequenos e médios empresários, bem como dos comerciantes depois de ter perdoado o PEC aos taxistas, que apesar de tudo querem satisfeitas todas as garantias dadas pela ministra das Finanças.
Vasco da Gama, da Confederação do Comércio de Portugal, contesta e lamenta que o Governo ceda às ameaças de força dos taxistas, «é muito grave, porque reconhecesse de que as atitudes de força é que pesam nas decisões governamentais».
Joaquim Cunha, da associação PME Portugal (que representa as pequenas e médias empresas), também ficou desagradado com a notícia, «não faz qualquer sentido tenhamos um discurso inflamado, dizendo que as empresas não pagam impostos. Criando o Pagamento Especial por Conta, que é uma coisa absurda. E por outro lado isentando uma classe profissional deste PEC. Este é mais um arbítrio».

A Manuela meteu a “pata na poça” ....
E agora, quais os senhores que se seguem?

Publicado por vmar em 01:46 PM | Comentários (3) | TrackBack

Uma questão moral

Finanças perdoam segunda prestação do PEC a taxistas
A ministra das Finanças perdoou aos taxistas a segunda prestação do pagamento especial por conta (PEC) cujo prazo terminou no último dia de Novembro. O Ministério das Finanças garantiu já a devolução das quantias pagas.

Independentemente das razões que possam ter levado a esta tomada de atitude, pode agora colocar a seguinte questão: então e os outros ?
Com que moral uns são perdoados e os outros não?
Mais, havia um acordo secreto desde Julho do ano passado. Assim andaram a enganar os outros contribuintes desde essa altura!
Estas atitudes não contribuem para um clima de confiança e de justiça que tanto se reclama para o país.

Publicado por vmar em 11:22 AM | Comentários (1) | TrackBack

janeiro 08, 2004

Perspicácia visual – VII

Publicado por vmar em 11:00 PM | Comentários (2) | TrackBack

O bólide vermelho – II

(continuação)

Um carro buzinou. Meteu a primeira com rapidez. O verde dera um ar da sua graça e não havia tempo a perder. Cada minuto que passava contribuía com algumas centenas de carros para o pandemónio do trânsito matinal. Os carros seguiam colados uns aos outros, pois, à mínima folga, surgia, sem se perceber donde, um intruso a preencher o espaço. Nos entroncamentos, os pará-choques mediam forças entre si na batalha do “quem passa primeiro”. Os semáforos só eram respeitados “in extremis” ou quando algum agente policial circundava por perto. As marcas sinalizadoras no chão, quando visíveis, eram pura e simplesmente ignoradas. As verticais faziam parte de um conjunto de ornamentos de passeio pois não lhe era reconhecida outra função. O código da estrada era um objecto de museu e as regras de trânsito definidas segundo os conceitos e conveniências de cada condutor. A ânsia do passar primeiro dominava tudo e todos. E cada dia era mais difícil passar primeiro pois cada dia havia mais gente a querer, à força, fazer parte dos primeiros.

A fila de carros que, até aí, rolava lentamente, parou de súbito. Começaram a ouvir-se buzinadelas. Num crescendo rápido, tornaram-se num verdadeiro concerto desafinado e sem maestro. Pensou com os seus botões: Se fosse a Vera a vir aqui neste pandemónio ainda era pior para ela. Suspirou, aliviado daquele indisfarçável mal estar que sempre sentia por ser ele, invariavelmente, a trazer o carro.

Abriu por completo a janela e espreitou a razão da algazarra. Mais à frente, dois homens - actores duma burlesca comédia - gesticulavam com frenesim. Olhou melhor e logo compreendeu: a traseira de um carro tinha sido beijada com violência pela frente de um outro. Apáticos e talvez a saborear aquele beijo fogoso, os carros esperavam pacientemente que os respectivos donos os descolassem. Uma multidão de mirones começou a rodear os protagonistas do espectáculo e imediatamente choveram palpites sobre quem tinha ou não razão. O tempo e a pressa, porém, falavam mais alto e o comboio de viaturas, depois de algumas manobras mais ou menos complicadas, lá se foi desembaraçando dos espinhos que aqueles dois amolgados carros provocavam. Dia sem acidentes não é dia, pensou. Pois era, este percalço fazia parte integrante do quotidiano. A grande luta - a dele e dos outros - era para não fazer parte activa do espectáculo. E depois era aquele sacrifício de amealhar uns cobres para a aquisição dum carro novo. Aquela luta mensal com o orçamento para lá caber a mensalidade do “stand”. Aquela ginástica que se fazia para que, do ordenado do costume, sobrasse o dinheiro necessário para a gasolina do mês. E aquele fastio dos seguros, dos impostos de circulação, das manutenções e de um rol de outras coisas que apareciam quando menos se esperava. Ter um acidente e ser considerado culpado era, para muito boa gente, a facada fatal no orçamento familiar. Mas quem não quer problemas, ou não compra carro ou deixa-o quietinho à porta de casa. Embalado por este pensamento, mudou de faixa com rapidez, acelerou e meteu a quinta.

O trânsito fluía agora rapidamente e a confusão de há pouco diluíra-se como por encanto. Em poucos minutos desembocou no beco traseiro do edifício onde trabalhava. Agora era o estacionamento, outra dor de cabeça de todas as manhãs... Felizmente, um espaço minúsculo entre duas viaturas aguardava ocupação. Eram as vantagens dos pequenos carros, em qualquer buraquinho se arrumavam. Apressou-se a apanhá-lo antes que algum outro esperto por ali aparecesse. Olhou o relógio. Faltavam ainda mais de vinte minutos para picar o ponto na repartição, tinha tempo de sobra para a bica e o jornal.

*
A bica matinal tinha lugar marcado no café em frente e a compra do diário no quiosque do senhor Arnaldo. E a conversa do costume também, invariável e repetidamente despejada entre o contar dos trocos: Bom dia senhor Ramalho! Tudo bem? Aqui tem o seu jornalinho e passe muito bom dia. Enquanto saboreava o café deitou uma vista de olhos pelas gordas. Era uma atitude mecânica, sabia que não ia encontrar nada de novo, o que ele nem sabia era porque continuava a gastar dinheiro no jornal. As notícias relatavam os acontecimentos do costume. Confrontos nos países Árabes. A facção de um Mohamed qualquer cortara relações com o grupo de um qualquer Mustafad. Judeus e árabes continuavam a amar-se como o cão e o gato. Prosperamente - oh ironia sádica!... - a fome no terceiro mundo proliferava. De outras fomes, mais recatadas e discretas porque noutros mais civilizados países, não falava o jornal. As potências, cada uma por seu lado, continuavam a puxar a brasa à sua sardinha. A economia mundial, os States e o Japão, o Bundesbank e a União Europeia, os dólares e os marcos, tudo entre os altos e baixos do costume, nada de novo, mandavam os de sempre e o resto era conversa. Por cá, na nossa portuguesa província, a constitucional maioria, democraticamente eleita, dava cartas. Palavras e “bluffs”, aventuras no escuro mal dissimuladas, só conversa, só conversa... Quem pode manda, quem manda pode... E, no meio destas trivialidades, lá aparecia um crime passional que, com duas ou três facadas mal dadas, tinha levado outros tantos para a esquadra ou para o hospital. Deteve-se numa notícia. O Porto vencera na véspera o eterno rival da capital, o Benfica, numa eliminatória para a Taça de Portugal. Já sabia do acontecimento mais do que dizia o jornal mas voltou a ler de alto a baixo. Tinha de atirar uns piropos ao colega Cardoso... Aquela águia ferrenha devia estar em pólvora!... Quando o clube dos seus amores perdia, ninguém o podia aturar. E o que ele, Ramalho, se deliciava a disparar umas setazinhas envenenadas sobre o desgraçado!... E era ver o outro a defender-se como podia, do caseirismo do árbitro ao roubo de uma grande penalidade, dos fora de jogo inexistentes a penalizar a equipa, da cacetada que fizera sair em maca um benfiquista ao disparate do esquema montado pelo treinador... Tudo valia para Cardoso, desaires da sua equipa é que não. Por certo o iria encontrar à secretária, branco como a cal e com umas grandes olheiras, consequência da ressaca da noite anterior. Depois do jogo, era certo e sabido, fora afogar as mágoas numa qualquer cervejaria e, depois do bucho cheio, descarregara em casa as sobras da mágoa. Seria sorte a mulher de Cardoso, colega de trabalho também, não aparecer maquilhada com uns vergões desenhados pela mão do marido... Os filhos, adolescentes espigados e astutos, teriam por certo feito uma noitada extra para fugir à sanha do pai e só regressariam a casa depois deste ressonar. Brandos costumes os nossos!... Mas, afinal, neste mundo tão derramado de candentes problemas e complicados assuntos, isto eram banalidades supérfluas, pormenores sem importância nem peso... Mas que ele tinha pena do Cardoso, lá isso tinha. Não passava de um pobre diabo, essa é que era a verdade. Com um ordenado miserável duplicado pela mesma miséria que era o ordenado da mulher, com os três filhos na escola a estragarem um par de ténis por quinzena, quantas vezes não o tinha visto, encostado ao balcão do “snack”, a almoçar um copo de tinto e um ou dois pastéis de bacalhau... As refeições magras eram o dia a dia. Dinheiro para um móvel ou para uma roupa nova e decente não havia. Divertimento era palavra desconhecida no vocabulário de Cardoso. Perdão, existia essa palavra mas escrita de uma outra maneira: Futebol. Mais concretamente, Benfica, pois futebol era Benfica e o resto eram lérias. E dinheiro para o futebol tinha de sempre haver nem que mendigado aqui e ali. Por mais de uma vez tinha visto Cardoso esgueirar-se por entre as secretárias da repartição, a prometer mundos e fundos em troca de uns míseros quinhentos paus que lhe faltavam para a compra do famigerado bilhete para o “derby” do domingo seguinte. A ele, Ramalho, também já lhe viera com a velha história da doença da mulher ou com a dos livros da escola dos filhos. Só que ele não alinhava nesses contos. Por isso, com determinação, sempre retorquira: Oh Cardoso, quem não tem dinheiro não tem vícios! Tu já viste os milhares que esses gulosos não ganham por mês enquanto tu nem ganhas para comer decentemente? Andas a roubar da boca da tua mulher e dos teus filhos para engordar essa mafia. E Cardoso, cabisbaixo, voltava a sentar-se à secretária, perscrutando em redor na mira de encontrar um pato a quem comover com a velha história. Mas que ele tinha pena do Cardoso, lá isso tinha. Esta vida era cá uma roda, cá uma engrenagem!...

Dobrou o jornal com um suspiro inaudível, pagou a bica e dirigiu-se para a repartição. Entrou no amplo hall, austero e frio, suportado pelos enormes pilares de pedra, todos decorados de alto a baixo, estilo manuelino ou coisa que o valha, e onde qualquer sapato, ao assentar no chão, desencadeava ecoantes trovões. Esperou o elevador que vinha a descer, carunchoso e trôpego de muitos anos de trabalho e pouca manutenção, em contraste vincado com aquela arquitectura rebuscada. Com um profissionalismo devoto e os escassos cabelos artisticamente penteados, a disfarçar a calva, o senhor Leal, o ascensorista, despachava clientes e os habituais cumprimentos pelos vários pisos do edifício. Bom dia senhor Ramalho, bem disposto? Mais um dia, tem de ser... Quando as paragens eram muitas e a viagem demorava, lá esticava a conversa como podia: Então que me diz deste tempo? É só frio e geada, chuva da boa nem vê-la. Se continuar assim vai ser uma desgraça. Olhe o meu poço já quase se vê o fundo. Qualquer dia já não tenho água para a minha horta. Quando chegar o Verão nem quero pensar. Isto é que vai uma crise!

Pois era. O senhor Leal era o ascensor e a horta. A horta de que falava no ascensor, o ascensor de que descansava na horta. E que grande horta! Ele era batatas, feijão, cebolas, couves, fruta... Até um pouco de azeite e vinho, no sequeiro para lá da horta. Tudo só para a casa e alguns amigos, fazia questão de dizer. Trouxe-lhe uma couve portuguesa e uma garrafinha de tinto lá das minhas produções. Acompanhe-me isso com um bom bacalhau e diga-me depois... O orgulho do senhor Leal era proporcional ao tempo e trabalho que dispensava à horta. Sim, porque ele trabalhava que nem um mouro, dedicava àquelas terras as horas de descanso, fins de semana e férias. E todo o trabalho feito a poder de braços, pois lá na quinta não era viável um tractor, ele também não tinha dinheiro para tanto. Mas o resultado estava ali, traduzido na qualidade e sabor daqueles deliciosos produtos, só superados pelo orgulho e satisfação do próprio senhor Leal.

Entre duas paragens do ascensor, acrescentava, em jeito de desabafo: Mas também, se não fosse a horta, tinha lá vencimento para certas farturas? E sabia do que comia, e isso era o mais importante. Sim, porque ele era contra os métodos modernos de agricultura. Lá na horta dele só se utilizavam os estrumes dos velhos tempos, não entravam essas coisas de agora de pôr adubo químico para aqui, pesticidas para ali, injecções nos vegetais... E depois têm uma alface feita em meia dúzia de dias. Sim senhor, muito bem! Mas depois comem a dita alface, que sabe a tudo menos a alface, e vão parar ao hospital no dia seguinte. Ou então não vão mas ficam para aí, nem doentes nem saudáveis, a queixar-se que andam intoxicados e sem forças, com dor de cabeça e azias... Isso é tudo por causa dessas modernices da agricultura moderna, cheia de produtos com aspecto formidável, calibração segundo regras internacionais mas de sabor diluído e efeitos duvidosos para a saúde humana. As coisas querem-se segundo a natureza...

Mas olhe lá, ó senhor Leal, acha que, com os métodos que usa lá na sua quinta, a agricultura era competitiva? E o senhor Leal respondia com um sorriso bonacheirão: Olha a novidade!... Mas por causa dos lucros é que andamos todos doentes e cansados, é a factura. Acredite no que lhe digo, amigo, a vida nunca se deu contra a natureza, mais tarde ou mais cedo a coisa paga-se!...
(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 06:24 PM | Comentários (1) | TrackBack

A fome é negra

... e vontade de comer é enorme...

Publicado por vmar em 06:20 PM | Comentários (1) | TrackBack

Os casamentos estão a diminuir em Portugal....

....porque a vidinha está cara, porque os cerimoniais e festanças dos casamentos estão cada vez mais caros (pelos menos os tradicionais), porque as metas profissionais estão a atrasar o dar-o-nó oficial, e ....por aí fora.

Dizem os especialistas que os portugueses gastam cerca de 20 mil Euros na cerimónia, o que faz com que a indústria dos casamentos gere, anualmente, mais de mil milhões de Euros de receitas, o equivalente a doze estádios de futebol do Euro2004.

E com esta notícia fiquei banzado.
Banzado com o dinheirito que se gasta no festim....e saber que, com esse dinheiro, se podiam fazer doze estádios!...
O nosso governo anda muito mal informado, ou então não sabe fazer contas.
Se eles soubessem disto faziam uma lei a proibir os casamentos durante um ano e, com a massa que se poupava, faziam os dez estádios e ainda sobravam uns valentes trocos para o governo ir de férias cá dentro e lá fora....

Publicado por vmar em 06:14 PM | Comentários (3) | TrackBack

Os meus pedidos de desculpa à autora

Os meus pedidos de desculpa à autora, Ana Marques, por não ter inserido, em devido tempo, no final do conto «A morte abreviada de Manuel Cardoso» a referência de que o mesmo faz parte de uma colectânea de contos premiada com uma Menção Honrosa na IV edição (2002) do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

A rectificação já está feita.

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Novo medicamento no mercado

Acabadinho de lançar no mercado...

Publicado por vmar em 04:26 PM | Comentários (4) | TrackBack

Foto espectacular

Está aqui esta foto espectacular editada pelo anomalias.
O autor sugere que a acompanhemos com "La Traviata, Verdi, acto I,"È strano, è strano! Ah, fors è lui", pela fabulosa Montserrat Caballé.
A não perder....

Publicado por vmar em 01:48 PM | Comentários (1) | TrackBack

Sol e calor é na Amareleja

Já nos habituamos a ouvir que o local mais quente de Portugal fica na Amareleja.
Agora ficamos a saber que a Amareleja é um um dos locais do planeta com maior número de horas com sol.
«Tá bem, e que é nós temos a ver com isso? Já sabemos que os alentejanos suam p´ra burro lá na zona...»
A notícia é que a Amareleja vai ter a maior central de energia solar do mundo!
Mais de 100 hectares de painéis solares fixos e móveis, vão produzir 64 "megawatts" de energia.
A título comparativo, a maior central solar do mundo na actualidade, dispõe de uma capacidade de produção de energia de apenas 5 Mw.
Esta instalação vai criar 150 empregos directos e mil indirectos.
Uma óptima noticia para a vila de Amareleja e para o concelho de Moura.

Publicado por vmar em 12:20 PM | Comentários (4) | TrackBack

Saídas à noite

Há gajos - e gajas... - que precisam de etiqueta quando saem à noite.



Aqui fica um modelo para quem dele necessitar...

Publicado por vmar em 01:01 AM | Comentários (4) | TrackBack

janeiro 07, 2004

Perspicácia visual - VI

Publicado por vmar em 11:45 PM | Comentários (0) | TrackBack

O bólide vermelho – I

O BÓLIDE VERMELHO


O carro deslizava velozmente pela estrada deserta àquela hora da noite. Apesar da velocidade sentia-se seguro. A máquina excedia todas as expectativas. Tivera um certo receio ao adquiri-lo, visto aquela marca ser desconhecida no país, mas fora uma aflição de poucas horas. Agora todo o seu ser, todo o seu ego, vibrava com o deslumbramento que provocava na via pública. O bólide vermelho tinha sido a estrela da noite no parque de estacionamento da discoteca onde tinha ido com a mulher. Um prazer colossal apoderou-se dele enquanto o carro abria caminho por entre as filas de arvores que corriam na névoa da noite. Sentia-se mais quente e cheio, mais forte e poderoso, e um irresistível sorriso, de pura satisfação, dançava-lhe nos lábios entreabertos. A vida era bela! Bela e fácil, sem curvas nem veredas apertadas. A vida era uma imensa e larga auto-estrada que lhe pertencia e onde ele voava.

Ao lado, suave e carinhosamente encostada nele, a linda mulher dormitava, por certo fatigada de tanto passos de dança. Mas ele, naquele momento, não queria saber de mais nada. Nunca sonhara que se pudesse atingir um grau de domínio e de êxtase como aquele que agora sentia, ao volante do seu novo carro. Nem quando fizera amor com a linda mulher agora adormecida. Vindo das profundezas, um som estranho, um “clique” prolongado, invadiu-lhe o subconsciente. Fez um esforço para afastar o intruso do caminho. Contudo, o som não se afastou. Pelo contrário, aumentou de intensidade. Era agora uma sucessão ritmada e frenética de “cliques” metálicos que lhe penetravam e enchiam os ouvidos. Em vão. Começou a entrar em pânico. Aquela noite não podia acabar assim. Ainda faltavam alguns quilómetros para chegar a casa. De repente, numa explosão com epicentro dentro da própria cabeça, tudo rebentou em mil estilhaços.

Abriu os olhos. Estava escuro. Uma luz ténue vislumbrava-se, ao alcance da mão, e um ruído execrável perturbava o silêncio do quarto. Estendeu o braço e, maquinalmente, desligou o despertador.

Virou-se de barriga para baixo e tentou ainda, nem que fosse por um momento breve, sentar-se de novo ao volante do carro que, poucos segundos antes, conduzia. Implacável, a realidade, feita de um tic-tac surdo de relógio, obrigou-o a olhar as horas. Suspirou. Levantou-se, pesaroso e cansado, e rumou para a casa de banho.

*

Ao fechar a porta do prédio procurou, com o olhar, o lugar onde deixara o carro estacionado de véspera. Por entre a névoa difusa que penetrava o estremunhado bairro, naquela manhã, lá descobriu o velho R5. Indiferente e prosaico, aguardava o passeio matinal. Mal disfarçados pelas gotas de geada que caíra durante a noite, adivinhavam-se, aqui e ali, escuros pontos de ferrugem. O pára-choques estalado e a amolgadela na traseira tinham o ar doído e cansado de duas velhas feridas. Abriu a porta com um safanão seco. Mal se sentou ao volante, logo uma sensação de desconforto lhe invadiu o corpo. Que frio e humidade no interior do veículo!... Como se não bastasse, aquele maldito banco, deformado pelo tempo e pelo uso, piorava de dia para dia. Mecanicamente introduziu e fez girar a chave de ignição. Para não variar, o carro só pegou à terceira. Abriu até meio o vidro da porta. Áspero, o ar da manhã eriçou-lhe o rosto e ajudou-o a acordar, de vez, para a rotineira viagem a caminho do trabalho.

O deslizar solitário do carro produzia um som estranho que cortava o adormecido silêncio das ruas ainda desertas. Mas, rapidamente, como assaltantes ágeis, outros carros desembocavam da direita e da esquerda e, pouco depois, era já uma fila compacta que engrossava mais e mais. As ruas enchiam-se de gente apressada, expelida das portas dos prédios altos e fechados. Gente que apertava os braços de encontro aos casacos grossos de inverno e corria, em passos miúdos e travados, para as paragens de transportes públicos. Quando alcançou o centro da vila, núcleos de pequenas multidões, ordenadas em comprimidas bichas, aguardavam, com impaciência mal disfarçada, os autocarros com número e destino marcado nas placas das paragens. Eram verdadeiros pelotões - de cujo exército ele também fazia parte - que todos os dias tomavam de assalto a capital, para mais um dia de trabalho.

Começou a chuviscar. Comprimido no lento comboio de carros que entretanto se formara, sem fuga nem opção possível, farrapos de pensamentos perpassavam-lhe pelo cérebro com a mesma insistência pegajosa, desordenada e miúda, da chuva que caía. Já passava agora das sete da manhã. Em casa, dentro em pouco, também o despertador daria a Vera o sinal de partida para mais um dia. Pobre Vera! Ela, que se tinha deitado tão tarde na noite anterior, atarefada com a roupa por engomar e a arrumação da cozinha... E logo ela, que andava tão cansada, com tanta necessidade de dormir... Um sentimento de piedade invadiu-o, tão doloroso quanto impotente. Revia o sacrifício de Vera para se levantar, a batalha surda entre o galgar dos ponteiros do relógio, entrevistos pelos olhos meio adormecidos, e o apelativo e quente aconchego da cama. E depois, para além de se aprontar, Vera teria de acordar o filho, Gonçalo. E este, como a maior parte dos miúdos, fazia as fitas do costume. Estava sempre cheio de sono e, para o fazer sair da cama, era preciso uma grua. Depois era o problema do vestir. Se Gonçalo ficasse sozinho acabaria no dia seguinte. Já sabia, Vera optava, irremediavelmente, por ajudar a abotoar os botões da camisa e os atacadores das botas, compor a camisola e apertar-lhe o cinto. Irremediavelmente, pois Gonçalo contava sempre com aquela “marmelada” matinal e Vera, em contrapartida, ia atrasar-se sem pena nem agravo. Claro, se fosse com ele a música seria outra!..., pensou, a sentir uma pontinha de orgulho, quase vaidade. Mas ele era pai, era homem, e Vera era como a maior parte das mães, um pouco fracas com os caprichos dos filhos. Claro que a mulher, se estivesse ali, a escutar-lhe os pensamentos, atalharia logo com aquela do machismo e as acusações do costume. Até parece que a estava a ouvir, que ele tinha a mania da superioridade masculina e uma maneira retrógrada de ver as coisas.

Tretas!... Seria?!... Ou existiria alguma ponta de verdade nas acusações de Vera? Não, ele sabia era impor-se. Impôr a sua masculina autoridade de pai. Com ele, o filho não abusava como fazia com a mãe. Essa é que era a verdade. E, para melhor reforçar a certeza dessa verdade – que lhe agradava mais que as dúvidas... -, pôs-se a pensar que não havia um único dia, lá em casa, sem drama ao pequeno almoço. Se não era o leite que estava quente era o pão que era duro. Revia os olhares de Vera para o relógio, cada vez mais insistentes e angustiados, os minutos mais rápidos, o miúdo mais mole e atrasado, os nervos mais comprimidos... Come. Despacha-te. Olha a carrinha que está a chegar. E, dentro em pouco, ameaça feita realidade, ouvia-se um apitar demorado. Era a carrinha do colégio, apressada e insistente. Já viu o que era se ficássemos cinco minutos à porta de cada miúdo à espera?!... Claro, claro, ela compreendia. Despacha-te. Bebe o leite. Frenética, em fracções de segundo, Vera ajuda Gonçalo a vestir o “kispo” e a pôr a mochila à costas e dita o sermão habitual: Porta-te bem. Está com atenção nas aulas. Vê se não te sujas. Cuidado para não caíres nem te magoares. Mas Gonçalo ouviria o recado nas escadas, que desceria a dois e três degraus, na ânsia de chegar à carrinha e aí contar a última novidade que aprendera ou mostrar a mais recente construção que tinha feito com os “legos”. Mas já Vera, no quarto do filho, alternava a sumária arrumação com resmungadelas surdas pois, como de costume, os cobertores semelhavam enrolados chouriços, o pijama jogava às escondidas com as almofadas espalhadas pelo chão e o procurado boné encontrava-se, afinal, pendurado no candeeiro da secretária. No meio desta correria, o cérebro de Vera procura, no banco de dados das congeladas existências alimentares da arca frigorifica, o que pode tirar para ir descongelando para a ementa do jantar. A acelerar, Vera mal tem tempo para enfiar um copo de leite pela garganta abaixo e trincar uma côdea de pão antes de fechar a porta do apartamento. A entravarem-lhe os passos, a pesarem-lhe nos pensamentos, as sombras negras das habituais dúvidas: O gás estará fechado? As torneiras não terão ficado a pingar? As janelas abertas ou fechadas? Já no elevador olha o relógio, falta meio minuto se o autocarro não vier atrasado, engole o último bocado de pão, mira-se no espelho, que alegria e que tristeza haver um espelho no elevador, aproveita-se para ajeitar o cabelo, retoca-se, com a ponta do dedo, o baton dos lábios, mas dá-se conta – e ainda o dia mal começou - como estamos com olheiras...

As mulheres são umas complicadas, não percebem que o espelho do elevador tem outras funções?!... E este trânsito que não anda mesmo... Ainda se o rádio do carro funcionasse!... Também Vera está agora à espera mas na paragem do autocarro, encolhida entre o frio e a chuva que lhe fustiga as pernas, uma entre tantos outros que olham, nervosamente, minuto após minuto, o movimento cadenciado dos ponteiros do relógio na esperança que o autocarro seja mais rápido. A chegada deste põe fim ao suplicio mas dá início a outra tragédia. Como é habitual, o autocarro vem a abarrotar. Por entre uns empurrões e uns pedidos de desculpa, Vera lá consegue um lugar. De pé, claro, pois lugares sentados pertencem ao passado. E assim, até chegar ao trabalho - onde passará sete compridas horas, excluindo a do almoço -, a equilibrar-se no meio daquela amálgama apertada de gente, por entre umas pisadelas, uns distraídos pedidos de desculpa, umas contorções de coluna por força de uma ou outra travagem súbita, Vera tem cerca de uma hora para meditar nos prazeres da vida moderna.

(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 09:01 PM | Comentários (4) | TrackBack

A controversa moda

A polémica moda que tem gerado uma onda de protestos em vários locais...
Em França, ao que consta, algumas escolas proibiram a calcinha descaída a mostrar a cuequinha. Ou, pelo menos, tentaram...

Por cá, não tenho notícia de grande celeuma; mas como é norma andarmos atrasados, a questão ainda não se deve ter posto....

O que acham vocês desta moda?

Publicado por vmar em 07:03 PM | Comentários (5) | TrackBack

A Origem dos 10 Mandamentos

Deus perguntou aos Gregos:
- Vocês querem um mandamento?
- Qual seria o mandamento, Senhor?
- Não matarás!
- Não, obrigado. Isso interromperia a nossa sequência de conquistas.

Então Deus perguntou aos Egípcios:
- Vocês querem um mandamento?
- Qual seria o mandamento, Senhor?
- Não cometerás adultério!
- Não obrigado. Isso arruinaria os nossos fins de semana!

Deus perguntou então aos Sírios:
- Vocês querem um mandamento?
- Qual seria o mandamento, Senhor?
- Não roubarás!
- Não obrigado. Isso arruinaria a nossa economia!

E assim Deus foi perguntando a todos os povos até chegar aos
Judeus:
- Vocês querem um mandamento?
- Quanto custa?
- É de graça.
- Então manda dez...

Publicado por vmar em 07:01 PM | Comentários (3) | TrackBack

Dança ao pôr-do-sol

Publicado por vmar em 05:55 PM | Comentários (0) | TrackBack

Viagens andam “presas”

Os portugueses viajaram menos no Verão do ano passado, tendo apenas 30,1% da população efectuado deslocações no país ou ao estrangeiro entre Junho e Setembro, revela esta quarta-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Estes números representam uma quebra de 4,1 pct face a igual período em 2002, reflectindo a crise económica que o país atravessa.

E pelo andar da carruagem para o próximo verão ainda vai ser pior.

Publicado por vmar em 02:12 PM | Comentários (2) | TrackBack

Mais 30 cêntimos por dia a partir de hoje

A partir de hoje os portugueses que ganham o salário mínimo, podem comer mais duas ou três carcaças por dia.
Não é possível quantificar o número exacto, pois neste momento, existem grandes divergências entre os produtores de cereais e a indústria panificadora, sobre a percentagem que incidirá nos aumentos das farinhas.

Uma coisa é certa, com mais uma “carcacita” ao almoço e outra ao jantar, os portugueses já não se podem queixar!!!....

Publicado por vmar em 01:49 PM | Comentários (4) | TrackBack

O governo ainda trabalha em escudos

O Governo errou ao inscrever na lei do Orçamento de Estado de 2004 os valores respeitantes à ecotaxa sobre os combustíveis. Conforme se lê no Diário da República de dia 31 de Dezembro, passaríamos a ter uma taxa de cinco cêntimos (0,05€) por litro de gasolina e 25 cêntimos (0,25€) por litro de gasóleo.
No entanto, o que o Governo pretende cobrar é 0,005€ (meio cêntimo) no caso da gasolina e 0,0025€ (em escudos, 50 centavos) no caso do gasóleo.
João Manuel Soares, o Secretário de Estado das Florestas, afirma que a confusão se deve à conversão de escudos para Euros. João Manuel Soares não adianta nenhuma data para a entrada em vigor desta ecotaxa e desvaloriza a «gralha» dizendo que não foi propositada.

Em virtude desta gralha governamental esta notícia está incorrecta.
E a prova que este governo anda atrasado, é que ainda faz contas em Euros!?...

Publicado por vmar em 01:27 PM | Comentários (2) | TrackBack

Portugueses perdem poder de compra em 2003 e 2004

Os portugueses que vivem do rendimento do trabalho assalariado não têm razões para grande optimismo. Segundo o Ministério das Finanças, a taxa de crescimento dos salários reais em Portugal terá sido negativa em 2003 (perto de menos um por cento) e continuará a sê-lo, pelo menos, este ano, prevendo-se que a recuperação do poder de compra aconteça apenas em 2005.
A estimativa relativa à evolução dos salários reais em Portugal está inscrita na actualização do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) para o período 2004-2007. O documento reconhece que "o crescimento dos salários registou, de facto, uma significativa desaceleração em 2003, reflectindo o congelamento de parte dos salários na função pública e a moderação salarial no sector privado". A análise vai de encontro ao tipo de políticas que o Banco de Portugal tem defendido e que voltou a sublinhar no Boletim Económico de Dezembro, ontem divulgado.
O texto reconhece, por outro lado, que o crescimento dos salários reais foi, no ano que passou, inferior ao da produtividade, o que contrairá a ideia de que o nível das remunerações do trabalho constitui o principal óbice à obtenção de ganhos de produtividade. Situação semelhante, de crescimento da produtividade acima dos salários, só se encontra nos anos de 1993 e 1994.

O futuro não se apresenta risonho!
A frase «o pior já passou» é uma miragem!
Lembram-se quem governava em 1993/94?

Publicado por vmar em 10:46 AM | Comentários (0) | TrackBack

Perspicácia visual - V

Com um abraço para o Francisco Nunes.

Publicado por vmar em 12:08 AM | Comentários (3) | TrackBack

janeiro 06, 2004

69 ou 96

69 ou 96 a escolha é vossa.

Publicado por vmar em 11:28 PM | Comentários (1) | TrackBack

Tornado em acção

Publicado por vmar em 09:20 PM | Comentários (3) | TrackBack

Cavalos na neve

Publicado por vmar em 05:49 PM | Comentários (2) | TrackBack

Pensamento do dia...

Alguns casamentos terminam bem.
Outros duram a vida inteira...

Publicado por vmar em 02:22 PM | Comentários (6) | TrackBack

Interpretações...

Um homem regressa a casa depois do trabalho.
A mulher pergunta:
- Sirvo-te?

Resposta do marido:
- Às vezes!

Publicado por vmar em 02:07 PM | Comentários (2) | TrackBack

O pessimismo continua....

Ainda agora o ano começou e as perspectivas pessimistas continuam...
Hoje foi o Banco de Portugal a rever em baixa o intervalo de crescimento do PIB para 2004.
O intervalo, na previsão anterior, do crescimento era de 0.0 a 2.0 pct; agora o banco prevê de 0.0 a 1.5 pct.
Em contrapartida a taxa de inflação sofreu uma reavaliação de sentido contrário.
Anteriormente, previa-se uma inflação estimada no intervalo 0.07 a 2.7 pct. Agora na nova avaliação o Banco de Portugal prevê, que ela possa oscilar entre 2.0 e 3.0 pct.
Em conclusão, prevê-se que o PIB desça e a inflação suba.

Onde está a retoma de que falava há dias o Primeiro Ministro?

Publicado por vmar em 01:58 PM | Comentários (0) | TrackBack

Opiniões coincidentes....

Um casal consulta um médico. Depois de observar a mulher, o médico diz para o marido:
- Não gostei do aspecto da sua mulher!

Resposta do marido:
- Eu também não, mas o pai dela é muito rico!

Publicado por vmar em 12:08 PM | Comentários (0) | TrackBack

O s portugueses são teimosos...

O país anda pelas ruas da amargura.
Anda o Primeiro Ministro a gastar saliva e a pregar para os peixinhos; já ninguém lhe “passa cartão”.
O homem assegurou que «o pior já passou!»; mas os portugueses, teimosos que são, continuam pessimistas.
Então não é que 47 por cento da malta acha que 2004 ainda vai ser pior do que o ano anterior!
Os crentes nas palavras iluminadas do chefe do governo ficam-se pelos 24 por cento.
O resto da maralha acha que 2004 vai ser como o “omega”; não adianta nem atrasa.
Esta sondagem pode ter sido efectuada antes do discurso do Presidente da República, onde ele advertia que 2004 tinha de ser o ano da mudança; o recado para o governo, como que a dizer que, o povo já não aguenta mais. Mas o povo é sábio, e já advinha que, apesar de bater palmas ao discurso, o governo, faz “orelhas de mouco” ao recado.
O povo não é parvo, à vezes anda é com falta de memória.

Publicado por vmar em 11:57 AM | Comentários (0) | TrackBack

Solidariedade feminina

Uma mulher colocou num jornal um anúncio que dizia:
- Procuro marido!

No dia seguinte recebeu centenas de respostas que diziam:
- Se quiser pode ficar com o meu!

Publicado por vmar em 11:02 AM | Comentários (2) | TrackBack

Pai da Internet vai ser feito cavaleiro

Tim Berners-Lee, o cientista que é considerado o pai da World Wide Web, vai ser nomeado cavaleiro pela rainha Isabel de Inglaterra, em reconhecimento "pelos serviços que prestou ao desenvolvimento global da Internet."
Tim Berners-Lee, de 48 anos, vive nos Estados Unidos mas é britânico. Desenvolveu em 1991 um "interface" multimédia para a Internet, que já existia há alguns anos, enquanto trabalhava no Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), na Suíça.
O objectivo era facilitar a comunicação entre os investigadores mas deu origem a um novo e poderoso meio de comunicação. Mas o investigador divulgou o seu trabalho livremente, sem registar patentes nem cobrar direitos de autor. Sem a sua invenção e esta disponibilização gratuita, não existiriam os endereços de Internet com www que se vulgarizaram durante a última década.

Sem o contributo deste senhor a weblog não existira.
Obrigado Tim Berners-Lee!

Publicado por vmar em 10:26 AM | Comentários (0) | TrackBack

Perspicácia visual - IV

Publicado por vmar em 12:28 AM | Comentários (4) | TrackBack

janeiro 05, 2004

A Justiça Inquinada ou A Lenda do Homem que Fintou a Cabala

Esta é a estória de um homem, arguido num processo, que conseguiu, em pleno tribunal, vencer a cabala contra ele armada pelo verdadeiro culpado e por um magistrado venal. Se havia advogados sabidões, testemunhas ou cartas anónimas ao barulho, disso não reza a história...

Ei!... Alto e pára o baile. Não, não é nada do que estão para aí a pensar. Trata-se apenas de mais uma pequena narrativa, enviado por uma amiga minha.
Desta vez são dois “chuacs” de agradecimento para a minha amiga. Um pela estória em si. Outro pelo trabalho que ela teve com o conto, pescado lá nos Brasis e tão cheio de brasileirismos que, se não fosse o duche que ela lhe deu, mais parecia a letra de um samba.

Aqui vai, lavadinha e maquilhada à luso-portuguesa, a parábola (de autor anónimo): Inocente ou Culpado.

Conta uma antiga lenda que, na Idade Media, um pobre homem foi injustamente acusado de ter assassinado uma mulher. Na verdade, o autor era um Senhor influente do reino e, por isso, desde o primeiro momento se procurou um "bode expiatório" para esconder e pôr a salvo o verdadeiro assassino.

O homem foi levado a julgamento, já temendo o resultado previsível: a forca. Ele, que era pobre mas não era parvo, sabia que tudo iria ser feito para o condenar e que teria poucas hipóteses de sair vivo daquela embrulhada.
O juiz, que também estava combinado para levar o pobre homem à morte, simulou um julgamento justo, fazendo uma proposta ao acusado no sentido deste provar a sua inocência.

Disse o Juiz: "Como toda a gente sabe, sou uma pessoa muito devota, vou à missa e comungo todos os dias, por isso vou deixar a sorte do réu nas mãos de Deus: vou escrever num pedaço de papel a palavra INOCENTE e no outro pedaço a palavra CULPADO. E acrescentou o Juíz, dirigindo-se ao réu: “Nesse sentido, você escolherá um dos papéis e aquele que sair será o veredicto. Assim, Deus Pai decidirá o seu destino."

Sem que a assistência percebesse, o juiz preparou os dois papéis, mas em ambos escreveu CULPADO de maneira que, naquele instante, não existia nenhuma chance do acusado se livrar da forca. Não havia saída. Não havia alternativa para o pobre homem.

O juiz colocou os dois papéis dobrados em cima da mesa e mandou o acusado escolher um. O homem pensou alguns segundos e, pressentindo a tramoia contra ele armada, aproximou-se da mesa, pegou um dos papéis, meteu-o rapidamente na boca e logo o engoliu.

Os presentes ao julgamento reagiram surpresos e indignados com a atitude do homem.
- "Mas o que você fez?!... E agora? Como vamos saber qual o seu veredicto?", perguntou o Juíz.
-"É muito fácil", respondeu o homem. "Basta olhar o outro pedaço de papel que sobrou. Logicamente, no papel por mim escolhido, e que engoli, estava escrito o contrário."

Sem argumentos, o juiz mandou libertar o homem.

Publicado por vmar em 11:31 PM | Comentários (4) | TrackBack

«A actualidade de cabo a rabo. Com ironia!»

Lá na esquina do Largo da Aguardente, donde o Luís (Placard) observa, de cabo a rabo, o que se vai passando neste nosso luso rectângulo, saem uns textos satíricos, com um humor muito “sui generis” e que bastante me divertem.
Por isso não resisti a comentar o assunto aqui.

Diz ele que (entre outros mimos) O problema da economia portuguesa não é produtividade. É criatividade!. Acrescenta que O futuro está na educação dos filhos. E vai descascando neste nosso país fora de prazo.

Ou então na versão irmã.

Publicado por vmar em 07:57 PM | Comentários (3) | TrackBack

Que tipo de desporto é este?

Sete feridos em confrontos entre claques do Benfica e Sporting

Sete jovens, seis rapazes e uma rapariga, com idades entre os 18 e os 23 anos, ficaram feridos esta madrugada devido a uma rixa entre claques do Benfica e do Sporting, ocorrida na estação ferroviária de Santa Apolónia. Três adeptos sportinguistas foram golpeados e continuam internados em estado grave.

Isto é a nova táctica do futebol?
Isto é clubismo?
São isto as claques?
Isto é uma forma de futebol activo?
Aonde vamos parar com estas actuações?

Convém lembrar que estes actos não são situações isoladas, mas resultado de um movimento de grande tensão que agita o mundo futebolístico na actualidade.
A guerra verbal dos dirigentes, a tentativa de coacção pelos treinadores, o jogo violento durante os derbys pelos jogadores, as hostilidades inter clubes, a questionabilidade permanente da arbitragem, a pressão sobre as massas associativas, a necessidade de resultados satisfatórios, etc. tudo isto contribui para estas cenas indignas no mundo do futebol.
A este ritmo de escalada de violência aliado à má qualidade do espectáculo, o futebol tem os dias contados em Portugal.

Publicado por vmar em 06:31 PM | Comentários (2) | TrackBack

A ATTAC.PT tem um blog

A ATTAC.PT tem um blog.

Foi criado o weblog Grão de Areia, que se espera que seja um óptimo veículo de informação e debate. Será assim, de forma mais fácil e exequível, a actualização, a transmissão e acesso de informação e conhecimento entre todos. Para tal, e ampliando a discussão, é necessário o contributo de todos. Contribui!

Publicado por vmar em 05:43 PM | Comentários (0) | TrackBack

Para bloguistas com QI elevado

Para os bloguistas que queiram avaliar o seu QI (Quociente de Inteligência), aqui fica um pequeno teste.
Podem comentar os resultados sem pudor.
Prometo apagar qualquer vaia que por aqui surja! ( onde é que eu já ouvi algo parecido?)

Publicado por vmar em 05:32 PM | Comentários (4) | TrackBack

A Morte Abreviada de Manuel Cardoso – V

(continuação)


Cardoso limpou devagar os olhos húmidos com a palma da mão e depois ajeitou com cuidado as pequenas tábuas com que estava a construir o brinquedo para a neta. Desde que metera mãos à obra - e já ia adiantada - não havia dia nenhum em que não se lembrasse do abraço e da voz rude do subchefe de Redacção: «Você merece, oh Cardoso!»

Levantou-se. De vez em quando sentia aquilo, uma dificuldade em respirar, uma opressão no peito. A mulher afligia-se, a filha repetia que talvez fosse psicológico, mas, tanto uma como outra, insistiam para que ele fosse ao médico. Desabotoou alguns botões do casaco do pijama e massajou devagar, à altura do coração. Sentia-se oprimido. Como se tivesse uma tristeza grande.

Foi até à janela. O sopro do respirar esforçado bateu nos vidros fechados e embaciou-os, formando uma cortina opaca que se interpôs entre ele e a rua, indefinindo e distanciando tudo o que se avistava lá fora. Abriu a janela com um safanão e logo o vento frio do inverno lhe fustigou o rosto crispado e arrepiou o peito meio descoberto. «Este inverno nunca mais se some de vez», gritou, entre dentes, e fechou com raiva a janela.

Começou a dormir mal. Acordava a meio da noite, dava duas ou três voltas na cama, virava-se para um e outro lado, mas depois tinha de se levantar. Era aquela falta de ar, aquela dificuldade em respirar. Ia até à cozinha, às vezes comia qualquer coisa, aquilo passava ou então sentia-se mais aliviado e voltava para a cama. Talvez a filha não andasse muito longe da verdade. Devia ser coisa psicológica, que era uma maneira moderna de se dizer que era cisma. É certo que ele nunca fora homem de cismas. E nem de doenças ou achaques. E nem de médicos. Mas, quando o inverno levantasse, havia de ir a uma consulta. Ou então dar umas voltas por aí, para espairecer e emagrecer um pouco. Sim, emagrecer, porque desde que se reformara - até custava a entender!... - não comia quase nada, mal petiscava qualquer coisita e estava a ficar gordo, com a cara papuda e os braços balofos.

Com a chegada da primavera e dos primeiros calores, que vieram de repente, a opressão agravou-se. Aquele bafo quente que saía da terra a acordar, espreguiçando-se ainda da sonolência do inverno mas já a rebentar de seiva, de flores e de frutos germinados, parecia asfixia-lo. Aquela electricidade que pairava na atmosfera, coalhada de nuvens e de trovoadas, não o deixava respirar.

Já tinha ido ao médico que o mandara fazer uns exames e umas análises, alguns já tinha feito mas os resultados demoravam, outros ainda nem tinha ido marcar. Agora, já quase que nem conseguia dormir. Recostava-se numa cadeira de descanso que punha na varanda e ficava para ali a contar as estrelas e a sentir os ruídos que quebravam o silêncio da noite: um carro ou outro que passava, um cão que ladrava na rua, gente que às vezes falava fora de horas. Corria-lhe pelo pensamento um enredo de coisas a despropósito. O ribombar da voz do subchefe de Redacção, o “Bulldozer”, misturava-se com o falar sinuoso e escorregadio do Engenheiro Gomes e com as conversas animadas da rapaziada lá da empresa. As vezes nem sabia se estava acordado se a dormir. Via-se de novo encostado às mesas de montagem, confiando os segredos da arte aprendida na experiência de muitos anos, dos tempos em que tudo era ainda a chumbo e mais complicado de fazer, aos gráficos mais jovens e inseguros. Tantos que tinham aprendido com ele! Alguns tinham-se tornado profissionais briosos e competentes. O Zé Fernandes, por exemplo, e outros, muitos outros. Onde estaria a gravura que o Director lhe tinha dado na festa comemorativa dos cinquenta anos do jornal? Sem dúvida arrumada numa gaveta, junto ao álbum das fotos e a outras lembranças que se vão guardando como sinais da vida.

Não foi difícil encontrar a caixa com a gravura. Premiu o fecho metalizado com um “clique” leve e seco e a caixa abriu-se. Lá estava a gravura, aconchegada entre o almofadado cor-de-vinho, escurecida pela luz fraca do candeeiro do móvel. Olhou-a com o ar admirado com que se observa uma coisa conhecida mas que se não vê há muito. Passou-lhe a mão por cima e sentiu as rugosidades com a ponta dos dedos. Afinal, era mais leve e pequena do que lhe parecera ao recordá-la. Sem aviso, um relâmpago entrou pela janela e feriu a obscuridade da sala. Cardoso levou as duas mãos ao peito, num sobressalto, contraindo contra ele a caixa e a gravura. Era de novo aquela falta de ar, agora mais aguda e urgente. Ao longe, esmorecido e distante, perdia-se o ruído do trovão.

A tactear as paredes, encalhando nas arestas dos móveis, aos tropeções, Cardoso conseguiu chegar até ao quarto e atirou-se para cima da cama. A caixa e a gravura, cada uma para seu lado, caíram no chão sem ruído, amortecidas na queda pela lã do tapete. A mulher de Cardoso acordou assustada e acendeu a luz.

*

A notícia da morte de Cardoso deixou toda a gente consternada lá na empresa. «Ainda há tão pouco tempo andava ele por aqui cheio de saúde!...», repetiam os gráficos, a olhar à volta, como se acalentassem alguma vaga e secreta esperança de o ver aparecer de novo por entre as mesas de montagem. «Ainda nem fez um ano que ele se reformou...», acrescentavam, a abanar a cabeça.

No velório, Zé Fernandes abeirou-se da viúva e perguntou, num murmúrio, tolhido pelo medo respeitoso da presença da morte:

«Foi do coração?»

A mulher de Cardoso acenou afirmativamente com a cabeça.

«Tão seu amigo que ele era, o meu pobre Manuel», lamentava-se ela, por entre lágrimas, segurando devagar as mãos de Zé Fernandes. «De si e de tantos colegas lá da empresa.»

Demorou-se algum tempo agarrada ainda às mãos do antigo companheiro de trabalho do marido, e depois acrescentou, numa lucidez angustiada:

«E eu que fiquei tão feliz quando soube que ele se tinha reformado... Como me enganei!... O meu pobre Manuel aborrecia-se muito por não ter nada de importante para fazer... Por mais coisas que ele inventasse para queimar o tempo, sentia-se muito sozinho... Sentia-se um inútil, um inútil!... Nunca se conseguiu habituar, o meu pobre Manuel. Foi decaindo dia após dia, entrou naquela tristeza. Foi isso que o matou!»

E ficou-se a repetir, numa explosão incontrolável de lágrimas: «Foi isso que o matou! Foi isso que o matou!»

Fim

anamar - 1989

Este conto faz parte de uma colectânea premiada com uma Menção Honrosa na IV edição (2002) do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.

Publicado por vmar em 04:17 PM | Comentários (1) | TrackBack

O sonho dos alquimistas

António Magalhães explica de uma forma simples o sonho dos alquimistas.
O sonho que tem levado o homem ao longo de muitos séculos a grandes experiências e a alguma trafulhice.
Obter ouro ou prata a partir de outras ligas, foi a meta a que alguns se propuseram, desde tempos longínquos.
Um artigo muito interessante, com uma linguagem acessível ao comum dos mortais.

Publicado por vmar em 02:32 PM | Comentários (0) | TrackBack

Portugal é o 6º melhor país para as crianças

Portugal é actualmente o 6º melhor país para as crianças, num total de 80 países analisados pela Population Connection, uma organização norte-americana.
Portugal em termos de Saúde recebe um «A-», quando considerado que a esperança média de vida é de 76 anos, a taxa de mortalidade materno-infantil é de 8% e a infantil 5,84%. Nos índices de educação e cuidados sanitários básicos, o nosso país também foi avaliado com um «A», o mesmo se verificando com o uso de contraceptivos: 66% das mulheres portuguesas casadas entre os 15 e os 49 anos usam alguma forma de contracepção.

A minha alma está parva com este resultado.
Acho este estudo muito lisonjeiro para a nossa qualidade de vida.
Será que não houve nenhum engano?!....

Publicado por vmar em 01:34 PM | Comentários (1) | TrackBack

A crise no Paraíso...

Um alemão, um francês, um inglês e um português comentam sobre um quadro de Adão e Eva no Paraíso. O alemão disse:
- Olhem que perfeição de corpos: ela esbelta e espigada, ele com este corpo atlético, os músculos perfilados... Devem ser alemães.
Imediatamente, o francês racionou:
- Não acredito. É evidente o Erotismo que se desprende de ambas as figuras... ela tão feminina... Ele tão masculino... Sabem que em breve chegará a tentação... Devem ser franceses.
Movendo negativamente a cabeça, o inglês comenta:
- Nem pensar! Notem... a serenidade dos seus rostos, a delicadeza da pose, a sobriedade do gesto. Só podem ser ingleses.
Depois de alguns segundos mais de contemplação, o português exclama:
- Não concordo. Olhem bem: não têm roupa, não têm sapatos, não têm casa, só têm uma triste maçã para comer, não protestam e ainda pensam que estão no Paraíso.

Publicado por vmar em 09:33 AM | Comentários (0) | TrackBack

Argumentação económica….

Um casal está a jantar num restaurante da moda quando aparece uma rapariga deslumbrante que se dirige à mesa deles, dá um beijo apaixonado ao homem e, antes de ir embora, garante-lhe que fica "à espera no sítio do costume".
Depois disto, a mulher enfurece-se e tira satisfações:
- Quem diabo era aquela tipa?
- É a minha amante - responde o marido, pouco ou nada atrapalhado.
- Esta foi a gota de água! Quero o divórcio!
- Compreendo, querida. Mas lembra-te que se nos divorciarmos acabam-se as compras em Paris, os
invernos nas Caraíbas, os verões em Itália, o Porsche na garagem e o iate na marina. A decisão é tua...
Nesse momento entra um amigo do casal no restaurante, acompanhado por uma loura estonteante.
- Quem é aquela mulher que está com o Bernardo? pergunta a mulher.
- É a amante dele. Quem havia de ser?
- A nossa é muito mais bonita...

Publicado por vmar em 09:26 AM | Comentários (1) | TrackBack

Posts e palavras do dia

Hoje o dia ( melhor dito, a tarde e a noite) dos blogues foi muito homogéneo...futebol prá aqui, futebol prá ali...

Palavras escritas e comentadas um pouco por todo o lado
O jogo - O futebol – Sporting – Benfica – Ganhámos – Perdemos - O arbitro - O penalti - A catedral - O João Pinto - O Simão – O Engenheiro – O Camacho – O....
Foi só futebol....

Perdão, não foi só futebol, mas quase.
Antes deste derby o outro caso do dia “O Blogger”. Discutiu-se culpas e desculpas. E o tema não acabou. A discussão parece que vai continuar...

Publicado por vmar em 01:24 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 04, 2004

Enfim...cheguei!

Foi um fim de semana stressante!
Ontem fui ver um PC de uns amigos que não “mugia nem tugia”. Apesar da comprida viagem não consegui resolver o problema: tudo indicava que a fonte de alimentação tinha ido para o “galheiro” – se calhar por culpa da EDP. Assim tive de trazer o “caixote” para ver se o punha a “falar”.
Hoje, antes do almoço, reparei que os meus links ao blogspot não funcionavam.
A seguir ao almoço recebo um mail do Carlos Alberto a dizer que não conseguia entrar no seu blogue e a indagar maneira de resolver a questão. Foi então que comecei a ver os posts do Paulo Querido e do Rui sobre a anomalia que reinava no blogger. Passado um bocado consegui entrar em dois ou três blogues do blogspot e deduzi que o problema estava resolvido.
Assim coloquei um post a avisar a comunidade que já havia acesso ao blogger.
Logo a seguir tive de sair para resolver um problema de sintonia de Tv num familiar e já não voltei. Tinha combinado com o meu amigo técnico de informática para confirmar a anomalia da fonte de alimentação no PC e a sua substituição. Assim, durante muitas horas, fiquei desligado dos blogues.
Depois de reparado o PC, no caminho de casa tropecei na Sport TV. Eu também gosto de FUTEBOL. Reparem que escrevi em maiúsculas!. Mas não gosto das cenas entre claques que aconteceram antes do jogo. Não gosto de atitudes indignas de profissionais do futebol que se passam no campo e arredores. Não gosto dos nomes que os espectadores do futebol chamam aos atletas durante os jogos. Não gosto....de muitas outras coisas. Mas gosto de FUTEBOL . Aliás estou a pensar em deixar de ver os jogos cá do burgo e passar a ver só os de Espanha ou Inglaterra.
Conclusão: só há pouco cheguei a casa e olhei para este PC.
Vi que, depois de me ter ido embora e contra o meu anúncio, meio mundo continuava a não aceder ao blogger. Se bem que um ou outro anunciava que já acedia à maior parte dos blogs.
Pela informação errada peço desculpa – fui a ânsia de avisar este mundo e apertado pelas combinações já efectuadas que originou uma informação não devidamente confirmada.
Neste momento, os acessos que experimentei ao blogspot funcionaram todos....mas já não digo nada!

Publicado por vmar em 10:38 PM | Comentários (6) | TrackBack

Elefantinhos prá Mimi

Mais elefantinhos prá Mimi da Ana.
E muitos beijinhos também...

P.S. “mea culpa” por ter esquecido a Mimi. Peço muita desculpa!
Respondo à Sara no local correcto.

Publicado por vmar em 09:52 PM | Comentários (1) | TrackBack

Aleluia, o blogger já responde!

Depois da comunidade bloguista ter andado à nora, enfim o blogger já é visível.
Os links para os blogs do blogger já funcionam.
Aleluia...

Publicado por vmar em 04:15 PM | Comentários (7) | TrackBack

Elefantinhos prá Sara

Mais elefantinhos prá Sara da Ana.
E muitos beijinhos também...

Publicado por vmar em 03:34 PM | Comentários (2) | TrackBack

A Morte Abreviada de Manuel Cardoso – IV

(continuação)

À medida que o inverno avançava, envolvendo os seres e as coisas num anel de frio e mirrando os dias, cada vez mais escurecidos, Cardoso foi-se desabituando de sair.

Tomava o pequeno-almoço e deixava-se ficar de pijama e chinelos, a arrastar-se devagar pelas três assoalhadas da casa, espreitando, de tempos a tempos, com o nariz colado aos vidros fechados das janelas, o vento que abanava as copas das árvores e levantava, no ar, remoinhos de folhas secas. Que inverno ventoso e frio aquele!... De vez em quando ia até à sala, ligava a televisão e ficava a olhar, distraído, enquanto o grande relógio de parede cantava monotonamente as horas que passavam.

No fim da manhã levava a televisão para a cozinha e, enquanto petiscava qualquer coisa que a mulher lhe tinha deixado meio cozinhada de véspera, ficava a ver a telenovela brasileira da hora do almoço. Tinha-se tornado um hábito. E também a da noite, que ele costumava ver, depois do jantar, sentado no sofá da sala, em companhia da mulher. Agora conhecia os personagens e estava por dentro de toda a trama das histórias. Se lá a rapaziada da empresa soubesse que ele, agora, andava a ver telenovelas, o que não se iriam rir dele, os malandros?!..., pensou de si para si. Mas também não iam saber, que ele não estava a pensar contar-lhes tal coisa, e assim, pelo menos, distraía-se um pouco com aqueles enredos.

Depois do almoço, então, Cardoso vestia-se para ir à rua beber café. As vezes deixava-se ficar mais um pouco, sentado à mesa solitária, a ler as páginas abandonadas de um qualquer jornal. Ou encostado ao balcão, em três dedos de conversa com o empregado e um ou outro conversador de ocasião que aparecesse por ali. Mas, àquela hora do dia, na zona onde morava, não eram muitas as pessoas conhecidas que ele podia encontrar, abalado que tinham, logo de manhã, para os empregos dos quais só regressavam à noite. E as ruas e cafés do bairro ficavam todo o dia meio adormecidas, silenciosas e paradas.

Cardoso voltava para casa a respirar com esforço, oprimido por um tédio que se ia enredando nele como uma teia.

Jogava-se então a diversas coisas que tinha descoberto em casa para arranjar e fazer. Nas semanas anteriores, já tinha construído a bancada para as flores da mulher, substituído tomadas que não funcionavam e até tinha forrado, a papel de veludo, as gavetas do móvel antigo que estava no corredor. Faltava agora deitar mãos ao brinquedo para a neta - uma casinha em madeira para as bonecas - mas esse tinha tempo, ia ser um presente de aniversário e ainda faltava mais de um mês.

Com o caminhar do inverno, que juntou ao frio e ao vento uma chuva fina e afiada, começou a aborrecer-se de toda aquela trabalheira de se vestir por tão pouco, ir ao café num instante e, ainda por cima, regressar tão friorento e com os pés tão molhados. Passou, então, a fazer café em casa, numa máquina que possuía há anos e que raramente utilizava.

A noite, quando chegava a casa, a mulher afligia-se de o ver ainda de pijama e com a barba por fazer.

«Vê lá se te vestes e vais arejar», dizia-lhe ela, preocupada.

Cardoso franzia, ao de leve, as sobrancelhas, chegava-se até à janela, alongava os olhos rua fora, através dos vidros, e remoía: «Que raio de inverno que este ano temos!...»

*

A casinha de bonecas para a neta meteu projecto de papel, lápis e régua. Durante várias tardes, desenhou e apagou. Insatisfeito, voltou a desenhar, corrigiu, retocou. Finalmente, olhou com prazer o esboço do brinquedo. Não estava nada mal, não senhor!... Meteu as mãos nos bolsos e assobiou o ritmo alegre de uma música conhecida. Era um hábito muito dele: quando acabava qualquer coisa que lhe tinha exigido esforço ou quando chegava a qualquer conclusão ou decisão, metia as mãos nos bolsos e assobiava. Lá na empresa era a mesma coisa. As vezes calhava ter à frente uns textos e uns títulos para montar numa página de jornal que não cabiam ou não jogavam bem. Ficava a olhar para aquilo, a ver mentalmente as várias hipóteses que tinha, as várias decisões que podia tomar. Reduzir? Passar a outro corpo? Alinhar tudo à esquerda? Ficava-se a pensar e depois, num relâmpago, via ali, inteirinha, a solução de todo o problema. Assobiava, aliviado e feliz, e jogava-se ao trabalho.

Orgulhava-se de sempre ter sido habilidoso. Quando aparecia algum trabalho mais difícil ou complicado lá na empresa, já sabia, era a ele que o entregavam. O subchefe de Redacção, Joaquim Teodoro, conhecido entre o pessoal pelo “bulldozer”', numa provável dupla homenagem ao físico entroncado e à “delicadeza” arrasadora do feitio, era ainda mais parco de elogios que de sorrisos. Era irascível, aquele Teodoro!... E exigente, exigente até ao pormenor!... Por isso, um elogio vindo da boca dele tinha mais peso que uma dúzia numa boca qualquer. Parecia que ainda o estava a ver... No fecho do jornal, lá estava ele na montagem, ao lado dos gráficos, possante e carrancudo, respirando ruidosamente sobre as páginas quase prontas do jornal, amassando entre os lábios um cigarro esquecido e meio apagado. De vez em quando, explodia num grito troante como um canhão: «Isto aqui não presta!». E quando algum gráfico, menos habilidoso ou mais desajeitado, tardava no arranjo pretendido ou na emenda necessária, logo os olhos de Teodoro, agitados, varriam toda a montagem à procura de Cardoso. E quando ele chegava perto, o “bulldozer” acalmava um pouco e pedia, numa impaciência suplicante: «Oh Cardoso, salve-me isto aqui.»

Tinha sido o subchefe de Redacção o primeiro a abraçá-lo na festa em que comemoraram os cinquenta anos do jornal. Tinha sido uma festa linda!... No fim do almoço, o Director falou que ia lembrar alguns nomes, entre presentes e ausentes, cujo trabalho e dedicação muito tinham contribuído para que aquela casa e aquele jornal fossem o que eram. E com que surpresa Cardoso ouviu o nome dele ser chamado! Nem queria acreditar!... E, depois de ter recebido das mãos do Director uma lembrança comemorativa - uma gravura com o nome do jornal dentro de uma caixa almofadada - quando já voltava para junto dos colegas gráficos, sentiu uns braços fortes que o apertavam e uma voz que lhe segredou, numa rudeza mesclada de emoção: «Você merece, oh Cardoso». Era Joaquim Teodoro, o ”Bulldozer”. Ele ainda retorquiu: «Gosto de caprichar no trabalho». E, se não fosse porque um homem não chora, e muito menos um homem da idade dele, ah, naquele momento tinha deixado que lhe assomasse aos olhos uma lagrimazinha...

(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 03:02 PM | Comentários (3) | TrackBack

Parqueamento e direitos dos peões

"Entre os objectivos do parqueamento pago está o do controlo dos veículos estacionados de tal forma que atentam contra o conforto e a segurança dos peões, e é nessa medida que a ACA-M - uma organização em cujo objecto social se inclui a preocupação com o civismo rodoviário - tem um legítimo interesse em garantir que os condutores de veículos ao serviço do Estado não pratiquem impunemente infracções graves, tais como o estacionamento sobre os passeios ou em passadeiras de peões", lê-se no comunicado da ACAM-M, assinado pelo seu presidente, Manuel João Ramos.
Tudo isto a propósito de uma directiva da Direcção-Geral dos Impostos (DGCI) que distribuiu um ofício-circulado aos seus dirigentes e responsáveis de serviços locais, em que isenta de multas de estacionamento os veículos em serviço do Estado. O ofício surgiu depois do carro do director-geral dos impostos ter sido, em Setembro passado, bloqueado, rebocado e retido vários dias por a EMEL exigir a respectiva multa contra a opinião do director-geral.

Em nome de que moralidade pode o Estado exigir o cumprimento das leis quando o próprio Estado é o prevaricador?

Publicado por vmar em 02:52 PM | Comentários (5) | TrackBack

Em busca de calor

Publicado por vmar em 12:35 AM | Comentários (0) | TrackBack

janeiro 03, 2004

A nova política nos combustíveis

Em portaria publicada no último dia do ano de 2003, o Governo aumentou em um cêntimo o imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) que incide sobre a gasolina sem chumbo.
O regime de preços livres entrou em vigor no primeiro dia do ano e, agora, toda a lógica do mercado mudou.
Como se tal não bastasse, o IVA subdivide-se agora pela petrolífera e pelo revendedor, incidindo sobre a margem deste último. Ora, em termos médios, os donos dos postos de abastecimento ganham três cêntimos por litro na venda de combustíveis, valor normal para contratos de concessão no mercado português. Agora, o IVA vai "roubar-lhes" cerca de um cêntimo por litro.
Segundo fonte do sector, muitas petrolíferas poderão ainda não se ter apercebido que, no dia da passagem de ano, o Governo publicou a portaria que mexeu no ISP (de 0,507 euros por litro para 0,517,). De qualquer forma, no actual cenário de liberalização, as companhias e concessionários podem mexer nos preços em qualquer dia ou hora.
A pressão para a alta dos preços aumentará ainda quando for aplicada a ecotaxa nas gasolinas (0,050 euros) e nos gasóleos (0,025 euros). Por enquanto, desconhece-se a data para a sua aplicação.

O que acontecerá a partir de agora?
Vão os preços ter tendência a subir?
Vão funcionar as leis da concorrência?
Com a valorização actual do euro a gasolina não deveria descer?
Qual o papel do estado no controlo de preços?
Haverá tendência para cartelização no sector?
Haverá políticas regionais das distribuidoras?
Regiões sem concorrência serão penalizados?
Caminharemos para uma situação idêntica à espanhola?
Formar-se-á com o tempo um mercado ibérico?

Ninguém tem a verdade à mão, mas aqui encontra algumas respostas às dúvidas colocadas.

Publicado por vmar em 11:20 PM | Comentários (1) | TrackBack

3 de Janeiro de 1960

Álvaro Cunhal e mais meia dúzia de presos políticos fugiram do Forte de Peniche.

Um rude golpe no “sistema” em vigor.
Um buraco na organização pidesca.
Uma mancha no estado Salazarista.

Publicado por vmar em 10:11 PM | Comentários (2) | TrackBack

Olhares...

Publicado por vmar em 08:30 PM | Comentários (3) | TrackBack

A reforma, o envelhecimento, a imigração e as contas do Estado

A sedução da reforma - Travar a saída do mercado de trabalho, pela penalização dos que se reformam antes da idade legal e pelo investimento no "envelhecimento activo", é uma das directivas do Plano Nacional de Emprego 2003-2006 (PNE). O objectivo é atingir, em 2010, um aumento de cinco anos da idade média de reforma da União Europeia, estimada em 59,9 anos.
O Ministério da Segurança Social e do Trabalho (MSST) introduziu já algumas medidas que procuram dificultar a antecipação da reforma.
Continente grisalho precisa abrir as fronteiras aos estrangeiros, porque está cada vez mais velha.
Emprego até aos 65 - O previsível colapso dos sistemas de Segurança Social na Europa ditou o aumento da idade da reforma em alguns países.
Imigração equilibra contas nacionais - Comparando todas as despesas que o Estado tem com os imigrantes - em termos de Saúde, Educação, Justiça, Emprego e Segurança Social - com as receitas por eles geradas, há um saldo positivo de 64 878 milhões de contos

Em resumo, as empresas, nos seus interesses empresariais, “puseram” nas costas do Estado milhares de trabalhadores que, durante ainda alguns anos, podiam contribuir para os cofres da Segurança Social. Ao ritmo a que estão a crescer os novos pensionistas, a Segurança Social entrou numa espiral descendente donde o retorno parece não mais ser possível. Conclusão, para pôr um travão na despesa, a resposta imediata penalizou o cidadão – aumento da idade de reforma. A taxa de natalidade hoje, não augura também um futuro risonho para os futuros pensionistas – cada vez a taxa de cobertura da receita sobre a despesa da Segurança Social é menor. A imigração foi o fenómeno que veio trazer receitas ao Estado e à Segurança Social. Portanto, o controlo destes fluxos de imigração faz-se neste momento de acordo com as necessidades financeiras do Estado. Factores como concorrência no mercado do trabalho, problemas étnicos, questões humanitários ou de inserção na comunidade, originados por esta imigração não têm a mínima importância para o Estado.

Publicado por vmar em 08:23 PM | Comentários (2) | TrackBack

«Neurobiologia da Religião» ou «Neuroteologia»

Uma nova área do conhecimento científico está a dar os primeiros passos em Portugal e no mundo. Provavelmente chamar-se-á: «Neurobiologia da Religião» ou «Neuroteologia».
O título Fátima e a Ciência - investigação multidisciplinar das experiências religiosas, integra-se na colecção Ciência e Consciência e a coordenação científica está a cargo do Centro Transdisciplinar de Estudos da Consciência (CTEC), com sede na Universidade Fernando Pessoa, no Porto.
Fátima e a Ciência... é um estudo que se pretende «inovador, enriquecedor e não-dogmático», sendo que o objectivo central, é «identificar as zonas do cérebro que possam estimular, deliberadamente, as sensações transcendentes». Para os investigadores, «as primeiras sugestões assinalam que as experiências religiosas dependem de 'cada cultura' e que o cérebro criou a necessidade de experimentar o 'mais além' como parte do processo evolutivo humano».
A obra dedica-se com especial acuidade aos fenómenos e experiências pararreligiosas, nomeadamente às «aparições marianas», debruçando-se sobre os eventos da Cova da Iria, em 1917, e sobre outras manifestações semelhantes como aquelas registadas em Medjugorge, na ex-Jugoslávia.
O propósito do volume é contrariar a falta de interpelação científica a estas matérias, tradicionalmente «delimitadas ao foro confessional e à crença, no pressuposto de que seriam exclusivas e indignas de observação e reflexão racionais». Estas análises têm colidido com a interpretação católica oficial dos episódios de Fátima.

É importante que estes fenómenos sejam estudados e que seja encontradas explicações científicas para situações em que o homem, só pela via espiritual ou religiosa - no meu entender -, não consegue ir além das suas subjectivas respostas.

Publicado por vmar em 06:46 PM | Comentários (0) | TrackBack

A Morte Abreviada de Manuel Cardoso – III

(continuação)

Na manhã do dia seguinte resistiu para não ir à empresa. Não ia voltar a mostrar o Bilhete de Identidade aqueles dois novos da portaria e vigilância e dizer quem queria visitar. Um homem tem a sua vaidade, martelava em pensamento. Ou seria que ele estava a ficar teimoso, agora que caminhava para velho?... E estaria mesmo a caminhar para velho ou já seria velho? Ao fim e ao cabo não era o que “eles” - o engenheiro e os outros mandões lá da empresa - tinham achado ao levá-lo a reformar-se? Velho? Não, rebelava-se contra a ideia. Sentia-se cheio de força e de vitalidade e, se não estava naquele momento a trabalhar em forte e a dar o melhor de si, era por um conjunto de circunstâncias que não tinham nada a ver com ele ser velho ou não. Mas, agora que a reforma estava consumada, o que ele mais tinha a fazer era cuidar da vida dele e gozar o tempo livre de que dispunha enquanto se sentia com vigor. Com esta disposição saiu de casa. Havia de gozar a vida!

Durante toda a manhã percorreu as ruas sem fim, entrou em lojas, supermercados e centros comerciais, mirou coisas, remirou novidades comerciais, ouviu preços. Depois, almoçou num restaurante que oferecia na ementa, pendurada à porta, bacalhau à lagareiro com batatas a murro, que era um dos seus pratos favoritos. O bacalhau estava bom, regado com um azeite fino, acompanhado por uma salada verde e fresca, e o empregado do restaurante era amável e solícito. Mas a falta de companhia não lhe deixava sentir todo o sabor do bacalhau. Lançava, a míudo, olhares fugidios aos outros clientes do restaurante, meia dúzia de mesas apinhadas de pessoas que conversavam ruidosamente, enquanto comiam, atirando gargalhadas que estralejavam no ar como foguetes.

Depois do almoço sentiu-se pesado e apeteceu-lhe ficar um pouco a pensar na vida e nas coisas que iria fazer. Junto ao restaurante ficava um jardinzinho pequeno, salpicado de canteiros de flores coloridas e de relva muito verde e aparada, ainda húmida da última rega. O jardim não tinha mais que três ou quatro bancos compridos, todos ocupados. Cardoso sentou-se num, ao lado de um velhote trémulo que apoiava as duas mãos numa bengala e olhava em frente, fixamente, com olhos desmaiados e aquosos. No banco ao lado, duas mulheres gordas, vestidas de preto, tagarelavam com animação, a mexer agulhas e linhas que manobravam com dedos diligentes e nervosos, num movimento incessante, criando arabescos de renda. As duas mulheres tinham puxado as meias pretas para baixo, até aos tornozelos, destapando as pernas inchadas e muito brancas, raiadas de varizes azuladas, que estendiam ao sol e esfregavam, de vez em quando, com gestos demorados.

O velhote, ao lado de Cardoso, virou lentamente a cabeça para o companheiro de banco de jardim. Nos olhos desmaiados acendeu-se, por instantes, uma luz fugaz, e ele murmurou, mastigando devagar as palavras:

«Está também a aproveitar este solzinho?!...»

Cardoso olhou-o de revés, incomodado, mas, por educação, fez um esforço e sorriu com uma migalha de simpatia. Está também a aproveitar este solzinho?!... A pergunta do velho picava-lhe no peito como o ferrão de um insecto traiçoeiro. Que ideia aquela!... Como se ele, um homem activo, em plena meia idade, não tivesse mais nada para fazer que aproveitar o calor do sol, num banco de jardim, como um moribundo qualquer já com os pés para a cova... Levantou-se e atravessou o jardim, passando junto às mulheres de preto que faziam renda e a um par de namorados que tinha mergulhado num beijo infinito e profundo.

No outro lado do jardim, a confinar com uma rua calma e solitária, três ou quatro miúdos, aí de uns doze ou treze anos, divertiam-se com uma bola que atiravam uns aos outros com algazarra e alarido. As risadas dos gaiatos, as maçãs do rosto afogueadas pela brincadeira, as pernas ágeis e sem cansaços, funcionaram como um bálsamo para aquele descontentamento incomodativo que o velhote, sem querer, fizera nascer em Cardoso. Sentou-se ali mesmo, num tronco de árvore caído à beira de um canteiro de ervilhas de cheiro que exalava um aroma forte e penetrante. Ficou a seguir, com os olhos, as curvas em arco que a bola descrevia no ar, pontapeada pelos ténis gastos dos rapazes. A determinada altura, a bola sumiu-se, sem dúvida atirada longe demais por um pontapé demasiadamente forte. Um dos miúdos correu à procura da bola e regressou, instantes depois, a bola agitada entre as duas mãos, um grito de alerta na voz:

«Eh, pá, vamos embora que vem aí o polícia e ele quer ficar-nos com a bola.»

Lestos, os outros miúdos trataram de correr e sumiram-se pelo outro lado do jardim. O que tinha a bola ainda ficou uns segundos a olhar para um e outro lado. Mas, ao avistar a figura fardada do polícia que se aproximava, saltou, de um pulo, até perto de Cardoso e atirou-lhe, juntamente com a bola:

«Ó tiozinho, guarde-nos aí a bola, senão o polícia apanha-a.»

Os olhos do rapaz tinham a cor quente do mel e da juventude e Cardoso escondeu-lhe a bola com satisfação, apertando-a entre as pernas e o tronco de árvore onde se sentava, e sentindo um secreto prazer pela cumplicidade com os miúdos.

O polícia passou, em passos vagarosos, as mãos atrás das costas, muito hirto e sorumbático, olhando por baixo, e perdeu-se para lá do jardim, numa curva da rua. Cardoso pegou na bola, soprou a terra que se lhe tinha colado e que a sujava e ficou a rodá-la entre as mãos, esperando os miúdos.

Parecia, no entanto, que esses se tinham evaporado. Cardoso viu o par de namorados levantar-se, sem nunca afrouxarem o abraço apertado que os unia, e seguirem rua abaixo, alheios ao mundo que os rodeava e a outro pulsar que não fosse o deles. Viu as duas mulheres de preto embrulharem as rendas, delicadamente, em panos brancos, puxarem as meias para cima e levantar-se do banco onde se sentavam. Viu chegar uma mãe jovem que carregava nos braços um saco pesado e uma menina pequena mas que parecia igualmente pesada; a jovem mãe aproveitou um dos bancos do jardim para descansar um instante, ajeitou a roupa enrodilhada da menina e logo seguiu caminho.

Cardoso decidiu não esperar mais pelos miúdos, agachou a bola junto ao tronco, pôs-lhe por cima um ramo caído de um arbusto, e deixou o jardim onde o velhote trémulo continuava, com olhos fixos e perdidos, a olhar em frente.

Pelo caminho até casa foi meditando nas várias tarefas a que queria deitar mãos nos dias mais próximos. Uma - ia ser cá uma surpresa e uma alegria para a mulher!... - era uma bancada em madeira para colocar na varanda, onde ela pudesse pôr os vasos com as flores de que tanto gostava. Coisas de mulheres! Enfim, tanto e há tanto tempo que ela lhe vinha pedindo para ele lhe fazer aquilo e nunca tinha tido tempo nem disposição. Ia ser agora. A outra coisa - essa era uma surpresa para a neta pequenita -, com os bocados de madeira que sobrassem, ia fazer-lhe uma casinha de bonecas, com “portas, janelas, telhado e tudo”, como ela lhe tinha um dia pedido.

Mais desanuviado e leve, meteu as mãos nos bolsos, assobiou baixinho e pôs-se a caminho de casa.

(continua)

anamar - 1989

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Perspicácia visual - III

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janeiro 02, 2004

A inflação real e a meta do governo

Preço do pão deve subir até 20 por cento

O preço do pão deve subir de entre dez e 20 por cento a partir da próxima semana, confirmou o presidente da Associação dos Industriais de Panificação de Lisboa.
Fernando Trindade justificou o aumento a nível nacional com a subida das matérias-primas, em particular do trigo, que sofreu um incremento de 35 por cento no ano transacto.
O aumento do trigo, por seu turno, repercutiu-se na farinha, que subiu quase dez por cento em Dezembro de 2003.

Como é que o governo quer ter uma inflação de 2 por cento, já que todos os aumentos verificados a partir do primeiro dia do ano, são muito superiores à meta do governo?

E agora o pão, produto tradicionalmente básico, no povo português, leva este aumento brutal!

E agora, Sr. Durão Barroso, «o pior já passou»!?....

Publicado por vmar em 06:27 PM | Comentários (3) | TrackBack

Se os “sms” fossem euros...

Operadoras móveis processaram mais de 146 milhões de sms na passagem de ano

Que pena terem sido 146 milhões de “sms”!
Se tivessem sido 146 milhões de euros, a Manuela F. Leite chamava-lhe “um figo”.
Até dançava o samba com o Vasco Valdez em cima da secretária.
Nos tempos de crise que vivemos....era um milagre da santa que protege o Paulinho.
Façam as contas ao IRC; 25 por cento de 146 milhões...
Ainda são muitos milhões....

Publicado por vmar em 05:17 PM | Comentários (0) | TrackBack

Nova etapa na luta contra o fumo

Holanda proíbe fumar em locais públicos

Com a entrada deste novo ano, o governo holandês pôs em vigor uma lei que proíbe que se fume em locais públicos e alguns privados, nomeadamente escritórios.
Em locais públicos como as estações de comboio, as casas de banho passa a ser proibido fumar. Nos escritórios, os funcionários só poderão fumar em salas pré-destinadas para esse efeito e que tenham exaustores. Caso os empresários não acatem esta medida poderão sofrer uma multa pesada.
Os hotéis, os bares e os restaurantes conseguiram uma isenção temporária, mas sob a condição de tentar encontrar, até 2005, uma alternativa.
Composta por 16 milhões de habitantes, cerca de 30% da população da Holanda fuma. Com estas medidas o governo holandês espera reduzir o número de fumadores em 5% nos próximos três anos.

A Holanda na vanguarda europeia da luta contra o fumo.
Será que por cá, restrições deste tipo, não estariam correctas?
Os fumadores tem os seus direitos.
Mas os não fumadores também têm os seus direitos....

Publicado por vmar em 04:27 PM | Comentários (0) | TrackBack

A Morte Abreviada de Manuel Cardoso – II

(continuação)

No dia seguinte acordou à hora do costume, mesmo sem o toque do despertador, desligado na noite anterior por já não ser necessário. Afastou maquinalmente os lençóis e saiu da cama, levado pelo antigo hábito de muitos anos. Já estava de pé quando se deu conta que, afinal, não precisava levantar-se tão cedo. Foi à casa de banho e depois ficou parado no meio do corredor, meio esquecido, meio atordoado, sentindo com a palma da mão a aspereza da barba que despontava no queixo. A mulher já tinha saído para o trabalho e a casa estava envolta em penumbra e cheia de um vazio silencioso. Os estores das janelas, quase completamente corridos para baixo, deixavam apenas entrar duas réstias delgadas de luz que desenhavam indefinidas sombras nas paredes. Ainda esteve tentado em voltar para a cama mas acabou por se decidir pelo barbear, tomar um banho e vestir roupa lavada.

Saiu de casa sem pressas, bebeu uma bica no café e foi andando devagarinho, rua abaixo, a olhar os prédios altos, de janelas mudas, junto aos quais passava todos os dias mas para onde raramente levantava os olhos, na pressa quotidiana dos horários apertados. Junto à paragem do autocarro deteve-se um pouco. Quando o laranja chegou, ficou a ver, uma a uma, as pessoas que subiam, mostrando os passes ao motorista ou picando o bilhete com um estalinho sonoro. Entrou a última e Cardoso ainda teve uma hesitação vaga mas, logo a seguir, determinado, entrou também.

Pouco depois deu por ele no Metro, irmanado com aquele grupo compacto de gente que galgava, em passos largos, os longos e sombrios corredores subterrâneos. Os tacões dos sapatos das pessoas batiam no chão, certeiros e ritmados, ecoando nas paredes nuas: toc, toc, toc, toc. De repente irrompeu uma música cheia, redonda e quente, que vibrou nos corredores compridos e abafou o barulho dos tacões. Era o cego do acordeão que tocava a troco de uma esmola.

Cardoso saiu do Metro e subiu as ruas familiares do Bairro Alto. À porta da empresa cumprimentou o Meireles, o recepcionista, e entrou. A rapaziada recebeu-o com vivas entusiasmados. Todos o chamavam. Então, oh Cardoso?!... Uns queriam saber novidades, como se a última vez que se tinham visto tivesse sido há muito tempo e não no dia anterior; outros queriam um palpite para o bilhete da Lotaria. Dois zeros de terminação, nah, não tenho fé nisso... Fica-se com o outro bilhete, um três e um cinco, esse está bem, é um bom número. Ficou decidido, todos puxaram da carteira para a compra da cautela, e o Zé Fernandes, que andava a recolher o dinheiro, estendeu também a mão para Cardoso. «Continuas cá no grupo das apostas, tá?», sentenciou com uma palmada firme no ombro do reformado. Cardoso riu-se com agrado, meteu a mão ao bolso e entregou-lhe o dinheiro.

Nos dias que se seguiram continuou a ir à empresa. Chegava, quase sempre, ao fim da manhã, ia almoçar com a rapaziada e depois deixava-se ficar tarde fora, nas conversas do costume, velhas de muitos anos mas sempre rejuvenescidas por novos pormenores, enquanto as páginas dos jornais, nas mesas de montagem, iam tomando forma. O futebol era a paixão colectiva. E, naquele dia em que anunciaram a transmissão directa, de Itália, da Final da Taça dos Campeões, Cardoso levou de casa a televisão pequenina, a cores, que tinha comprado durante as últimas férias, numa excursão a Ceuta.

Um dia, foi a uma segunda-feira, Cardoso nunca mais o esqueceria, mal empurrou a grande porta envidraçada da empresa, pressentiu difusamente que algo se tinha passado. Alguma coisa drástica e desagradável.

Avançou devagar pela entrada atapetada, procurando com os olhos a figura conhecida de Meireles, o recepcionista. Em lugar dele viu um homem e uma mulher, ambos jovens e fardados de igual, ele com calças azul-escuro e camisa bege, ela de saia azul e blusa igualmente bege. Os olhos caíram-lhe sobre o emblema de letras douradas que ambos ostentavam no peito. E, num relance, ao tomar consciência do significado do reluzente nome escrito no emblema, Cardoso sentiu o coração saltar como se um punho fechado o tivesse socado por baixo: o velho recepcionista Meireles tinha sido substituído por dois jovens funcionários de uma moderna empresa de segurança e vigilância.

Mas já os dois funcionários de azul e bege o olhavam com ar formal e atento, esboçando ténues sorrisos. Queriam saber o que desejava e quem procurava. Cardoso abanou devagar a cabeça. E murmurou baixinho, a garganta e o peito apertados por uma estranha confusão envergonhada.

«Trabalhei aqui nesta empresa mais de quarenta anos. Reformei-me vai para um mês...»

Nada disto devia ter significado ou entendimento para os dois novos funcionários da vigilância e segurança que voltaram, polidamente, a repetir a pergunta: «O que desejava? Quem procurava?»

Cardoso sentiu-se estremecer. Quem e que procurava ele? Talvez ninguém e nada em particular. Procurava a rapaziada toda, alguns deles companheiros diários de muitos anos de trabalho. Procurava o convívio perdido. A ocupação de espírito e corpo que preenchesse aquele vazio abissal e sem horizontes para onde a reforma súbita o atirara.

«Queria falar com o Zé Fernandes, da secção de montagem.» Dissera um nome ao calhas. Mas já o funcionário de azul e bege, muito compenetrado e eficiente, consultava a lista dos trabalhadores da empresa na procura do nome do Zé Fernandes.

«Precisamos de um seu documento para identificação», pediu, sem levantar os olhos.

Cardoso puxou da carteira e estendeu-lhe maquinalmente o Bilhete de Identidade. Logo a seguir entregaram-lhe dois papéis. Um, era um impresso onde constava o nome dele, a hora de entrada - preenchida até ao pormenor, 11 horas e 2 minutos, nada de arredondamentos - e um espaço em branco para a hora de saída.

«Por favor, peça para o sr. José Fernandes assinar e volte a entregá-lo à saída, quando levantar o Bilhete de Identidade.»

Quanto ao outro papel - um rectângulo plastificado preso por uma pequena mola - Cardoso revirou-o entre os dedos e leu, em letras gordas e negras: Visitante.

«É para o senhor pôr ao peito», esclareceu o funcionário da empresa de segurança e vigilância.

Quando chegou à montagem, assaltaram-no com comentários e perguntas:

«Então, viste a flausina mais o carapau de corrida que eles agora puseram à entrada?. Vê lá que ficamos todos parvos com esta novidade! Uma coisa assim, de repente, sem ninguém estar à espera... Isto deve ser mais uma do Engenheirote...»

Cardoso, cheio de maus pressentimentos, queria era saber do Meireles, o recepcionista: O que lhe tinha acontecido? Onde estava?

Os gráficos franziam a testa, os olhos redondos de perplexidade. Ninguém sabia muito bem. Constava que o Meireles tinha ido de férias. Havia quem se lembrasse de o ter ouvido dizer que, por estes dias, queria ir à terra, à matança do porco.

«Se ele foi de férias e não sabe de nada, quando cá chegar e encontrar os dois jeitosos lá na recepção, com a surpresa ainda lhe dá um chilique que nunca mais se endireita», conjecturava-se.

Cardoso tirou da algibeira e mostrou a Zé Fernandes o impresso que o funcionário da vigilância e segurança lhe tinha dado para ser assinado, mais o rectângulozinho plastificado, com uma mola na ponta, que dizia, em letras negras, a palavra “Visitante".

«Então, não penduraste isso aí no casaco?», interrogou-o Zé Fernandes.

Cardoso fitou de frente o antigo colega de profissão.

«Trabalhei cá mais de quarenta anos. Deixei cá metade das horas da minha vida. Ninguém me vai agora obrigar a entrar cá com um cartão pendurado a dizer visitante.»

Os olhos de Cardoso tinham escurecido e a voz soava triste e ressentida.

«Não leves as coisas assim tão a peito. Não se ganha nada com isso...», animou-o Zé Fernandes, pondo-lhe, amigavelmente, uma mão no ombro.

«Um homem tem a sua vaidade!», retorquiu Cardoso, voltando a guardar o rectângulo plastificado na algibeira.

(continua)

anamar - 1989

Publicado por vmar em 03:27 PM | Comentários (1) | TrackBack

Autocarros a hidrogénio no Porto

O Porto, através dos STCP, é uma das cidades europeias escolhidas para testar o projecto.

O Porto é uma das nove cidades escolhidas pela União Europeia que irá testar, a partir de Janeiro, três dos 27 autocarros movidos a hidrogénio, no âmbito do projecto Clean Urban Transport for Europe (CUTE). A experiência será levada a cabo pela Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP).
Bruxelas vai investir 18,5 milhões de euros na criação, a nível europeu, de uma infra-estrutura de hidrogénio, visando ensaiar, em condições normais de operação vários sistemas de produção, distribuição e estações de enchimento de hidrogénio, além dos próprios autocarros equipados com a avançada tecnologia dos ‘fuel cells’. O projecto tem a duração de dois anos, cabendo à STPC a análise dos balanços energéticos.
A construtora automóvel Daimler Chrysler fornecerá os três autocarros à empresa gestora dos transportes colectivos do Porto, o primeiro dos quais chegou em meados do mês, sendo a petrolífera BP o terceiro parceiro do projecto português.
A operação normal dos autocarros no transporte público urbano do Porto está previsto para a segunda metade de Janeiro, após uma fase de testes e formação.
Além do Porto, integram o projecto CUTE as cidades de Amesterdão, Barcelona, Hamburgo, Londres, Luxemburgo, Madrid, Estocolmo e Estugarda.

Publicado por vmar em 12:57 PM | Comentários (0) | TrackBack

Portas eleito o pior do ano

O ministro da Defesa foi o político que mais se destacou durante o ano de 2003, mas pela negativa. De acordo com uma sondagem do Correio da Manhã, 15,7 por cento dos portugueses apontam Paulo Portas como ‘o pior do ano’, logo seguido pelo primeiro-ministro, com 13,9 por cento.

Ferro Rodrigues não conseguiu fugir aos efeitos negativos do processo Casa Pia e 12,2 por cento dos inquiridos consideram que foi o pior político do ano.
Manuela Ferreira Leite surge em quarto lugar, com 6,4 por cento. Às voltas com uma grave crise económica, os portugueses não hesitaram em apontar o dedo ao membro do Governo responsável pelas contas do Estado.
Paulo Pedroso é o segundo socialista neste grupo. O seu envolvimento no escândalo da pedofilia não foi bem visto pelos portugueses. Três por cento consideram que foi o político que mais se distingiu pela negativa.
No final da lista, ou seja, os considerados ‘menos maus’ foram Pedro Santana Lopes, com 1,2 por cento, e Carlos Carvalhas, João Soares e Jorge Sampaio, todos com 1,1 por cento.

Até quando conseguirá Portas aguentar a pressão?
Ele está bem grudado à cadeira, mas um dia....

Publicado por vmar em 12:37 PM | Comentários (0) | TrackBack

Perspicácia visual - II

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janeiro 01, 2004

Parábola: A mais bela flor

Mais uma vez, enviada por uma amiga minha, uma interessante parábola, de autor anónimo, sobre os comportamentos humanos e a honestidade (ou a falta dela) que tanta gente usa nos seus relacionamentos.
Um grande beijo de agradecimento para a minha amiga.

A mais bela flor

Conta-se que, por volta do ano 250 A.C, na antiga China, um príncipe da região norte do país estava prestes a ser coroado imperador mas, de acordo com a lei, deveria casar-se primeiro. Sabendo isso, ele resolveu lançar um "desafio" às raparigas da corte ou a quem quer que se achasse digna de sua proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia todas as pretendentes numa recepção especial, na qual revelaria os pormenores do desafio. Uma senhora idosa, serva no palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar a casa e contar o facto à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à recepção, e indagou incrédula: «Minha filha, o que vais lá fazer? Estarão presentes as mais belas e ricas raparigas da corte. Tira essa ideia da cabeça. Eu sei que tu deves estar a sofrer, mas não transformes o sofrimento em loucura.»

E a filha respondeu: «Não, querida mãe, eu não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é a minha oportunidade de ficar alguns momentos perto do príncipe, e isso já me torna feliz.»

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de facto, as mais belas raparigas, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, o príncipe anunciou o desafio: «Darei, a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será a escolhida para minha esposa e futura imperatriz da China.»

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito o principio de "cultivar" algo, como costumes, amizades, relacionamentos, etc...

O tempo passou e a doce jovem, sem experiência na arte da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura da sua semente, acreditando que, se a beleza da flor fosse proporcional ao seu amor, ela não precisaria de se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tentara tudo, usara todos os métodos que conhecia, mas nada nascera. Dia após dia, ela via cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, passado os seis meses, nada rebentou. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, voltaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe.

À hora marcada lá estava, com o vaso vazio, junto às outras pretendentes, cada uma com uma flor, qual delas a mais bela. Admirada, não parava de olhar a beleza, as formas e as cores das flores das suas companheiras.

O príncipe chegou e observou cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica que a jovem do vaso vazio é a sua futura esposa. Os presentes ficam surpresos e incrédulos. Ninguém compreendia a escolha do príncipe: precisamente aquela que nenhuma flor apresentara.

Então, calmamente, o príncipe esclareceu:
«Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.»

(Autor desconhecido)

Publicado por vmar em 11:56 PM | Comentários (0) | TrackBack

O feitiço vira-se contra o feiticeiro

Brasil começou a fotografar e a recolher impressões digitais de turistas norte-americanos

As autoridades do Brasil começaram hoje a fotografar e a recolher as impressões digitais dos turistas norte-americanos, por ordem de um juiz que comparou uma medida norte-americana idêntica, que será posta em prática a partir da próxima segunda-feira, aos horrores do nazismo.

"Considero esta medida absolutamente brutal, atentatória dos direitos humanos, violadora da dignidade humana, xenófoba e digna dos piores horrores do nazismo", escreve o juiz Sebastião da Silva na sua decisão, tornada pública anteontem.

Como no Código de Hamurábi “dente por dente, olho por olho”.

Publicado por vmar em 07:43 PM | Comentários (1) | TrackBack

A Morte Abreviada de Manuel Cardoso - I



A MORTE ABREVIADA DE MANUEL CARDOSO


A funcionária da Contabilidade preencheu o recibo e o cheque e depois entregou-lhos, indicando o local onde ele devia assinar.

«Isto é que é sorte, hem, sr. Cardoso! Leva aqui, de uma só vez, uma indemnização que é quase um ano de trabalho em dinheiro e reforma-se um jovem... Depois é que vai ser, o dinheirinho da reforma todos os meses e só boa vida!...»

Ela levantou os olhos dos papéis que pejavam a secretária e sorriu, fixando-o entre descarada e brincalhona.

«É cá uma inveja que me faz... Um jovem e já reformado, hem?!... É ou não é, sr. Cardoso?»

Ele riu-se também e não resistiu a gracejar:

«Jovem, propriamente, não direi... mas aqui ao pé de uma carinha fresca como a sua até me esqueço dos anos que tenho.»

E como ela, mordiscando distraidamente a ponta da esferográfica, divertida e risonha, continuava a olhar para ele, baixou ligeiramente a voz e abriu-lhe mão de uma confidência:

«Ainda hei-de fazer os sessenta. Mas olhe, deixo cá mais de quarenta anos de trabalho. Mais?!... Oh, muito mais... Entrei para cá ainda nem os quinze completos tinha, agora tenho cinquenta e nove, veja lá quantos anos não deixo nesta casa?»

A rapariga encostou-se toda para a frente, descontraída, os braços dobrados em cima da secretária, as bochechas rosadas da cara fresca apoiadas nas conchas das mãos, e Cardoso perdeu-se em recordações:

«Entrei para cá directamente para o jornal, não foi logo para a tipografia, embora, nessa altura, fosse tudo uma só empresa. Eu fazia serviço externo, compras, correio, encomendas, coisas assim. Levava para a rua e trazia. Era então director o Doutor Ruas Rosa... O que ele gostava de umas merendinhas que se faziam numa padaria que havia ali ao fundo da rua, onde agora há um snack-bar que serve almoços ao balcão! De manhã, a primeira coisa que eu fazia era ir-lhe buscar uma merendinha quente, acabadinha de sair do forno... Mas estive pouco tempo no serviço externo, não demorei muito a passar para a tipografia. Sempre que podia dava uma escapadela lá abaixo, às máquinas, e ficava, cá de cima, a espreitar os homens no trabalho. Naquele tempo ainda nem se sonhava com computadores nem off-sets, era tudo em chumbo, trabalho pesado, feito numas máquinas grandes e escuras, as linotypes, era assim que se chamavam, que compunham os textos em graneis que depois montávamos nas ramas para fazer as páginas dos jornais. Os homens usavam uns fatos azuis-escuros, eu ainda me parece que sinto o cheiro a chumbo que ficava no ar!... Mas o que verdadeiramente me deixava fascinado era a rotativa, enorme como um monstro pré-histórico, um emaranhado de correias compridas como cobras que se perdiam nas voltas que davam. Quando a punham a trabalhar, primeiro resfolegava como um comboio a vapor a subir uma encosta, depois, quando engrenava, era um cavalo possante e alado vomitando jornais que ainda escorriam tinta fresca... Foi o Doutor Ruas Rosa que me disse, Gostas?... Então passa para lá e faz-te um artista. Sim, ele tinha razão, montar um jornal é um trabalho de artista, a gente tem ali uma maqueta à frente, que não passa de uns riscos, uns traços, umas indicações, uma ideia. Mas depois vêm os textos, os títulos, as fotos, as redes, não basta colocá-los no sítio certo, é preciso calcular os tamanhos, sentir os equilíbrios, perceber os contrastes, jogar com as distâncias. Montar as páginas de um jornal é dar corpo a uma ideia, vê-lo surgir ali, materializado e palpável. Um trabalho de artista!... E olhe, não é para me gabar, mas eu era dos melhores.»

O dia de trabalho chegava ao fim e a funcionária da Contabilidade já arrumava discretamente os papéis e fechava os dossiers. Cardoso guardou o cheque e o recibo na algibeira de dentro do casaco e transpôs a porta da empresa ainda com a recordação do velho cheiro a chumbo nas narinas, de mistura com o discreto aroma das modernas e lustrosas folhas onde o texto composto passara a ser impresso. Lá fora, a tarde era de Verão, cheia ainda de uma luz que parecia rir, e de gente que corria, indiferente e apressada, desejando chegar a casa depois de mais um dia de trabalho. Cardoso caminhava também apressado, no meio da multidão, alheio ao afago quente da luz, tropeçando em lembranças que se lhe atravessavam no pensamento.

Empurrou devagarinho a porta do gabinete do Engenheiro Gomes. Primeiro tinham partido a empresa, jornal para um lado, tipografia para outro. O jornal dava prejuízo, diziam. Depois a Redacção do jornal mudou de instalações. Foi nessa altura que chegou o Engenheiro Gomes, antecedido por uma aureolante fama de inteligência e sabedoria. Pasmou-se o pessoal de tanta juventude. Pasmou-se ainda mais quando se deu conta de tanto dinamismo e eficácia num corpo tão delgado e imberbe de adolescente. Os gráficos e fotógrafos comentavam, maldosos e gozões, que a cara do engenheiro tinha menos pêlos que a da D. Carolina, a telefonista gorda mas de voz tão suave, tão terna e acariciante, que fazia esquecer, a quem a ouvia, os pesados e grossos quilos que se derramavam nas roupas irremediavelmente apertadas, lá atrás do PBX.

Pois, quanto ao Engenheiro, o pessoal não sabia ao certo se ele era director, se chefe, se gestor, mas, desde que chegara, passou a mandar em tudo, tudo supervisionando e tudo corrigindo e reestruturando, omnipresente e omnisciente, cheio de leveza e gestos elásticos. Era vê-lo da sala de composição para a montagem, da montagem para a fotografia, da fotografia para a impressão, desdobrando-se em incansáveis e entusiasmadas explicações, sublinhadas a sorrisos e matizadas de palavras difíceis que os gráficos decifravam mal, baralhando-lhes os pensamentos.

A única coisa que toda a gente percebeu é que a empresa estava a dar uma grande volta. Era o progresso. Eram as novas tecnologias. Era a competição de mercado. Era tornar aquela uma empresa agressiva e dinâmica, capaz de fazer face aos desafios do futuro e às novas conjunturas. A partir daí, apanhados nessa onda enorme e avassaladora, foi um ver se te avias de gente que se mudou para outro local de trabalho, que se despediu e foi despedida, que se reformou e foi convidada a reformar-se. Muitos partiam satisfeitos e com poucas saudades, embalados em sonhos e projectos futuros de negócios por conta própria a que algumas indemnizações, recebidas à despedida, teciam de facilidades e deslumbramentos.

Cardoso abriu a porta do gabinete do Engenheiro Gomes e logo ele se levantou, cumprimentando-o efusivamente.

«Sente-se, sr. Cardoso, sente-se.»

O cabelo do Engenheiro, que era liso e castanho, tinha um corte caprichado e mantinha-se impecavelmente penteado. As calças, a camisa, a gravata, eram claras, leves, modernas e harmoniosas. Mas as mãos do Engenheiro, que eram brancas e finas e tinham uns dedos tão exageradamente compridos que ele os mexia desajeitado, lembravam as mãos de um menino que tivesse crescido depressa demais.

Depois o Engenheiro falou, transbordando sempre de sorrisos, mexendo continuamente as mãos de dedos compridos. Que ele, Cardoso, pensasse bem, ninguém o obrigava a nada. Ninguém queria obrigá-lo a reformar-se mas, com a idade que tinha e tantos anos de serviço... Depois foi novamente aquela história das tecnologias, dos progressos, da reestruturação da empresa, das competições de mercado. As palavras do Engenheiro flutuavam na cabeça de Cardoso como num mundo sem gravidade. O Engenheiro inclinou-se ligeiramente e apresentou-lhe o papel para a antecipação da reforma. E Cardoso, sem sentir bem os pés no chão, levitado, assinou por baixo em letra miúda e desenhada.

Quando soube, a mulher fez-lhe uma festa. Que maravilha! Com aquele dinheirinho que iam receber podiam mandar arranjar os canos da cozinha, pôr umas torneiras novas e comprar uns armários modernos. E ele ia descansar, que bem precisava. Quem lhe dera a ela, sempre naquela labuta a ver se não chegava atrasada ao emprego para não ter falta nem descontos. E todos os dias aquela canseira dos transportes e das bichas, quem lhe dera a ela poder já reformar-se e ficar em casa a tratar das suas coisinhas. Talvez a mulher tivesse razão. Pois se toda a gente lhe dava os parabéns pela sorte que tinha...

Cardoso apercebeu-se que, rapidamente, tinha descido as ruelas estreitas do Bairro Alto, apertadas entre prédios de janelas antigas, com cordas de roupa pendurada, a secar, que as mulheres apanham àquela hora da tarde. Ruelas íngremes e tortuosas, salpicadas de velhas tascas de lume a carvão à porta e de casas com jantares típicos e Fado na ementa, onde, em horas perdidas, gente de variados quadrantes e ofícios bebe café e álcool. Atravessou o Rossio, fervilhando de pessoas que se cruzam e acotovelam na pressa de apanhar transporte, alheias aos pedintes de olhar parado que ostentam mazelas e cartazes toscos onde se descrevem tragédias, à laia de legenda, em meia dúzia de palavras com erros: "Tou desinpregado e sofro de trabeculose". "Na tenho dineiro pra comprar o leite para os mes filhos". O pregão do vendedor de bugigangas alterna com o da mulher dos raminhos de flores e as pessoas quedam-se por instantes, numa curiosidade breve. Junto aos semáforos, em magote, esperam com impaciência que chegue o verde para os peões e depois avançam de assalto, como uma vaga, para o outro lado da rua. Cardoso respirou fundo, com um longo suspiro, e desceu os degraus do Metro, a caminho de casa.


(continua)


anamar - 1989

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Perspicácia visual - I

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A Verdade da Mentira começou assim 2004

Publicado por vmar em 04:05 PM | Comentários (0) | TrackBack

1 de Janeiro de 1986

Adesão de Portugal e Espanha à Comunidade Europeia.

Publicado por vmar em 12:14 PM | Comentários (0) | TrackBack